Uma criança de apenas 2 anos foi esquecida dentro de um ônibus escolar por cerca de quatro horas na comunidade rural de Laranjeira do Abdias, em São José de Mipibu, na Grande Natal. O caso aconteceu após a menina ser levada para a creche no transporte escolar da região.
Segundo relato da mãe, Silvana, a filha foi deixada na parada por volta das 6h40 para seguir até a unidade de ensino. No entanto, a criança não desceu do veículo e permaneceu sozinha dentro do ônibus até aproximadamente 10h40, quando o motorista retornou para buscar outras crianças e encontrou a menina no fundo do transporte.

De acordo com a mãe, a professora da creche entrou em contato perguntando se ela poderia comparecer à unidade. “A professora dela ligou para mim e perguntou se tinha como eu descer pra creche. Aí eu disse que não tinha como, porque eu moro distante. Depois ela perguntou se, mandando um mototáxi, eu iria”, contou, em entrevista à TV Tropical.
Silvana disse que passou mal ao receber a notícia. “Quando eu cheguei na creche, ela disse: ‘Silvana, não sei como vou contar isso para você’. Na hora eu perguntei o que tinha acontecido com minha filha. Quando ela falou, eu desmaiei”, relatou.
Segundo a mãe, a menina foi encontrada assustada, com sinais de fome e sede. “O lábiozinho dela estava ressecado, o rostinho vermelho”, afirmou. Ainda de acordo com Silvana, a filha contou que tentou pedir ajuda enquanto estava presa dentro do veículo.
“Ela disse: ‘Mamãe, eu pedi tanto socorro, chamei tanto a senhora, mas a senhora não me escutou. Eu dizia: mamãe, me ajuda, eu estou presa dentro do ônibus’”, relatou emocionada. A mãe contou ainda que dentro da lancheira da criança havia apenas uma laranja.
Após o episódio, a menina passou a demonstrar medo de voltar a utilizar o transporte escolar. “Ela disse: ‘Mamãe, eu quero ir para o colégio, mas não quero ir no ônibus porque tenho medo de ficar presa’”, afirmou Silvana. Segundo relatos apresentados durante a reportagem, o transporte escolar não contava com monitor, sendo conduzido apenas pelo motorista. A família cobra esclarecimentos sobre o caso.