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Comércio

Varejo do Rio Grande do Norte cresce 4,8% e mantém sequência de 13 meses de alta

Estado volta a ficar entre os destaques nacionais, com desempenho acima da média brasileira e impulso de combustíveis, supermercados e setor automotivo
Por O Correio de Hoje
18/06/2026 | 12:24

O comércio varejista do Rio Grande do Norte voltou a registrar desempenho acima da média nacional em abril e consolidou um ciclo de crescimento que já dura mais de um ano. Dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pelo Instituto Fecomércio RN (IFC), mostram que a receita real do setor avançou 4,8% na comparação com o mesmo mês de 2025, resultado puxado principalmente pelos segmentos de combustíveis e lubrificantes e de hipermercados e supermercados.

Com o desempenho, o Estado alcançou o 13º mês consecutivo de crescimento do varejo e voltou a figurar entre os destaques nacionais. A expansão registrada no Rio Grande do Norte ficou mais de quatro vezes acima da média brasileira, que avançou 1,0% no mesmo período. Entre as unidades da federação, o Estado apresentou o quarto melhor resultado do país e o segundo melhor do Nordeste, atrás apenas de Pernambuco, que registrou crescimento de 8,9%.

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Setor supermercadista foi importante para manutenção da expansão varejista - Foto: José Aldenir

O desempenho reforça uma trajetória positiva observada desde o segundo semestre do ano passado. Segundo a análise do IFC, a expansão das vendas está associada à manutenção de um mercado de trabalho mais aquecido, ao aumento da renda das famílias e à melhora dos indicadores de crédito. A redução dos níveis de inadimplência, observada nos levantamentos recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da própria Fecomércio, também tem contribuído para ampliar a capacidade de consumo dos potiguares.

O segmento de combustíveis teve papel relevante nesse resultado. Além da recuperação da demanda, o setor foi beneficiado por ajustes de preços ao longo dos últimos meses e pelo aumento da circulação de pessoas e mercadorias. Os supermercados, por sua vez, continuaram refletindo a resiliência do consumo de bens essenciais, sustentado pela melhora gradual do poder de compra das famílias.

Quando analisado o comércio varejista ampliado — indicador que inclui, além das atividades tradicionais do varejo, as vendas de veículos, motocicletas, peças e material de construção — o desempenho do Estado foi ainda mais expressivo. A receita cresceu 5,4% em abril na comparação anual, impulsionada principalmente pelo aquecimento do mercado automotivo.

O setor de veículos vem apresentando recuperação consistente desde 2025, beneficiado pela ampliação da oferta de crédito, pela redução gradual dos juros em algumas modalidades de financiamento e pela maior disponibilidade de modelos eletrificados e híbridos. O movimento tem ajudado a compensar o desempenho mais moderado de outros segmentos ligados ao varejo ampliado.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, a receita do comércio varejista potiguar avançou 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Trata-se do melhor início de ano para o setor desde 2018. No mesmo intervalo, a média nacional foi de 2,0%, evidenciando um crescimento mais acelerado da atividade econômica local.

O Rio Grande do Norte também ocupou a quarta colocação entre os Estados brasileiros e a segunda entre os nordestinos no acumulado do quadrimestre. O resultado reforça a posição do Estado entre os mercados mais dinâmicos da região em 2026.

Especialistas, porém, observam que parte desse desempenho é influenciada pela base de comparação mais baixa registrada no ano anterior. Entre janeiro e abril de 2025, o varejo potiguar havia crescido apenas 1,2%, enquanto a média brasileira avançou 2,3%. Esse cenário contribui para elevar as taxas atuais. Ainda assim, a avaliação do IFC é de que os resultados não se explicam apenas pelo chamado efeito estatístico.

Indicadores recentes da economia estadual apontam um ambiente mais favorável ao consumo. A taxa de inadimplência das famílias em Natal recuou para o menor nível para um mês de maio desde 2015, enquanto o mercado de trabalho segue apresentando saldo positivo de contratações formais. O turismo aquecido e o aumento da movimentação de passageiros pelo Aeroporto de Natal também têm contribuído para impulsionar atividades ligadas ao comércio e aos serviços.

No varejo ampliado, o acumulado de janeiro a abril registrou crescimento de 4,2%, desempenho considerado positivo, embora mais moderado que o observado no comércio restrito. O resultado reflete o comportamento heterogêneo dos segmentos adicionais incluídos no indicador, especialmente material de construção, que ainda enfrenta um ritmo de recuperação mais gradual.

Para a Fecomércio RN, os números reforçam a capacidade de recuperação do setor e indicam que o comércio potiguar segue em trajetória de expansão acima da média nacional. O desafio para os próximos meses será sustentar esse ritmo diante de um cenário econômico que ainda combina juros elevados, pressão sobre o crédito e incertezas no ambiente internacional. Mesmo assim, os indicadores atuais apontam que o varejo do Estado continua entre os principais motores da atividade econômica potiguar em 2026.