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Vacinação

SUS passa a oferecer a Pneumo 20 para quem tem 85 anos ou mais, e meta é vacinar 9 em cada 10

Público estimado em 2,3 milhões de pessoas não precisa de receita médica, e o número de doses depende do que já foi tomado contra doenças pneumocócicas
Agora RN
17/09/2026 | 18:10

Chegar aos 85 anos passou a dar direito a uma vacina nova no Sistema Único de Saúde, o SUS. A Pneumo 20 para idosos foi anunciada pelo Ministério da Saúde na segunda-feira 14 para essa faixa etária, ampliando um imunizante que já era aplicado nas crianças com menos de 5 anos.

O objetivo é derrubar internações e mortes causadas por doenças pneumocócicas, grupo que inclui a pneumonia, infecção que compromete os pulmões, e a meningite, inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula. O público que pode ser alcançado soma 2.337.775 pessoas em todo o país, cerca de 2,3 milhões de idosos, e o governo federal quer vacinar ao menos 90% delas.

Profissional de saúde com touca, máscara e avental prepara seringa diante de idosa sentada
Profissional de saúde prepara dose para uma idosa; Pneumo 20 passa a ser oferecida a partir dos 85 anos — José Aldenir/O Correio de Hoje

Quanto mais avançada a idade, maior a fragilidade diante de infecções respiratórias e das complicações que vêm junto com elas, porque as defesas do organismo respondem mais devagar. A taxa de hospitalização por pneumonia nessa faixa etária bateu em 2.902,7 casos por 100 mil habitantes em 2025. A mortalidade pela mesma doença ficou em 743,1 óbitos por 100 mil.

A proteção oferecida pela vacina alcança 20 sorotipos, as variações da bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo e ligada a diferentes infecções. Cada sorotipo é uma versão da mesma bactéria, e a vacina só protege contra os tipos que estão na sua composição. Entre os tipos cobertos estão o 3, o 6A e o 19. O imunizante age ainda contra a otite média, infecção do ouvido que pode deixar sequelas como a perda de audição.

A aplicação, porém, não segue a mesma regra para todo mundo que já passou dos 85 anos: há quem tome uma dose, e há quem não precise tomar nenhuma. O que define o esquema é o histórico de vacinação de cada um contra doenças pneumocócicas, isto é, quais vacinas dessa família a pessoa já recebeu ao longo da vida. Uma dose única da Pneumo 20 vai para quem nunca tomou vacina desse tipo.

Já quem só recebeu uma dose da Pneumo 13 ou da Pneumo 15 deve tomar a Pneumo 20 depois de esperar pelo menos dois meses. Quem tomou uma única dose da Pneumo 23 também pode receber o novo imunizante, respeitado um intervalo mínimo de um ano.

Existem casos em que a nova dose não está indicada dentro da estratégia montada pelo ministério. Não precisa tomar a Pneumo 20 quem já recebeu duas doses da Pneumo 23. A dispensa também alcança quem já recebeu uma dose da 13 ou da 15 e, além dela, uma dose da 23.

Amarrar o esquema ao histórico serve para encaixar a nova opção sem repetir doses à toa. Por isso cada situação precisa ser conferida antes de a agulha entrar no braço.

Vacina começou pelas crianças

Os idosos recebem a Pneumo 20 poucos meses depois de o imunizante entrar no Calendário Nacional de Vacinação para crianças com menos de 5 anos. A incorporação para esse público aconteceu em junho, com a intenção de ampliar a proteção contra as doenças pneumocócicas.

Nos dois primeiros meses de aplicação, mais de 1 milhão de crianças menores de 5 anos foram vacinadas pelo SUS. A estratégia agora alcança a outra ponta da população, formada por quem tem 85 anos ou mais.

A ampliação acontece justamente na faixa em que uma infecção respiratória pode ter desfecho mais grave. Os índices de internação e de morte por pneumonia anotados em 2025 estão entre os indicadores que pesaram na decisão de reforçar a proteção desse grupo.

A distribuição das doses destinadas aos idosos já está em andamento. Segundo o Ministério da Saúde, a quantidade distribuída leva em conta o tamanho da população que pode ser vacinada em cada lugar, a média mensal de aplicações e o que cada estado tem em estoque.

O ritmo de chegada da vacina, portanto, pode variar de uma unidade da Federação para outra, conforme a realidade de cada rede. A meta nacional continua sendo alcançar nove em cada dez pessoas com 85 anos ou mais.

Ninguém precisa levar prescrição médica, a receita, para tomar a Pneumo 20. Basta procurar uma sala de vacinação levando um documento que comprove a idade. O histórico de doses tomadas antes é que vai dizer se há indicação e qual intervalo deve ser cumprido.

Uma vacina que acabou de entrar no calendário das crianças vira, assim, mais uma ferramenta de prevenção para a população idosa, na outra ponta da vida. Para quem passou dos 85, a proteção contra doenças pneumocócicas está disponível na rotina do SUS.