Quando o empresário dos segmentos de água mineral e reciclagem Roberto Serquiz resolve falar, é bom ouvir. Na terceira edição do Programa Indústria Mais RN, Podcast quinzenal recém-lançado nas plataformas digitais pela Federação da Indústria do RN e ancorado pela jornalista Juliska Azevedo, ele fez algumas recomendações preciosas.
Entre elas, a importância e a urgência de aproveitar todo o potencial renovável do RN na energia eólica e solar, a primeira responsável pelo estado produzir e colocar no sistema nacional quase seis vezes em gigawatts ao que consome. Mais: ter consciência que o Rio Grande do Norte é um estado pequeno, porém, cheio de possibilidades em área sensíveis da economia, com a energia, especialmente no momento em que racionamentos e apagões rondam o noticiário.

Lembrou Serquiz que o País está saindo de uma pandemia e que é necessário correr, maximizar, agilizar, priorizar saídas simples para recuperar os prejuízos econômicos. Tipo: é para ontem. E, finalmente, tomar uma atitude coesa, compreendendo aí a representação política do Estado perante pautas da maior relevância, como a Reforma Tributária, que o empresário torce seja votada no Congresso ainda este ano.
Serquiz não é só um pragmático: há décadas seus alertas são pertinentes sobre desperdícios irreparáveis de políticas públicas inócuas quanto aos recursos jogados fora em investimentos de grande porte, quando muitas soluções no Brasil começam de questões básicas, como a reciclagem, a coleta seletiva e a separação do orgânico e do inorgânico, melhorando a vida dos catadores. Ou, como ele mesmo define: deixar de lado a angústia por grandes e ambiciosos projetos públicos e privados quando o simples funciona melhor e é mais barato.
Há 30 anos, Serquiz está na luta, participando da Federação das Indústrias, do Sindicato das Águas Minerais e Bebidas em Geral do RN e, finalmente, da Comissão Temática de Meio Ambiente da Fiern. Sobre o custo Brasil, ele não tem dúvida: o primeiríssimo passo para equacioná-lo será retomar uma Reforma Tributária que simplifique todo o processo sem aumentar impostos. E, é claro, a Administrativa que coíba os excessos de benefícios gerados ao longo da história e que contribuiu para fazer do Estado brasileiro um paquiderme.
“Tem a questão das energias renováveis e a cuidar da burocracia para reduzir o custo Brasil e dar fôlego ao empreendedor”, acrescenta. Para o empresário, no RN a questão tributária exige diálogo aberto, inclusive quando isso mexe na alíquota do Imposto de Renda. Mas isso só será possível se a bancada potiguar no Congresso “trabalhar pelo equilíbrio, sem renunciar a nenhum avanço, evitando vaidades e trabalhando junto”. Sem isso, fica difícil.
Para Roberto Serquiz, “o empreendedor tem superação e confiança. A pandemia impactou uns setores mais e outros menos. Mas as notas fiscais de consumo de energia no RN estão sendo geradas e pagas pela força dos empreendedores e empreendedoras e de seus investimentos”. Sobre a preservação dos mananciais potiguares, o empresário lembra aspectos de um estudo setorial iniciado em 2008 e recém atualizado, que infelizmente mostram inobservâncias sobre áreas de proteção a partir da construção de condomínios com mata ciliar presente.
Como se sabe, as matas ciliares são um tipo de vegetação que margeia os cursos de água, como rios, lagos, riachos e córregos, decisivos para a proteção dos mananciais. “Não houve impacto sério por enquanto, mas isso deve ser ajustado”, alerta Serquiz. “Entramos nisso a partir da exigência legal e muito justa da validade dos vasilhames de água mineral, de sua reciclagem e percebemos a relevância econômica de tudo que estava envolvido”, afirma.
Hoje, o RN produz ao redor de 2.700 toneladas de lixo por dia de grande valor. “É preciso que essa indústria chegue de uma vez aos aterros e lixões. Afinal, há 11 anos existe a lei sobre os resíduos, mas a política não consegue ser implementada”, lamenta.