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Entrevista
Alayde Passaia: a candidata contra privilégios e linha dura na fiscalização do gasto público
Candidata a vereadora de Natal pelo partido Novo, publicitária e empresária Alayde Passaia registrou em cartório compromisso de fazer mandato diferente, sem mordomias e na defesa dos princípios liberais
Redação
28/09/2020 | 06:12

Diferente de verdade. É assim como Alayde Passaia, candidata do Novo a vereadora de Natal, se define. E para não ficar só no discurso, ela até já registrou compromisso em cartório: se for eleita, vai levar um novo jeito de fazer política para dentro da Câmara Municipal. Vai fazer diferente na prática, de verdade.

Mãe de três filhos, publicitária e liberal da cabeça aos pés, Alayde é contra qualquer tipo de privilégio. Se chegar à Câmara de Natal, ela garante que vai abrir mão de todas as mordomias às quais os parlamentares têm direito, como carro alugado, gasolina à vontade e outra penca de auxílios.

Para ela, é “imoral” que vereadores embolsem vultosas quantias e privilégios todos os meses enquanto a população natalense não consegue ter acesso a serviços públicos de qualidade. “O líder de verdade tem que liderar pelo exemplo. O discurso precisa ser igual à prática”, afirma.

Ela também se compromete a reduzir os gastos com a verba de gabinete em pelo menos 50%. Com isso, abdicando dos privilégios e cortando despesas, ela espera economizar R$ 1 milhão em quatro anos. O dinheiro, ela pretende reverter para a educação de base.

Empresária com 20 anos de atuação, Alayde quer levar o que aprendeu na iniciativa privada para o setor público: responsabilidade com os gastos – principalmente quando o que está envolvido é dinheiro público, produtividade e eficiência.

É por isso que, além de abrir mão de privilégios, ela afirma que, chegando à Câmara Municipal, será uma feroz fiscalizadora do Poder Público. “Não quero ser uma vereadora a favor do prefeito, nem contra. Quero ser a favor das minhas ideias liberais e da população. Quero um Estado mais eficiente, que cobre menos impostos e que tenha menos privilégios”, acrescenta.

Para enxugar os gastos do Poder Público, para que o dinheiro seja aplicado onde realmente deve ser, Alayde apoia a redução da estrutura municipal e a privatização de empresas estatais, além do corte de privilégios também no Executivo – a partir do exemplo que dará na Câmara.

Candidata

A candidata – que disputa a eleição com o número 30.000 – critica a atual relação que vereadores têm com o Executivo. Segundo ela, existe muito “conchavo” entre as partes, o que faz ir por água abaixo uma das principais atribuições de um parlamentar: a fiscalização. “Quero ser exemplo de uma boa fiscalizadora. Quero saber como está sendo aplicado o dinheiro. Hoje falta vontade política”, analisa.

Alayde disputa um mandato de vereadora pelo Partido Novo. Para conseguir chegar à eleição, ela precisou passar por um processo seletivo rigoroso, além de se submeter a uma capacitação. As duas etapas são exigidas pela legenda. Depois de vencer todo o processo, ela se diz mais preparada para servir a Natal.

Em 2018, ela foi candidata a deputada federal. Na estreia, surpreendeu. Mesmo sem grande estrutura de campanha, na capital potiguar foi a 19ª mais votada, sendo mais lembrada até que um dos eleitos. Entre os candidatos do Novo, foi a que teve a melhor votação.

Para 2020, ela trouxe os mesmos princípios. Na disputa para vereadora, não usa recursos dos fundos eleitoral e partidário. Ela decidiu bancar suas ações apenas com dinheiro oriundo de doações.

Estímulo ao empreendedorismo

Liberal, Alayde Passaia entende que é necessário criar em Natal um ambiente mais atrativo a investimentos privados.

Ela registra que a instalação de novas empresas e a expansão das que já existem garantiriam mais emprego para a população – o que emancipa as pessoas e dá mais qualidade de vida a elas.

Se chegar à Câmara, ela diz que vai propor uma lei para regulamentar parcerias público-privadas na cidade. Com regras mais claras, empresas poderiam investir em equipamentos públicos em troca da exploração comercial durante um período determinado.

Alayde também é contra a criação de qualquer novo imposto. E não apenas isso: defende a redução da carga tributária atual. Como vereadora, ela vai cobrar a diminuição de impostos para empresas que invistam em educação de base, por exemplo.

“Sou contra qualquer aumento de imposto. Não vou deixar passar. Vou fazer todas as ações possíveis para evitar que isso aconteça”, relata.

