A obra de engorda de Ponta Negra, em Natal, enfrenta críticas de comerciantes e trabalhadores após as chuvas que atingiram a cidade na madrugada desta segunda-feira 13. O acúmulo de água na área formou uma lagoa, evidenciando o que comerciantes apontam como falhas de planejamento ou execução do projeto, que segue sob decisões judiciais e, segundo eles, sem fiscalização adequada do IDEMA e do IBAMA.
José Antônio, dono de uma barraca na praia, relatou os prejuízos diretos causados pelo alagamento. “Cheguei hoje de manhã e tinha mais de um metro de água, cobrindo mercadorias, guarda-sóis e cadeiras. A gente avisou que, antes da engorda, era preciso instalar caixas de esgoto ou criar um sistema para a água escoar para o mar, mas nada foi feito. Agora estamos trabalhando na lama”, desabafou.

Outro comerciante, Jefferson Inácio, também criticou a falta de estrutura para lidar com as chuvas. “Essa água é de chuva mesmo, não tem pra onde escoar. Antes da engorda, ela corria direto para o mar, mas agora fica acumulada aqui. É urgente encontrar uma solução, porque, se chover mais, isso vai continuar acontecendo.”
Julio Domingos, que também atua na região, adotou um tom mais ponderado, mas reconheceu os problemas. “Houve o alagamento, mas não é tão grave quanto mostraram nos vídeos. A prefeitura já veio aqui, tirou fotos e está preocupada em tomar providências. É uma obra importante para o turismo, mas sabemos que ajustes são necessários.”
Já Patrícia Porsche, proprietária do restaurante Branco Beach, foi mais incisiva em sua crítica. “Isso é um caos para a nossa praia, que antes era maravilhosa. Pensaram em engordar, mas não em cuidar. Agora temos uma alta temporada perdida, com mercadorias paradas e uma praia inacessível. Pagamos impostos altos e recebemos isso em troca. Peço ao IBAMA que não nos abandone”, declarou.
Os relatos reforçam a necessidade de ações imediatas para corrigir os problemas de drenagem e planejamento na obra, considerando os impactos econômicos e ambientais na região. A prefeitura informou que já iniciou visitas ao local para avaliar a situação e buscar soluções adequadas.
Ligação indevida na drenagem causou problema
De acordo com Thiago Mesquita, titular da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), o problema aconteceu porque houve uma conexão indevida entre duas caixas dissipadoras de água pluvial que foram construídas na praia junto com a engorda. Trata-se de um erro de execução por parte da empresa contratada para a obra.
Em condições normais, o volume de água deveria ter sido direcionado para a caixa 9, que suporta uma carga maior. De lá, a água segue para ser infiltrada na areia. Mas, com a ligação indevida, a água seguiu para a caixa 8, que não tem a mesma capacidade. Com isso, a água transbordou.
Segundo o secretário, o problema será solucionado pelo Consórcio DTA/AJM, que que executa os serviços. O conserto consiste em desfazer a ligação indevida que existe entre os pontos 8 e 9.
“O prefeito Paulinho Freire chamou toda a empresa, chamou os secretários e autorizou que a empresa, com equipe específica e exclusiva, resolva esse problema de conexão e sobrecarga hidráulica no ponto 8”, afirmou Thiago Mesquita, acrescentando que a empresa vai trabalhar 24 horas por dia para solucionar o problema.
Enquanto o problema não for resolvido, novos alagamentos podem ocorrer se chover novamente.
“A equipe de engenharia está fazendo a avaliação, para entender se vai ter que desmanchar boa parte do sistema de drenagem ou apenas uma pequena parte desse sistema. Enquanto não for resolvido esse problema de conexão, a carga hidráulica que tem a capacidade de suporte no ponto 9, mas não tem no ponto 8, vai acabar aflorando no ponto 8 e aí a gente terá um problema”, acrescentou.
Paulinho faz reunião de emergência com secretários
O prefeito Paulinho Freire (União Brasil) convocou na manhã desta segunda-feira 13 uma reunião de emergência com parte do secretariado para discutir os impactos da chuva na cidade. Na ocasião, foi deflagrada a “Operação Chuva”.
Em publicação nas redes sociais, o prefeito disse que o encontro foi para “acompanhamento das ações que estão sendo realizadas para o enfrentamento dos impactos das chuvas na nossa cidade”.
Participaram da reunião, entre outros auxiliares, os secretários Sérgio Freire (Governo), Thiago Mesquita (Meio Ambiente e Urbanismo), Shirley Cavalcanti (Infraestrutura), Felipe Alves (Serviços Urbanos), Nina Souza (Trabalho e Assistência Social), Aldo Fernandes (Educação), Vagner Araujo (Planejamento), Brenno Queiroga (Planejamento) e Leidimar Murr (Saúde).
Engorda de Ponta Negra
A obra de engorda de Ponta Negra, em Natal, está com 92% de conclusão, de acordo com vídeo divulgado pelo ex-prefeito Álvaro Dias em suas redes sociais nesta segunda-feira 13. Com uma extensão total de 4,05 km, a obra promete transformar a paisagem e oferecer mais segurança à região, além de fortalecer o turismo local. A conclusão está prevista para o fim de janeiro de 2025.
A engorda de Ponta Negra tem como objetivo a proteção da infraestrutura da região e a ampliação da faixa de areia, promovendo mais conforto para os turistas e melhorando as condições de lazer e atividades econômicas no local.
Chuvas em Natal
As chuvas que caíram sobre Natal ao longo da madrugada desta segunda-feira 13 causaram diversos transtornos aos moradores da capital potiguar, incluindo pontos de alagamento pela cidade. Na Zona Norte, na rua Nossa Senhora do Ó, uma retroescavadeira que estava à serviço foi engolida por uma cratera. De acordo com uma moradora do local, as obras de drenagem desta rua foram inauguradas há pouco tempo de forma incompleta.
Segundo o Boletim Pluviométrico da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), choveu 53.8 mm na capital potiguar durante a madrugada.
Em decorrência das chuvas, dois dos principais hospitais públicos da cidade sofreram danos em suas estruturas. No Hospital Psiquiátrico João Machado, parte do teto de uma sala desabou. Apesar do incidente, ninguém se feriu. Já no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, maior hospital público do estado, as chuvas causaram alagamentos em algumas salas, gerando risco de curtos-circuitos.