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Prevenção

Trombose tem sinais que não devem ser ignorados, e prevenção começa por mexer as pernas a cada hora

Brasil teve mais de 75 mil casos em 2024 e outros 36 mil só no primeiro semestre de 2025, e o inchaço costuma aparecer em apenas uma das pernas
Agora RN
17/09/2026 | 18:12

Ficar o expediente inteiro na frente do computador parece apenas mais um detalhe da rotina de trabalho, mas passar horas na mesma posição atrapalha a circulação das pernas. Sem movimento, a contração muscular que empurra o sangue de volta ao coração diminui, o sangue tende a se acumular nas veias e cresce o risco de formar coágulos. É assim que começa boa parte dos casos de trombose nas pernas.

Tem-se uma trombose quando o coágulo se forma dentro de um vaso e muda o fluxo do sangue naquele ponto. Inchaço e dor nas pernas são os sinais mais conhecidos do problema. O tema ganhou destaque na quarta-feira 16, data em que se marca no país o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose. Dados do Ministério da Saúde mostram mais de 75 mil casos no Brasil em 2024 e outros 36 mil apenas no primeiro semestre de 2025.

Pessoa segura a própria panturrilha com as duas mãos, em sinal de dor
Imagem ilustrativa; dor intensa e inchaço de início rápido numa das pernas estão entre os sinais de trombose venosa — Pexels

A doença aparece em dois tipos, conforme o vaso atingido. Na trombose arterial, o coágulo se instala numa artéria e pode barrar a chegada de sangue a órgãos e extremidades. Os sinais possíveis incluem dor intensa, formigamento, palidez, queda de temperatura, dedos arroxeados, pulsos mais fracos e perda de força.

Entre os fatores associados a esse tipo estão idade avançada, tabagismo, diabetes, hipertensão, colesterol e triglicerídeos altos, aterosclerose, aneurismas, doenças autoimunes, distúrbios de coagulação, trombofilias e câncer. Nos quadros mais graves, a circulação interrompida pode provocar isquemia, a falta de sangue no tecido, e elevar o risco de infarto, de acidente vascular cerebral e de insuficiência renal, podendo chegar à amputação do membro.

A trombose venosa, por outro caminho, pode ser superficial, quando atinge vasos perto da pele, ou profunda, quando o coágulo aparece em veias situadas em geral entre os músculos. Podem apontar o problema o inchaço que surge rápido, a dor intensa e de início agudo, o aumento do volume muscular, a sensibilidade ao toque e as veias superficiais dilatadas. Em geral, o inchaço aparece em apenas uma das pernas.

Aumentam o risco a imobilização prolongada, a internação, a cirurgia recente e o trauma, além de câncer, gravidez e pós-parto, obesidade, varizes, anticoncepcional com estrogênio e voos longos. Esse tipo pode levar à embolia pulmonar, quando o coágulo chega aos pulmões, e, com o tempo, provocar úlceras e inchaço crônico no membro afetado.

O tratamento varia conforme o tipo e a gravidade do quadro. Os anticoagulantes estão entre os remédios usados, e parte dos pacientes precisa de procedimentos para retirar o coágulo por cateter. No caso da trombose venosa, o uso de anticoagulantes pode durar pelo menos três a seis meses, conforme a avaliação médica.

Prevenir passa sobretudo por sair da imobilidade. Quem trabalha sentado por muito tempo tem uma referência simples para seguir: a cada hora, mexer as pernas por uns dez minutos. Sem condição de caminhar, o jeito é não deixar as pernas completamente paradas por períodos longos.

Exercício físico regular, hidratação, alimentação equilibrada, controle do peso e menos álcool e cigarro também entram na lista de prevenção. Em situações específicas, como cirurgias, viagens longas ou insuficiência venosa, as meias de compressão podem ser indicadas por orientação médica.

Nada disso deve ser ignorado: dor súbita e forte, inchaço rápido, perda de força, mudança na sensibilidade. Para quem passa o dia sentado, levantar de vez em quando e mexer as pernas reduz um fator de risco que costuma vir embutido na própria rotina de trabalho.