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Opinião
Confira a coluna de Alex Viana desta terça-feira, 6
Álvaro Dias dribla candidatos na corrida eleitoral
Alex Viana
06/10/2020 | 05:52

PELEZADA

O prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), é um verdadeiro pelé. E a campanha eleitoral deste ano está começando a deixar isso bem claro para quem não o conhecia.

CAMPANHA INVIÁVEL

Depois de driblar 13 adversários de uma vez só, ao fugir do primeiro debate na TV, na semana passada – avisando só de última hora que não iria –, ontem, Álvaro superou todas as expectativas ao tentar inviabilizar totalmente a campanha eleitoral em Natal.

CONTRADIÇÕES

Numa canetada só, através de decreto municipal, Álvaro proibiu carreatas, caminhadas, comícios e qualquer tipo de aglomeração de rua. Em tese, seria uma boa medida para precaver a cidade contra a disseminação da Covid-19. No entanto, a medida é contraditória.

INCOERÊNCIA

Afinal, como pode um prefeito que diz que a cidade venceu a Covid-19, que liberou o funcionamento do comércio e dos shoppings centers, decretar que não pode haver caminhadas de rua durante a campanha eleitoral, com as estatísticas apontando para a diminuição do número de contaminados?

INTENÇÃO

Está claro, até para incautos, que a intenção de Álvaro é justamente impedir que seus adversários façam campanha contra ele, evitando que o critiquem, o contestem e o questionem, e que cresçam junto ao eleitorado, ameaçando sua reeleição.

ERRO

O eleitor de Natal, porém, não costuma ser complacente com erros políticos. Da mesma maneira que se deixam levar na construção de lideranças, as desconstroem por vontade própria. “Em Natal, o cidadão é inteligente e muito liberto”, bem o sabem políticos experientes, com vitórias e derrotas no currículo.

SEM LIMITE

Álvaro naturalmente passou do limite. Extrapolou o desejo de tornar-se candidato imbatível, só que pela via do abuso administrativo. O decreto, tal como posto, beneficia eleitoralmente única e exclusivamente a sua candidatura. Por liderar com folga as pesquisas, é a ele que interessa o status quo eleitoral.

ANTIDEMOCRÁTICO

No entanto, o prefeito “forasteiro” que chegou à prefeitura por vias inimagináveis e que tornou viável sua reeleição em razão de uma imagem construída antes da pandemia e consolidada durante e após ela, comete, no início da campanha reeleitoral, “um crime contra a democracia”.

IMPETUOSO

Álvaro teve atuação destemida durante a pandemia como prefeito de Natal. Postura essa muitas vezes contraditória por ser mais populista que prudente, em vista de ter adotado medidas sem comprovação científica, como a doação em massa de ivermectina, gerando repercussão positiva ao seu nome junto à população. Mas nada disso se compara à audaciosa tentativa de inviabilizar o debate de uma campanha eleitoral.

ALTERNATIVAS

Adversários de Álvaro passaram o dia de ontem reunidos, discutindo estratégias para reagir ao decreto que proíbe reuniões de rua. Entre as possibilidades, analisa-se o enfrentamento, descumprindo-o, ou um recurso judicial para derrubá-lo.

PESOS E MEDIDAS

Ao comentar o decreto que proíbe reuniões eleitorais em Natal, um político da capital indagava ontem o que seria da governadora Fátima Bezerra (PT) caso ela fosse a autora de tal medida, quando de sua candidatura à reeleição, daqui a dois anos. “Imagine o que a pobre não iria sofrer”.

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