A morte da menina Pétala Yonah, que foi assassinada pelo ex-padrasto, completou um mês e a mãe da criança, Erivânia Bernardo da Silva, voltou a pedir justiça e relembrou os momentos que antecederam o crime. A criança desapareceu no dia 19 de abril e seu corpo foi localizado em uma cova rasa no quintal da casa de José Alves Teixeira Sobrinho, de 24 anos, no bairro Planalto, na zona Oeste de Natal. Ele segue preso.
A mãe afirmou, em entrevista à TV Ponta Negra, que não imaginava que a filha estava próxima do suspeito enquanto ele tentava desviar sua atenção. “Como é que ia passar na minha cabeça que a minha filha estava bem perto de mim e ele tentando tirar o meu foco? Ele abraçou a minha mãe e perguntou como é que ela estava. Ele tentou me abraçar e eu não quis”.

Segundo o depoimento do suspeito em uma audiência de custódia, existia um plano para sequestrar a criança durante a madrugada. Ele afirmou que entraria na residência enquanto as crianças dormiam e que teria ajuda da mãe de Pétala para facilitar o acesso ao imóvel.
“Invadia a casa de madrugada, ela facilitava a porta aberta, eu ia até o quarto onde as crianças juntas dormiam e eu simplesmente focava na Pétala”, afirmou José Alves.
As investigações, porém, descartam a participação da mãe da menina no crime. De acordo com os investigadores, não há elementos que sustentem a versão apresentada pelo suspeito, que teria mudado o relato diversas vezes desde o início da apuração.
“Não há elementos que apontem a participação da ex-mulher, não há elementos da mãe da menina, não há elementos nenhum, só que ele muda a versão algumas vezes e ele veio fazendo isso desde o início das investigações”, afirmou o delegado Márcio Lemos, da Divisão de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Ainda segundo a investigação, o crime teria sido motivado pelo desejo de atingir emocionalmente familiares da vítima. O caso foi enquadrado como violência vicária, modalidade em que o agressor utiliza pessoas próximas da vítima, especialmente crianças, para provocar sofrimento psicológico em alguém com quem mantém ou manteve relação afetiva.
“Como ele agiu com o objetivo de atingir, causar um mal maior, uma punição àquela pessoa da família, que ele tinha uma relação, por isso que foi enquadrado com o vicarícidio, que é uma tipificação nova”, explicou Márcio.
Caso Pétala
José Alves Teixeira Sobrinho foi preso no dia 20 de abril após confessar ter assassinado a menina Pétala Yonah, de 7 anos, e enterrado o corpo no quintal de casa, na Rua Monte Celeste, no conjunto Leningrado, bairro Planalto, Zona Oeste de Natal.
Durante as investigações sobre o desaparecimento da criança, a polícia chegou ao suspeito, que confessou o crime durante abordagem. A mãe da vítima havia se separado dele em dezembro do ano passado. Segundo familiares, a menina brincava com primos na tarde do dia anterior quando desapareceu. A mãe relatou que os três filhos tinham boa relação com o ex-companheiro, que, após a separação, chegou a invadir a residência por não aceitar o fim do relacionamento.
Em depoimento à Polícia Civil do Rio Grande do Norte, o suspeito afirmou que planejou inicialmente um sequestro para atingir a mãe da vítima. Ele citou objetos que teriam sido utilizados, como alicate, máscara, balaclava e spray de pimenta. No dia 22 de abril, a polícia informou que o crime foi premeditado e que o suspeito fez anotações em um caderno. Segundo o delegado Márcio Silva Lemos, da Divisão de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), o homem agiu sozinho. Durante as diligências, foram apreendidos um caderno com anotações relacionadas ao crime e dois celulares, sendo um deles encontrado no lixo.