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Prisão

Investigação aponta que Deolane abriu 35 empresas em endereço de casa popular no interior de SP

Influenciadora foi presa em operação que apura lavagem de dinheiro para o PCC; defesa fala em perseguição e nega crimes
Redação
21/05/2026 | 14:52

A investigação que levou à prisão da influenciadora Deolane Bezerra revelou que ela abriu 35 empresas registradas em um mesmo endereço na cidade de Martinópolis, no interior paulista. Segundo a polícia, no local funcionava uma casa popular.

De acordo com os investigadores, a concentração de dezenas de empresas em um único endereço não configura crime automaticamente, mas pode indicar possível esquema de ocultação e circulação de recursos ilícitos.

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Deolane Bezerra foi presa em operação que investiga lavagem de dinheiro e movimentações financeiras ligadas ao PCC Foto: Reprodução/Instagram

Além dos registros em Martinópolis, Deolane também mantinha empresas em outras cidades do interior de São Paulo, como Santo Anastácio e Ribeirão Preto.

A prisão da influenciadora ocorreu nesta quinta-feira 21, durante a operação Integration, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital. Segundo a Polícia Civil, o esquema utilizava empresas de diversos setores para movimentar recursos provenientes de atividades criminosas.

O promotor Lincoln Gakiya afirmou que o caso evidencia o que chamou de “pejotização do crime organizado”, defendendo um controle mais rígido na abertura de empresas e cruzamento de dados cadastrais.

Investigadores apontam que o volume de empresas usadas pela organização formava “um oceano de lavagem de dinheiro”, dificultando o rastreamento da origem dos valores movimentados.

Segundo a apuração, Deolane recebeu repasses financeiros de uma transportadora apontada como peça central do esquema. A polícia afirma não ter encontrado registros de prestação de serviços que justificassem os pagamentos feitos à influenciadora.

As autoridades afirmam ainda que a popularidade de Deolane nas redes sociais dificultava a identificação da origem dos recursos, já que os valores supostamente ilícitos se misturavam com rendimentos obtidos em publicidade e contratos comerciais.

A defesa da influenciadora informou que ainda não teve acesso ao processo, que corre sob segredo de Justiça. Nas redes sociais, Deolane afirmou ser vítima de perseguição e negou envolvimento em crimes.

A operação cumpriu 19 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão em estados como Pernambuco, São Paulo, Paraná, Goiás e Paraíba. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 2,1 bilhões em ativos financeiros, além da apreensão de carros de luxo, imóveis, aeronaves e embarcações.