O ex-padrasto de Pétala Yonah Silva Nunes, de 7 anos, confessou à Polícia Civil do Rio Grande do Norte o assassinato da criança e relatou, em depoimento, que havia planejado inicialmente um sequestro com o objetivo de atingir emocionalmente a mãe da vítima. No interrogatório, José Alves Teixeira Sobrinho relatou que se revoltou após ouvir uma conversa sobre o pai biológico da menina ainda manter sentimentos pela mãe da criança.

Ao descrever a ação, o homem de 24 anos afirmou: “A criança ficou jogando no meu celular […] eu falei eu vou dar um susto, não vou matar, vou dar um susto, deixo ela presa, aparece o boato de desaparecida, só para atingir a mãe e causar uma tristeza. Depois pego um Uber e boto ela em um lugar desconhecido para depois ser achada com vida. Eu amarrei ela, com um fio de carregador, amarrei dentro de casa consciente, e coloquei uma sacola, não fechando a boca, fiz uma cova rasa no beco e deitei ela e cobri com uma tábua, cavei e coloquei um pouco de terra pra disfarçar quem passava, tinha consciência que ela estava consciente ainda, a forma que eu planejei não deu certo.”

A criança foi encontrada morta na manhã da segunda-feira 20, enterrada no quintal da casa do ex-padrasto, localizada na rua Monte Celeste, no Leningrado, bairro Guarapes, na Zona Oeste de Natal. Segundo a Polícia Civil, o homem confessou ter matado a menina. Durante o depoimento, ele também mencionou o uso de objetos como alicate, máscara e spray de pimenta.
Pétala estava desaparecida desde a tarde do domingo 19, quando saiu de casa por volta das 15h. Familiares e moradores da região iniciaram buscas ainda no mesmo dia, percorrendo ruas do conjunto Leningrado e áreas próximas, mas sem sucesso. O desaparecimento foi formalmente comunicado à polícia na manhã da segunda-feira, o que deu início às diligências.
As investigações levaram os policiais até o ex-companheiro da mãe da vítima, principal suspeito do caso. Ele foi localizado no local de trabalho, detido e conduzido para interrogatório, quando confessou o crime. Durante as buscas realizadas no imóvel, os agentes encontraram o corpo da criança enterrado no quintal da residência, onde Pétala havia morado com a mãe e o irmão até janeiro deste ano.
A mãe da menina, Edvânia Bernardo da Silva, relatou o impacto ao receber a notícia da morte da filha. “Só me disseram que encontraram ela sem vida e não disseram mais nada. Eu perguntei onde foi que encontraram ela, o que fizeram com ela, mas ninguém me falou nada, disseram que não tinha informações”, afirmou. Ao saber que o suspeito era o ex-companheiro, disse que “caiu todo meu mundo”.
A causa da morte ainda será confirmada por meio de exames realizados pela Polícia Científica do Rio Grande do Norte, que esteve no local para perícia. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer todas as circunstâncias do crime e verificar a possível participação de outras pessoas.
De acordo com a polícia, o caso é tratado como possível vicaricídio. “As investigações apontam que o crime pode estar relacionado à chamada violência vicária — prática em que o agressor atinge pessoas próximas da mulher com o objetivo de causar sofrimento psicológico. Nesse contexto, o caso é tratado como vicaricídio”, informou a Polícia Civil. A justiça decretou a prisão preventiva do homem.
A legislação brasileira prevê pena de reclusão de 20 a 40 anos para esse tipo de crime, podendo ser ampliada de um terço até a metade, conforme as circunstâncias. O vicaricídio passou a ter tipificação específica neste mês de abril, após a sanção de medidas voltadas ao enfrentamento da violência doméstica.
O caso gerou forte repercussão e mobilização entre moradores do conjunto Leningrado, que participaram das buscas pela criança e acompanharam a movimentação policial na região. A população também chegou a invadir a casa do homem para destruir móveis e objetos pessoais.