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Economia

Déficit nominal chega a 9,99% do PIB

Resultado acumulado em 12 meses equivale a 9,99% do PIB, enquanto dívida bruta alcança R$ 10,8 trilhões
Por O Correio de Hoje
03/08/2026 | 17:52

O déficit nominal do setor público consolidado chegou a R$ 1,31 trilhão no acumulado de 12 meses até junho de 2026, equivalente a 9,99% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual é o maior desde abril de 2021, quando as contas públicas ainda refletiam os gastos relacionados à pandemia de covid-19, segundo levantamento da Reuters com base nos dados do Banco Central (BC).

O resultado nominal inclui o saldo primário e os gastos com juros. Em maio, o déficit correspondia a 9,61% do PIB. A elevação de 0,38 ponto percentual em junho foi provocada principalmente pelo aumento das despesas financeiras, em um ambiente de juros elevados e crescimento da dívida pública.

Déficit nominal do setor público chega a R$ 1,31 trilhão em 12 meses, enquanto dívida bruta alcança R$ 10,8 trilhões
Porto de Santos, em São Paulo, é o principal corredor de escoamento da produção que sai e entra no Brasil Foto: Divulgação

Somente em junho, o déficit nominal somou R$ 166 bilhões, acima dos R$ 133,2 bilhões esperados por economistas consultados pela Reuters. O valor resulta do déficit primário de R$ 55,3 bilhões, somado a R$ 110,7 bilhões em juros nominais.

As despesas com juros aumentaram 81,5% em relação a junho de 2025, quando haviam somado R$ 61 bilhões. A alta também foi influenciada pelo resultado das operações de swap cambial do Banco Central: houve ganho de R$ 20,9 bilhões em junho do ano passado e perda de R$ 9,3 bilhões no mesmo mês deste ano.

Os swaps são contratos utilizados pelo BC para oferecer proteção contra oscilações do câmbio. Como os resultados dessas operações integram as despesas de juros do setor público, ganhos reduzem a conta financeira, enquanto perdas elevam o valor registrado.

Em 12 meses, os juros nominais alcançaram R$ 1,16 trilhão, ou 8,80% do PIB. No período encerrado em junho de 2025, o montante era de R$ 912,3 bilhões, correspondente a 7,41% do PIB. Dessa forma, os juros responderam pela maior parte do déficit nominal acumulado.

O patamar brasileiro supera a média projetada pelo Fundo Monetário Internacional para o déficit nominal de economias emergentes e de renda média, próxima de 6% do PIB em 2026.

O déficit primário de R$ 55,3 bilhões ficou acima dos R$ 47,1 bilhões registrados em junho de 2025 e também superou a projeção de R$ 49,8 bilhões levantada pela Reuters. O resultado primário considera receitas e despesas antes da contabilização dos juros da dívida.

O Governo Central, composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, apresentou déficit de R$ 47,2 bilhões. Os governos estaduais e municipais tiveram resultado negativo de R$ 6,6 bilhões, enquanto as empresas estatais registraram déficit de R$ 1,5 bilhão.

Em 12 meses, o déficit primário acumulado chegou a R$ 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do PIB. O percentual aumentou 0,06 ponto diante do resultado registrado até maio. Os números estão no relatório de Estatísticas Fiscais do Banco Central.

A Dívida Bruta do Governo Geral, indicador usado nas comparações internacionais, subiu 0,9 ponto percentual em junho e alcançou 81,9% do PIB, ou R$ 10,8 trilhões. A taxa ficou acima da mediana de 81,5% prevista por analistas.

O aumento mensal decorreu da incorporação de juros, com impacto de 0,8 ponto do PIB, e das emissões líquidas de títulos, que acrescentaram 0,6 ponto. O crescimento do PIB nominal reduziu a proporção da dívida em 0,5 ponto.

No acumulado de 2026, a dívida bruta avançou 3,3 pontos percentuais. Os juros adicionaram 4,9 pontos, enquanto as emissões líquidas contribuíram com 1,3 ponto. Em sentido contrário, o crescimento do PIB nominal retirou 2,7 pontos e a valorização cambial reduziu outros 0,2 ponto.

Desde janeiro de 2023, a dívida bruta aumentou 10,2 pontos percentuais do PIB. A trajetória amplia o custo de financiamento do governo e alimenta as dúvidas do mercado sobre a capacidade de estabilização do endividamento nos próximos anos.

A Dívida Líquida do Setor Público avançou 0,6 ponto no mês, para 68,5% do PIB, ou R$ 9 trilhões. O indicador desconta ativos públicos, como as reservas internacionais, do total de obrigações.

Os juros elevaram a dívida líquida em 0,8 ponto do PIB, enquanto o déficit primário acrescentou 0,4 ponto. A desvalorização cambial de 2,4% no mês reduziu a relação em 0,2 ponto, porque aumenta, em reais, o valor das reservas internacionais. O crescimento nominal do PIB retirou outros 0,4 ponto.

No ano, a dívida líquida acumulou alta de 3,2 pontos percentuais do PIB. Com o déficit nominal próximo de 10% do PIB e as despesas financeiras acima de R$ 1 trilhão, a evolução do endividamento dependerá da redução dos juros, do crescimento econômico e da capacidade do setor público de melhorar o resultado primário.