A vantagem dos candidatos de oposição na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte está diretamente relacionada à desaprovação da administração da governadora Fátima Bezerra (PT), na avaliação de cientistas políticos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Juntos, o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) e o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) alcançam 67,83% das intenções de voto na nova pesquisa do Instituto Exatus, contratada pelo Grupo Agora RN — que edita os jornais Agora RN e O Correio de Hoje — e divulgada nesta terça-feira 21. No cenário estimulado, Allyson lidera com 41,78%, seguido por Álvaro, com 26,05%. O candidato governista, o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT), aparece em terceiro lugar, com 13,74%.

Para Anderson Santos, doutor em Ciências Sociais e professor do Instituto de Políticas Públicas da UFRN, a concentração das intenções de voto nos dois principais nomes da oposição reproduz o ambiente desfavorável enfrentado pelo governo estadual.
“O quadro é coerente com a atual taxa de aprovação do governo do RN. Os principais candidatos de oposição somam 68 pontos percentuais, o que corresponde à desaprovação do governo estadual”, afirmou Anderson. Na avaliação do professor, a tendência é que o eleitorado seja dividido, ao longo da campanha, conforme a opinião sobre a gestão de Fátima: aqueles que aprovam o governo poderão se aproximar de Cadu, enquanto os que rejeitam a administração estadual deverão escolher principalmente entre Allyson e Álvaro.
“É possível esperar que o candidato Cadu avance entre os eleitores que aprovam o governo Fátima, assim como é de se esperar que o eleitor que desaprova decida entre Allyson ou Álvaro Dias”, declarou. Nesse cenário, segundo Anderson, os dois oposicionistas deverão intensificar a disputa pelo eleitorado dos maiores colégios eleitorais, principalmente na Grande Natal. “Allyson e Álvaro buscam consolidar sua base de apoio nos maiores municípios do Estado, sobretudo da Região Metropolitana de Natal, justamente para conquistar esse eleitorado.”
Os números da Exatus mostram que os três principais candidatos cresceram desde a primeira rodada da série, realizada em abril. Allyson passou de 37,29% para 41,01% em maio e chegou agora a 41,78%, acumulando um avanço de aproximadamente 4,5 pontos percentuais. O crescimento mais expressivo ocorreu entre abril e maio, enquanto a variação mais recente, de 0,77 ponto, ficou dentro da margem de erro.
Álvaro apresentou uma trajetória diferente. O candidato do PL começou com 24,91% em abril, recuou para 22,75% no fim de maio e avançou para 26,05% em julho. O crescimento de 3,3 pontos percentuais entre as duas pesquisas mais recentes superou a margem de erro do levantamento. Na comparação entre abril e julho, a alta acumulada foi de 1,14 ponto.
Já Cadu manteve uma curva de crescimento nas três rodadas. O petista tinha 10,74% em abril, subiu para 12,61% em maio e alcançou 13,74% em julho. Embora as oscilações entre uma pesquisa e outra tenham ocorrido dentro da margem de erro, o movimento acumulado representa uma alta de 3 pontos percentuais desde o início da série.
Doutor em Ciência Política e também professor do Instituto de Políticas Públicas da UFRN, Alan Lacerda considera que a repetição do movimento na mesma direção permite identificar uma trajetória ascendente do candidato governista. “O crescimento do candidato Cadu Xavier ocorre dentro da margem de erro nas duas ocasiões, mas é um crescimento na mesma direção, então dá para dizer, sim, que ele cresceu. É o que a gente chama de uma curva ascendente”, analisou.
Anderson Santos associa esse avanço ao esforço realizado por Cadu para ampliar sua presença no interior e construir alianças com gestores municipais. “O crescimento do candidato Cadu Xavier provavelmente corresponde ao seu trabalho de interiorização de sua candidatura, obtendo apoio de dezenas de prefeitos, o que garante a ele maior visibilidade e a possibilidade de ampliar a sua taxa de conhecimento pelo eleitorado”, afirmou.
Apesar do crescimento, Cadu ainda está 12,31 pontos atrás de Álvaro e 28,04 pontos distante de Allyson. Na avaliação de Alan Lacerda, o principal obstáculo enfrentado pelo petista é justamente sua vinculação com uma administração estadual mal avaliada. Em contrapartida, a associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá ajudá-lo a reduzir a distância para o segundo colocado.
“Quem tem mais problemas é o candidato Cadu Xavier, porque é evidente que o governo Fátima está mal avaliado e ele vai ser associado a esse governo. Não tem muito para onde correr”, afirmou Lacerda. O professor acrescentou que Cadu “ainda pode, de repente, tentar chegar ao segundo lugar com a associação ao presidente Lula”, embora considere muito difícil que o petista alcance a primeira colocação.
Cenário aberto
A pesquisa também aponta uma redução significativa do grupo que rejeita todos os nomes apresentados. O percentual dos que responderam que não votariam em nenhum candidato caiu de 15,4% em abril para 11,5% em maio e 8,89% em julho. A diminuição acumulada de 6,5 pontos indica que parte do eleitorado começou a se distribuir entre os postulantes. Os indecisos, por sua vez, passaram de 9% para 10,4% e, depois, recuaram para 8,79%.
Mesmo com Allyson próximo da vitória em primeiro turno, os especialistas avaliam que o quadro ainda não está definitivamente consolidado. Considerando apenas os votos válidos, excluídos brancos, nulos e indecisos, o candidato do União Brasil aparece com 50,8%. Como o resultado está dentro da margem de erro, ainda não é possível afirmar que a eleição seria encerrada na primeira votação.
Lacerda observa que nenhum dos três principais candidatos já disputou uma eleição para governador ou senador e que o grau de conhecimento deles varia entre as diferentes regiões do Estado. Com o início oficial da campanha, o contato mais frequente com os discursos e propostas poderá produzir novas oscilações.
“Na medida em que a campanha começa, pode ser que o eleitor desgoste ou goste do discurso deles, e aí a gente vai ter novos movimentos na intenção de voto”, declarou.
Para Anderson Santos, o levantamento deve ser interpretado como o retrato de uma disputa que ainda entrará em sua fase decisiva. “A pesquisa pode ser entendida como um ponto de partida para a campanha eleitoral propriamente dita”, resumiu.
A pesquisa Exatus ouviu 1.500 eleitores em todas as regiões do Rio Grande do Norte entre 7 e 10 de julho. A margem de erro é de 2,53 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números RN-02620/2026 e BR-07763/2026.