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Eleições

PL confirma Michelle Bolsonaro como candidata ao Senado

Ex-primeira-dama não participa de evento por causa de internação após crise de cefaleia; Flávio Bolsonaro esteve no ato e pediu votos para a madrasta
Por O Correio de Hoje
03/08/2026 | 16:38

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi confirmada neste domingo como candidata ao Senado pelo PL do Distrito Federal, mas não participou da convenção partidária realizada em um parque de Brasília. O encontro era aguardado por representar a primeira aparição pública dela ao lado do enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após as divergências entre ambos virem à tona.

Além da candidatura de Michelle, o PL oficializou a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) na disputa pela segunda vaga ao Senado e declarou apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP). Candidato do partido à Presidência da República, Flávio compareceu ao evento acompanhado da mulher, a dentista Fernanda Bolsonaro.

Convenção PL foto Beto Barata PL
Convenção do PL no Distrito Federal que confirmou candidatura de Michelle - Foto: Beto Barata / PL

Michelle havia sido internada no sábado em razão de uma crise de cefaleia. De acordo com boletim médico divulgado no fim da tarde de domingo, quando a convenção já estava em andamento, ela foi submetida a um procedimento de bloqueio anestésico dos nervos cranianos e pericranianos. A previsão era de alta ainda no mesmo dia, mas aliados atribuíram a ausência aos efeitos dos medicamentos, que teriam provocado sonolência.

“A Assessoria de Comunicação de Michelle Bolsonaro informa que ela continua hospitalizada e que, devido à persistência do quadro de cefaleia, hoje foi realizado procedimento de bloqueio anestésico dos nervos cranianos e pericranianos”, informou o comunicado publicado nas redes sociais da ex-primeira-dama.

Durante o ato, Flávio desejou a recuperação da madrasta e comparou o tratamento ao realizado recentemente por sua filha. “Quero desejar melhoras para Michelle, que ela se recupere rápido. Há pouco tempo nossa filha também teve essas enxaquecas fortes e fez o mesmo tratamento”, afirmou.

A expectativa em torno do encontro aumentou após Michelle demonstrar resistência em disputar a eleição. Em vídeo divulgado no fim de junho, ela afirmou ter sido “maltratada e desrespeitada” por Flávio durante uma crise provocada pela montagem do palanque do PL no Ceará.

O conflito ocorreu porque o senador e a cúpula da legenda decidiram apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo cearense, enquanto Michelle se posicionou contra a aliança. O episódio expôs publicamente as diferenças entre os dois e passou a ser visto como um risco para a campanha presidencial de Flávio, sobretudo entre o eleitorado feminino.

Há dez dias, o senador divulgou um vídeo no qual pediu desculpas à madrasta. Michelle respondeu também por meio de uma gravação, disse que o perdoava e aceitou o pedido. Apesar da trégua pública, os dois ainda não se encontraram pessoalmente desde o episódio, e a convenção deste domingo era apontada como a oportunidade para selar a reconciliação.

Mesmo ausente, Michelle enviou uma carta, lida no palco por seu irmão Diego Torres, escolhido para ocupar uma das suplências de sua chapa. No texto, a ex-primeira-dama manifestou apoio à candidatura presidencial do enteado e defendeu a unidade do grupo político.

“O meu marido (Jair Bolsonaro) escolheu Flávio para estar à frente dessa multidão e nós vamos caminhar juntos e a passos largos para impedir que o mal seja audacioso e continue a castigar nosso povo. Nós queremos um Brasil pacificado e vamos trabalhar para isso”, afirmava a carta.

Em seu discurso, Flávio pediu votos para Michelle e Bia Kicis e relacionou a eleição das duas ao fortalecimento da bancada do partido no Senado. O presidenciável também atacou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a defender anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e pediu a libertação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Daqui a pouco ela (Michelle) vai estar lá de volta, firme e forte, para nos ajudar a resgatar esse Brasil, junto com a Bia, nossa senadora. Eu peço para colocarem elas lá no Senado, para nos ajudar no Congresso Nacional a resgatar a nossa democracia”, declarou.

Na sequência, afirmou que, “com um Senado forte”, o grupo fará “com que os ministros do Supremo voltem a respeitar a Constituição Federal”. “Nós vamos fazer uma anistia ampla, geral e irrestrita aos perseguidos do 8 de janeiro. E vamos ver aqui em Brasília, muito em breve, em nome de Jesus, Jair Messias Bolsonaro livre”, acrescentou.

O candidato do PL à Presidência também apresentou propostas dirigidas às mulheres, com medidas nas áreas de empreendedorismo e segurança.