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Saúde

Terapia elimina três doenças autoimunes em um único paciente

Uso da técnica CAR-T Cell elimina condições simultaneamente e aponta novo caminho no tratamento
Por O Correio de Hoje
13/04/2026 | 12:51

Cientistas alcançaram um resultado inédito ao utilizar uma terapia celular avançada, conhecida como CAR-T Cell, no tratamento de um paciente com três doenças autoimunes graves e potencialmente fatais, que não respondiam às terapias convencionais. O caso foi detalhado em artigo publicado na revista Med, do grupo Cell Press.

Antes do procedimento, o paciente dependia de transfusões frequentes de sangue. Após o tratamento, ele está em remissão há cerca de um ano, sem necessidade de novas intervenções. Os pesquisadores apontam que a técnica, já utilizada no combate a alguns tipos de câncer, também pode ser eficaz no tratamento de doenças autoimunes complexas.

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Terapia elimina três doenças autoimunes em um único paciente - Foto: Freepik

Segundo Fabian Müller, médico do Hospital Universitário de Erlangen, na Alemanha, e autor do estudo, o resultado foi altamente positivo. “O tratamento foi extremamente eficiente em eliminar as três condições autoimunes simultaneamente. Após mais de uma década de doença, o paciente agora está em remissão e pode retomar uma vida próxima do normal”, afirmou.

A terapia CAR-T Cell consiste em uma abordagem inovadora que utiliza células do próprio sistema imunológico do paciente. Os linfócitos T são coletados, modificados em laboratório para reconhecer alvos específicos e, posteriormente, reinseridos no organismo, em um processo semelhante a um autotransplante.

Embora já seja empregada no Brasil e em outros países para tratar alguns tipos de leucemia e linfoma, a técnica ainda tem custo elevado, podendo chegar a cerca de R$ 2 milhões por paciente. Pesquisadores também estudam formas de ampliar o acesso e viabilizar sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

No caso analisado, o paciente, de 47 anos, convivia com três doenças autoimunes: anemia hemolítica autoimune grave, em que o sistema imunológico destrói os glóbulos vermelhos; púrpura trombocitopênica imune (ITP), que compromete as plaquetas e aumenta o risco de sangramentos; e a síndrome do anticorpo antifosfolípide, associada à formação de coágulos perigosos.

Como as células B estavam desreguladas e eram responsáveis pelas doenças, os cientistas reprogramaram os linfócitos T para identificar uma proteína chamada CD19, presente na superfície dessas células. Após o tratamento, o sistema imunológico passou a eliminar as células disfuncionais.

Três semanas após o procedimento, os níveis de hemoglobina do paciente voltaram ao normal, indicando a recuperação do organismo e o controle das doenças.