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Meio Ambiente

Congresso derruba vetos de Lula ao licenciamento ambiental, e Marina fala em judicialização

Com a derrubada dos vetos, Congresso restaura pontos polêmicos do marco ambiental e flexibiliza regras de licenciamento, proteção de biomas e participação de comunidades tradicionais
Redação
28/11/2025 | 11:39

O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira 27, 52 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, restabelecendo trechos que flexibilizam o processo de autorização para obras e empreendimentos no país. A decisão, duramente criticada por especialistas e ambientalistas, gerou reação imediata da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que classificou o movimento como uma “demolição” das ferramentas de proteção ambiental.

Em entrevista ao programa “Bom dia, Ministra”, nesta sexta-feira 28, Marina afirmou que a medida ampliará riscos de tragédias ambientais.
“É uma verdadeira demolição do licenciamento ambiental brasileiro. Todas as tragédias evitadas não têm como ser contabilizadas, mas a partir de agora, com essa demolição, elas serão potencializadas”, disse.

Marina SIlva
A Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, participa do programa Bom Dia, Ministra. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Governo sofre derrota apesar de mobilização

O Planalto tentou reverter o cenário até os últimos instantes, com articulação política, nota oficial e campanha nas redes sociais. Ainda assim, foi derrotado com ampla margem: 295 votos a 167 na Câmara e 52 a 15 no Senado.
A pressão para a derrubada dos vetos foi liderada pela bancada do agronegócio e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Enquanto parlamentares do agro defendem que as mudanças agilizam obras e reduzem burocracias consideradas excessivas, entidades ambientais reafirmam que a flexibilização enfraquece controles essenciais e abre caminho para impactos de difícil reversão.

O que volta a valer com a derrubada dos vetos

Licenciamento por Adesão e Compromisso (LAC)
Retoma a possibilidade de atividades de pequeno e médio porte — incluindo algumas classificadas pelo governo como de “risco relevante” — obterem licença ambiental por autodeclaração, sem necessidade de estudos mais aprofundados.

Dispensa de licença ambiental para obras de saneamento
A flexibilização vale enquanto não forem alcançadas as metas de universalização de abastecimento de água e tratamento de esgoto.

Dispensa de licença para manutenção de rodovias
Atividades de manutenção passam a não exigir licenciamento ambiental.

Liberação de atividades rurais em áreas ainda não regularizadas no CAR
Permite que atividades rurais continuem mesmo sem a conclusão do Cadastro Ambiental Rural.

Restrição à consulta de povos indígenas e quilombolas
A consulta passa a ser obrigatória apenas para áreas já homologadas ou tituladas, reduzindo a participação de comunidades potencialmente afetadas.

Redução das proteções à Mata Atlântica
Flexibiliza autorizações para intervenções em áreas primárias e secundárias do bioma, diminuindo o nível de proteção ambiental.

Veto mais polêmico ainda será analisado

Ficou para a próxima semana a votação do veto ao Licenciamento Ambiental Especial (LAE), modalidade que permitiria liberação de grandes obras em uma única etapa, independentemente do impacto ambiental. O mecanismo é considerado crítico pelo governo e apoiado por parlamentares do agronegócio.

Marina cogita judicialização

Marina Silva afirmou que o governo avalia questionar a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo ela, as mudanças podem violar o artigo 225 da Constituição, que trata do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

“Estamos considerando fortemente a judicialização, porque é inconstitucional passar por cima da proteção ambiental. Com essa demolição não há como lutar por um ambiente saudável”, declarou.

Contexto

O Congresso aprovou o novo marco do licenciamento ambiental em julho. Em agosto, Lula sancionou a lei, mas vetou 63 trechos considerados problemáticos — embora o sistema do Legislativo registre 59.
A votação dos vetos foi adiada em outubro para evitar desgaste político durante a COP30, realizada em Belém (PA), mas a mobilização do governo não impediu a derrota desta quinta-feira.