O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou nesta quarta-feira que a inteligência artificial representa um dos principais desafios das eleições de 2026. Em evento promovido pela Seta Public Affairs, o ministro disse que a principal ameaça ao pleito é a “mentira tecnicamente otimizada”, produzida com uso de IA para manipular eleitores.
Segundo Kassio, a Justiça Eleitoral atuará com “serenidade, firmeza e responsabilidade” no combate à desinformação, sem abrir mão da proporcionalidade. “A democracia exige confiança”, afirmou, acrescentando que a tecnologia deve servir “à cidadania e não à manipulação”.

O ministro destacou que a inteligência artificial já interfere na circulação de informações e na construção de narrativas políticas. Para ele, o debate agora envolve regras, transparência e controle sobre o uso dessas ferramentas. “Se a resposta for omissa ou capturada por interesses privados, ela poderá comprometer a confiança no sistema”, declarou.
Kassio participou do encontro ao lado do vice-presidente do TSE, André Mendonça. Durante o evento, especialistas apresentaram dados sobre o aumento da desinformação produzida com IA no Brasil e alertaram para o uso em larga escala de inteligência artificial generativa nas eleições deste ano.
O presidente do TSE afirmou que a Corte vem se preparando para enfrentar os impactos da tecnologia no processo eleitoral e citou resoluções aprovadas para combater o uso de IA em campanhas de desinformação.
Segundo ele, o problema não está apenas no conteúdo falso, mas na velocidade e no alcance das publicações. Kassio exemplificou que uma deepfake divulgada na véspera do segundo turno pode atingir milhões de pessoas antes de qualquer decisão judicial.
O ministro também alertou para o uso de dados e vulnerabilidades emocionais dos eleitores em estratégias de manipulação digital. Defendeu ainda que o combate à desinformação vá além da remoção de conteúdos, incluindo prevenção, rastreabilidade, educação digital e responsabilização dos envolvidos.
Para Kassio, o enfrentamento do problema exige atuação conjunta entre Justiça Eleitoral, plataformas digitais, universidades, imprensa, partidos e sociedade civil. “Nenhum ator isoladamente será capaz de enfrentar os riscos produzidos por tecnologias que operam em escala global”, afirmou.