A poucos dias da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, o técnico Carlo Ancelotti utilizará o amistoso contra o Egito, neste sábado 6, em Cleveland, como o último grande teste para ajustes na equipe. O treinador confirmou mudanças na formação titular, prometeu dar minutos a todos os convocados e indicou que pretende avaliar novas alternativas ofensivas antes do início da competição.
Em entrevista coletiva nesta sexta-feira 5, o italiano afirmou que o confronto servirá para ampliar as opções táticas da Seleção, embora tenha evitado divulgar a escalação completa, diferentemente do que fez antes da vitória por 6 a 2 sobre o Panamá no último fim de semana.

“É o último jogo para fazer teste. Paquetá representa um jogador importante para nós, porque tem característica diferente dos outros meias. Quero testá-lo e testar o Igor Thiago no jogo de amanhã. Acho que o sistema com os quatro na frente está bastante consolidado. Quero testar uma nova alternativa no último teste”, afirmou.
A principal novidade está justamente na utilização de Lucas Paquetá e Igor Thiago entre os titulares. Os dois tiveram boa participação diante do Panamá e ganharam espaço nos treinamentos realizados nos Estados Unidos ao longo da semana. Segundo relatos das atividades, Ancelotti manteve a estrutura ofensiva em um sistema próximo ao 4-2-4, mas com maior mobilidade entre os homens de frente.
O treinador também confirmou a ausência do zagueiro Gabriel Magalhães, que retornou recentemente dos compromissos europeus após a final da Liga dos Campeões.
“Voltou da final da Champions um pouco cansado. Não queremos assumir riscos com ele. Creio que amanhã não vai jogar, vai ser preparado para o primeiro jogo”, explicou.
A gestão física do elenco tem sido uma das prioridades da comissão técnica neste período de preparação. Alguns atletas chegaram à concentração após uma longa temporada no futebol europeu, o que levou Ancelotti a adotar uma política de rodízio nos amistosos.
O técnico revelou que pretende utilizar todos os jogadores disponíveis diante dos egípcios.
“Amanhã temos 11 mudanças, vou aproveitar as 11 mudanças na segunda parte. Pode ser alguns jogadores que precisem jogar mais, que tenham saído de lesão anteriores, como Raphinha, Bruno, pode ser que eu dê um pouco mais de minutos a eles, mas todos vão jogar.”
A estratégia reforça o caráter experimental da partida. Mais do que buscar resultado, a comissão técnica pretende avaliar alternativas para diferentes cenários que poderão surgir ao longo da Copa do Mundo.
Desde que assumiu o comando da Seleção, Ancelotti tem defendido a necessidade de construir um grupo versátil, capaz de alternar sistemas e características sem perder competitividade. O amistoso contra o Egito será a última oportunidade para observações antes da estreia diante do Marrocos, marcada para o próximo dia 13.
O italiano também destacou uma das principais diferenças entre o trabalho em seleções e a rotina dos clubes, ressaltando o tempo disponível para treinamentos específicos.
“Claro que penso que há diferença entre treinador de clube e de seleção. Por exemplo, nessa semana fizemos um trabalho que nunca pude fazer no clube. Aqui, por sorte, fazemos boa semana no treino, isso faz uma diferença muito importante. Aqui temos tempo para treinar, e a equipe pode jogar com qualidade.”
A declaração reflete uma das apostas da comissão técnica para o Mundial. Com uma semana completa de atividades, Ancelotti conseguiu realizar sessões táticas mais detalhadas e aprofundar conceitos de posicionamento, movimentação ofensiva e organização defensiva.
O amistoso contra o Egito será disputado no Huntington Bank Field, em Cleveland, e representa o último compromisso da Seleção antes do início da fase de grupos. A expectativa da comissão técnica é encerrar a preparação com um grupo definido, alternativas testadas e maior integração entre jogadores experientes e atletas que disputam sua primeira Copa do Mundo.
Após a vitória convincente sobre o Panamá, a tendência é que a base da equipe esteja consolidada, mas a disputa por algumas posições permanece aberta. Nesse cenário, nomes como Paquetá e Igor Thiago terão a oportunidade de reforçar suas credenciais para figurar entre as principais opções de Ancelotti ao longo do torneio.