BUSCAR
BUSCAR
Tecnologia

UFRN desenvolve tecnologia capaz de prever risco de quedas antes que elas aconteçam

Tecnologia patenteada por pesquisadores do RN monitora oscilações corporais em tempo real e emite alertas antes de quedas
Por O Correio de Hoje
17/06/2026 | 13:08

A possibilidade de identificar o risco de uma queda antes que ela aconteça está mais próxima da realidade com o desenvolvimento do sistema patenteado “Sistema e método para detecção automática de risco de queda”, criado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A tecnologia monitora oscilações corporais em tempo real e emite alertas preventivos ao detectar sinais de instabilidade, ampliando a segurança de pessoas idosas e de pacientes em situação de vulnerabilidade.

Diferentemente das soluções convencionais, que registram a queda após o impacto, o dispositivo atua de forma antecipada. Por meio de sensores de alta precisão, o sistema analisa parâmetros corporais e padrões de instabilidade postural para identificar riscos iminentes. A proposta representa uma mudança de abordagem ao focar na prevenção, e não apenas na detecção do evento já ocorrido.

idoso Copia
Equipe da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveu nova tecnologia capaz de identificar sinais de instabilidade corporal antes da ocorrência de quedas - Foto: Cícero Oliveira

O equipamento foi desenvolvido como um dispositivo vestível, posicionado no esterno, região do tórax próxima ao centro de massa do corpo humano. Segundo os pesquisadores, essa localização reduz interferências e ruídos de leitura comuns em dispositivos instalados nos punhos ou em outras extremidades do corpo. Apesar disso, o sistema pode ser adaptado às necessidades de cada usuário.

“O sistema foi pensado para capturar o movimento com a maior fidelidade possível. A precisão dos dados é essencial para antecipar padrões de instabilidade”, afirma o pesquisador Mikael Marcos Rodrigues Costa da Silva, um dos integrantes da equipe responsável pela invenção.

O pedido de patente foi depositado em fevereiro e reúne uma equipe formada por Mikael Marcos Rodrigues Costa da Silva, Bárbara Trindade Espois, Paulo Moreira Silva Dantas e José Carlos Gomes da Silva. O projeto resulta de uma colaboração entre os programas de pós-graduação em Educação Física e Engenharia Biomédica da UFRN.

Cada pesquisador atuou em uma etapa específica do desenvolvimento. Mikael foi responsável pela arquitetura de hardware e pela programação de baixo nível; Bárbara conduziu a redação técnica e o design da interface; enquanto José Carlos e Paulo Dantas atuaram na gestão estratégica e na articulação institucional. Segundo os pesquisadores, a integração entre diferentes áreas do conhecimento foi fundamental para a consolidação da tecnologia.

Outro diferencial apontado pela equipe está no design ergonômico e no conceito plug-and-play, que permite utilização simples e intuitiva, inclusive por pessoas com limitações motoras. A estrutura externa do protótipo foi produzida por impressão 3D, garantindo leveza, adaptabilidade e redução dos custos de fabricação.

De acordo com os pesquisadores, a proposta busca ampliar o acesso a tecnologias assistivas diante dos elevados índices de hospitalização provocados por quedas entre pessoas idosas. O sistema combina hardware acessível e software proprietário, o que pode facilitar sua adoção em serviços públicos de saúde.

“Nosso objetivo é tornar essa tecnologia acessível, sem restringi-la a ambientes hospitalares de alto custo. Pensamos que ela pode chegar à atenção básica e às instituições de acolhimento”, destaca José Carlos Gomes da Silva.

ufRio Grande do Norte Copia
Pesquisador José Carlos Gomes da Silva demonstra uso do dispositivo na região do tórax – Foto: Cicero Oliveira

Além do monitoramento clínico, o dispositivo poderá ser utilizado como ferramenta de apoio à autonomia de idosos e de pessoas com doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Outra possibilidade é a integração com sistemas de geolocalização, permitindo localizar indivíduos em situações de desorientação espacial e oferecendo suporte a familiares e cuidadores.

A tecnologia já superou a fase conceitual e possui prova de conceito validada, alcançando um estágio avançado de maturidade tecnológica. O programa de computador responsável pelo funcionamento do sistema também foi registrado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), garantindo proteção à lógica algorítmica desenvolvida.

Segundo Paulo Moreira Silva Dantas, coordenador do grupo, o sistema realiza análises em tempo real de variáveis como aceleração, orientação corporal e padrões de tremor. A tecnologia busca superar limitações de métodos que dependem exclusivamente da análise de aceleração após o impacto da queda, situação que pode comprometer a rapidez e a precisão das respostas.

Para o pesquisador, o depósito da patente representa a transformação do conhecimento científico em um ativo tecnológico. A equipe agora trabalha na incorporação de algoritmos de aprendizado de máquina para ampliar a sensibilidade da detecção pré-impacto e reduzir o consumo energético do equipamento, tornando-o mais eficiente para uso contínuo.

Ao combinar monitoramento em tempo real, baixo custo e potencial aplicação em diferentes contextos de saúde, o sistema surge como uma alternativa para enfrentar um dos principais desafios associados ao envelhecimento populacional: prevenir quedas antes que elas aconteçam e preservar a autonomia dos usuários.