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Saúde

Demanda por tratamento na Liga deve crescer 60% nos próximos 20 anos

Instituição atende cerca de 12 mil novos pacientes por ano, projeta aumento da demanda nas próximas duas décadas e reforça importância do diagnóstico precoce
Redação
25/07/2026 | 05:20

A Liga Contra o Câncer projeta um aumento de cerca de 60% no número de novos casos de câncer nos próximos 20 anos e tem ampliado sua estrutura para atender à demanda sem formação de filas. A informação foi apresentada pelo radio-oncologista Edilmar Mendes. Segundo ele, a instituição, que completou 77 anos de atuação, é responsável por 68% do atendimento oncológico no Rio Grande do Norte e diagnostica e trata cerca de 12 mil novos casos por ano.

De acordo com o médico, o planejamento estratégico da Liga foi baseado em projeções epidemiológicas que indicam crescimento contínuo da incidência da doença. Para atender esse cenário, a instituição tem investido na ampliação da rede de assistência na capital e no interior.

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Edilmar Mendes: Liga responde por 68% do atendimento oncológico no RN - Foto: Reprodução

Entre os projetos, está a inauguração, prevista para outubro, de uma expansão de 6 mil metros quadrados no Serviço de Cancerologia (Secan), construída com financiamento bancário. Também foram ampliados os atendimentos em Currais Novos e Caicó, estratégia que, segundo a Liga, já evitou o deslocamento de aproximadamente 380 mil quilômetros por parte dos pacientes.

Edilmar destacou que as obras contam com recursos próprios e apoio de emendas parlamentares destinadas ao custeio da instituição. “A Liga não conseguiria construir essas expansões sem a ajuda do senador Styvenson Valentim e de outros políticos de todas as bandeiras. A Liga é apartidária e o objetivo final é fazer com que mais pacientes tratem com menor distância.”

A Liga é uma instituição filantrópica privada e mantém o certificado de filantropia por atender mais de 65% dos pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, esse percentual varia entre 68% e 72%, segundo Edilmar. Ele explicou que, apesar da certificação, a instituição não recebe recursos livres para investimentos e expansão.

“O único benefício é algum incentivo tributário, principalmente relacionado a impostos trabalhistas e de importação. Fora isso, não existe nada que seja dado de forma livre e gratuita para a Liga.”

O médico reforçou que o diagnóstico precoce continua sendo o principal fator para aumentar as chances de sucesso no tratamento. Segundo ele, mais de 65% dos cânceres podem ser curados atualmente. Nos casos de câncer infantil, esse índice ultrapassa 90%.

Ao abordar o câncer de próstata, o radio-oncologista afirmou que a recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia é que todos os homens realizem um exame de PSA de referência a partir dos 40 anos.

O especialista explicou que o histórico dos exames é mais importante do que um resultado isolado, pois permite identificar alterações ao longo do tempo, mesmo quando os valores permanecem dentro da faixa considerada normal pelos laboratórios.

Edilmar também ressaltou que, quando o câncer de próstata é identificado em fase inicial, a taxa de cura supera 95%. Para homens com histórico familiar da doença, o acompanhamento deve começar antes dos 40 anos, conforme orientação médica.

Segundo o especialista, não existe um tratamento considerado superior entre cirurgia e radioterapia para o câncer de próstata. A escolha depende de fatores como idade, condições clínicas do paciente e características do tumor. Ele defendeu que a decisão seja tomada por uma equipe multidisciplinar, envolvendo diferentes especialidades, para definir a estratégia mais adequada para cada caso.

Além da assistência, a Liga desenvolve pesquisas clínicas. De acordo com Edilmar Mendes, a instituição é atualmente o sexto maior centro de pesquisa clínica do Brasil na área da saúde.

Entre os estudos em andamento está um projeto realizado em parceria com a Beneficência Portuguesa de São Paulo e o Hospital Moinhos de Vento, com financiamento do Governo Federal, voltado à identificação de alterações genéticas relacionadas ao câncer de próstata. Quando essas alterações são detectadas, familiares também passam por investigação e aconselhamento genético.

Segundo o médico, fatores hereditários respondem por cerca de 15% a 20% dos casos da doença. Edilmar reforçou que o tratamento não termina após a cirurgia ou a radioterapia. Os pacientes devem permanecer em acompanhamento por, no mínimo, cinco anos.

No caso do câncer de próstata, o principal exame utilizado nesse monitoramento é o PSA, que permite acompanhar a evolução clínica e identificar precocemente eventual retorno da doença.

Liga

O médico afirmou que a instituição conta atualmente com 2.712 funcionários e segue ampliando sua atuação em assistência, pesquisa e ensino. Ele também citou estudo desenvolvido pela própria Liga indicando que o Rio Grande do Norte possui, proporcionalmente, mais municípios em que o câncer já ultrapassou as doenças cardiovasculares como principal causa de morte quando comparado aos demais estados do Nordeste.

Edilmar destacou que parte da assistência prestada pela instituição depende das doações da população. Segundo ele, contribuições de R$ 20 e R$ 30 são as mais frequentes e ajudam a custear medicamentos, kits de higiene e outros insumos oferecidos gratuitamente aos pacientes.