Ainda nessa área, Alayde defende que as crianças sejam apresentadas logo cedo ao empreendedorismo. “Devemos fomentar o empreendedorismo, ensinar aos jovens desde a educação infantil a terem educação financeira e o próprio empreendedorismo, para que ele possa, quando formado, ter a opção de abrir o seu negócio com sustentabilidade e conhecimento”, afirma ela, que também sugere mais tecnologia para facilitar o processo de abertura e fechamento de empresas.

Entrevista com ALAYDE PASSAIA, candidata do Novo a vereadora de Natal

AGORA RN – Uma das principais plataformas de sua campanha é o fim de privilégios. Por quê?
ALAYDE PASSAIA –
É imoral um servidor público, político, usufruir de tanto privilégio enquanto tem um povo pobre sem acesso a serviços básicos, saúde ou segurança. Hoje, tem muito vereador com carro alugado, gasolina, inclusive na pandemia. O líder de verdade tem que liderar pelo exemplo. O discurso precisa ser igual à prática. E não vou apenas abrir mão dos privilégios. Também vou reduzir em no mínimo 50% o gasto com verba de gabinete.

AGORA RN – Como será o seu trabalho de fiscalização, caso chegue à Câmara?
ALAYDE –
Não quero ser uma vereadora a favor do prefeito, nem contra. Quero ser a favor das minhas ideias liberais e da população. Quero um Estado mais eficiente, que cobre menos impostos e que tenha menos privilégios. Quero ser exemplo de uma boa fiscalizadora. Quero saber como está sendo aplicado o dinheiro. Hoje falta vontade política.

AGORA RN – Em sua opinião, por que isso não é feito hoje?
ALAYDE –
Tem muito conchavo da vereança com o Executivo. Isso é nocivo, um câncer para a população.

AGORA RN – Que leis pretende apresentar na Câmara?
ALAYDE –
Lei já tem muita. O que não tem é vontade de trabalhar. O primeiro passo é ter vontade, e eu tenho muita. Sobre as leis, a gente já tem lei demais. São cerca de 500 novas normas no Brasil todos os dias. Precisamos de menos leis. Eu vou propor revogar várias delas. Vamos eliminar um monte de leis inúteis que terminam travando o desempenho do empreendedor, para que ele possa gerar emprego e renda.

AGORA RN – Você tem um projeto para usar muito a tecnologia no mandato. Como será isso?
ALAYDE –
A comunicação atual não é eficiente. Existe uma distância imensa entre uma ideia que surge nas comunidades e a apresentação dela na Câmara. A tecnologia pode aproximar. Teremos um aplicativo para ter esse contato. As pessoas poderão acessá-lo para falar sobre os problemas dos bairros. Além disso, por lá as pessoas saberão das votações e poderão opinar sobre os projetos.

AGORA RN – Mas você propõe uma lei para regulamentar as parcerias público-privadas.
ALAYDE –
É a única lei que vou propor na campanha. Natal hoje não tem uma lei para regular isso. Se um banco, por exemplo, quiser patrocinar a reforma de uma praça em Natal, colocando a sua logomarca, não pode. Se uma empresa quiser reformar uma escola, construir uma sala de informática e colocar sua logomarca, não pode.

AGORA RN – Isso também passa pelos impostos?
ALAYDE –
Com certeza. Sou contra qualquer aumento de imposto. Não vou deixar passar. Vou fazer todas as ações possíveis para evitar que isso aconteça. E uma das minhas sugestões é desonerar o ISS para empresas investirem em educação de base.

AGORA RN – O que pensa sobre a educação?
ALAYDE
– É preciso ter foco na gestão da educação infantil e no ensino fundamental, fiscalizando fortemente. Os diretores de escola precisam ser cargos técnicos, e não indicações políticas. Além disso, é preciso trazer a Natal cases de sucesso em educação, com objetivo de melhorar nossos indicadores. Também apoio o projeto Escola sem Partido e acredito que devemos começar a experimentar o uso de vouchers educacionais. Ou seja, tíquetes para matrícula de estudantes em escolas particulares.

*AGORA RN – Como melhorar a transparência?
ALAYDE
– Defendemos que a Câmara tenha um Portal da Transparência com informações mais claras. É preciso que o site disponibilize todas as votações e a íntegra das sessões, incluindo busca rápida por data e assunto. Também é preciso informar na internet como votaram todos os vereadores nos projetos. Além disso, defendo que estejam incluídas informações sobre nomeações de gabinetes e origem da indicação.

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