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Confira a coluna “Desenrolando a Língua” de quarta-feira 13

13/01/2021 | 06:54

ABUSO DE VERBOS TERMINADOS EM -IZAR

Basta abrirmos as páginas de jornais para encontrarmos um festival de verbos terminados em “-izar”. É um dos modismos linguísticos mais atuais nesta terra. “Entenda como contabilizar perda de estoque em supermercados”, diz a manchete de um; “A estância passa a contabilizar nove óbitos desde o início da pandemia no Estado de São Paulo”, diz a notícia de outro.

Boa parte dos verbos terminados em –izar contem a ideia de movimento, mas a maioria deles pode ser substituída por opções melhores em –ar ou –ear. Mas a moda é usar o “-izar”. Vejamos: “A loja quer fidelizar clientes”; “A empresa pretende integralizar a equipe”. Seria mais simples se a loja conquistasse clientes e se a empresa completasse a equipe.

NENHUM

Algumas considerações rápidas sobre o “nenhum”. É importante não confundir com “nem um” (nem um sequer, nem um ao menos). Veja a diferença: “Nenhum atleta da NBA sofreu tanto com a covid-19 como Karl-Anthony Towns”. “Estava tão debilitado que não conseguiu nem um ponto na partida”. O termo “nenhum” não pode ser substituído por “qualquer”, depois de negativas. “Não tem nenhum (e não qualquer) jogador suspenso”; “Não viu nenhum (e não qualquer) risco”; “Nunca promoveu nenhuma (e não qualquer) confusão”. “Nenhum” exige o verbo no singular: “Nenhum dos alunos foi aprovado”.

O “DE” EM EXCESSO

Não é raro encontrarmos filas de “de”, que costumam ser usadas para construir sujeitos intermináveis que dificultam a leitura. Este é um problema na redação que pode ser evitado. Vejamos esta frase: “O atendimento da grande maioria dos postos de saúde do Brasil é precário”. Diminuir a fila – afinal ninguém gosta delas mesmo – é fácil: basta procurar o verdadeiro sujeito da frase e usar verbo de ação. Assim: “A grande maioria dos postos de saúde atende precariamente no Brasil”. Quem escreve como da forma original não deixa o texto claro.

SOB PRESSÃO

“Enem 2020: sob pressão, Inep mantém exame neste mês e preocupa famílias de candidatos.” A frase em destaque faz uso da preposição “sob”, que, por vezes, é confundida com outra preposição “sobre”. Na verdade, os vocábulos se opõem, em determinadas situações, quanto ao sentido. Por isso, é sempre bom relembrar o significado de cada uma delas, a fim de acertarmos na escolha. “Sob” pode significar “debaixo de”; “ao abrigo de”; “debaixo de autoridade de”; “no tempo de”. Dessa forma, podemos dizer que houve correção por parte do redator. Já “sobre” significa “na parte superior de”; “em posição superior e distante”; “pe la superfície de; “do lado ou para o lado de”; “em seguida”; “acerca de, a respeito de, em relação a”.

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