Perder peso continua entre os principais objetivos de saúde e bem-estar buscados por milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, diante da pressão por resultados rápidos, muitas acabam recorrendo a dietas restritivas encontradas na internet, jejuns prolongados, medicamentos sem acompanhamento profissional e métodos que prometem transformações aceleradas, mas que nem sempre apresentam resultados duradouros.
O tema ganha ainda mais relevância diante do avanço global do excesso de peso. Dados do World Obesity Atlas 2026 apontam que quase 3 bilhões de pessoas vivem atualmente com sobrepeso ou obesidade. A projeção indica que esse número poderá se aproximar de 4 bilhões até 2035, ampliando os desafios relacionados à prevenção e ao tratamento da condição.

De acordo com Fernanda Lopes, nutricionista da Six Clínic, plataforma digital voltada ao atendimento de pessoas com obesidade e sobrepeso, o processo de emagrecimento é influenciado por uma série de fatores que vão além da alimentação. Aspectos metabólicos, hormonais, emocionais e comportamentais também exercem papel importante e exigem acompanhamento individualizado.
“O suporte médico e nutricional contínuo permite identificar barreiras, ajustar estratégias e oferecer apoio a quem busca emagrecer durante essa trajetória. Com o avanço da telemedicina, esse cuidado se torna mais acessível e frequente, favorecendo o monitoramento da evolução e a adesão ao tratamento”, explica.
Segundo a especialista, alguns comportamentos bastante difundidos entre pessoas que tentam emagrecer por conta própria podem, na prática, dificultar o alcance dos objetivos. Ela destaca cinco erros considerados frequentes nesse processo.
Pular refeições
Um dos equívocos mais comuns é acreditar que reduzir drasticamente a ingestão de alimentos ou ficar muitas horas sem comer acelera a perda de peso. Estratégias como eliminar o café da manhã, passar longos períodos em jejum ou restringir grupos alimentares inteiros costumam ser adotadas por quem deseja emagrecer rapidamente.
No entanto, Fernanda Lopes afirma que abordagens excessivamente rígidas podem dificultar a adesão ao plano alimentar no longo prazo.
“Quando os hábitos alimentares são marcados por muitas restrições, a pessoa pode encontrar mais obstáculos para seguir o planejamento nutricional no dia a dia. Por isso, abordagens mais flexíveis e adaptadas à realidade de cada indivíduo costumam apresentar benefícios mais consistentes ao longo do tempo”, orienta.
Avaliar os resultados apenas pela balança
Outro erro frequente é avaliar os resultados exclusivamente pelo peso registrado na balança. Embora esse indicador seja importante, ele não representa sozinho todas as mudanças que ocorrem durante o processo de emagrecimento.
Redução de medidas, diminuição do inchaço, melhora da disposição, aumento da capacidade física e mudanças na composição corporal também são sinais relevantes de evolução.
“A balança mostra apenas a massa corporal total e não consegue indicar, sozinha, tudo o que está acontecendo. Quando a pessoa observa apenas os quilos, pode se desmotivar e acreditar que não está evoluindo. Por isso, é importante acompanhar outros indicadores para ter uma visão mais completa do progresso”, ressalta a nutricionista.
Negligenciar a qualidade do sono
A qualidade do sono também aparece entre os fatores que podem interferir diretamente no controle do peso corporal. Segundo especialistas, dormir pouco ou ter um descanso inadequado afeta mecanismos ligados à fome, à saciedade e ao metabolismo.
Fernanda Lopes explica que o sono participa da regulação hormonal e que alterações nesse processo podem aumentar a dificuldade para manter hábitos alimentares equilibrados.
“O sono participa da regulação de hormônios relacionados à fome e à saciedade. Quando o repouso é comprometido, pode haver aumento da fome, maior desejo por alimentos ultraprocessados e mais dificuldade para manter escolhas equilibradas no dia a dia. Por isso, para a maioria dos adultos, a recomendação é dormir entre 7 e 9 horas por noite”, relata.
Ignorar outros fatores que influenciam o peso
Embora a alimentação seja um dos pilares do controle do peso, ela não é o único fator envolvido. Questões hormonais, predisposição genética, uso de medicamentos, privação de sono e níveis elevados de estresse também podem influenciar a resposta do organismo às mudanças de hábitos.
Por esse motivo, quando uma pessoa enfrenta dificuldades persistentes para emagrecer, mesmo após alterações na alimentação e na rotina, a avaliação profissional pode ser necessária para identificar possíveis causas associadas.
“Quando existem barreiras persistentes para o emagrecimento, mesmo após adaptações no estilo de vida, é importante investigar possíveis condições associadas. Alterações na tireoide, resistência à insulina, síndrome dos ovários policísticos e o uso de determinados medicamentos são alguns exemplos que podem influenciar o funcionamento do organismo e exigir uma conduta específica”, pontua.
Abandonar o acompanhamento após atingir a meta
Outro aspecto frequentemente negligenciado é a fase de manutenção do peso. Muitas pessoas acreditam que, após atingir a meta desejada, podem seguir exatamente os mesmos hábitos adotados durante o processo de emagrecimento. No entanto, a especialista explica que essa etapa requer ajustes específicos.
As necessidades energéticas do organismo mudam, assim como as metas individuais e a quantidade de calorias necessária para manter os resultados conquistados. Por isso, o acompanhamento especializado continua sendo importante mesmo após a perda de peso.
“As necessidades do organismo mudam, assim como a ingestão calórica, as escolhas alimentares e as metas de cada indivíduo. Por isso, a assistência especializada permite acompanhar o progresso de forma contínua, realizar ajustes sempre que necessário e aumentar as chances de preservar as conquistas de forma duradoura”, conclui.
Especialistas reforçam que o emagrecimento sustentável tende a estar associado à adoção gradual de hábitos saudáveis, ao acompanhamento profissional e à compreensão de que fatores físicos, emocionais e metabólicos atuam em conjunto no controle do peso corporal.