A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou falhas no processo de fabricação de medicamentos manipulados utilizados no tratamento da obesidade, levantando preocupações sobre possíveis riscos de contaminação. Apesar do diagnóstico, a discussão sobre a adoção de regras mais rígidas para fiscalização foi adiada.
Os problemas envolvem desde a produção até a comercialização desses produtos, conforme apontado em relatório apresentado pela área técnica da agência. A investigação teve início após o aumento da oferta de medicamentos voltados ao emagrecimento, especialmente aqueles vendidos sem registro formal.

De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, foram encontradas inconsistências que comprometem a segurança dos medicamentos. Entre os pontos identificados estão falhas no controle de qualidade, irregularidades na cadeia de armazenamento e distribuição, além de condições inadequadas de fabricação.
O levantamento também aponta que alguns produtos analisados apresentavam origem desconhecida, o que dificulta o rastreamento e amplia os riscos para os consumidores. A ausência de padronização na produção e a utilização de insumos irregulares agravam o cenário.
A autorização para a comercialização de medicamentos manipulados segue critérios específicos, mas, segundo a agência, há indícios de que parte dos produtos disponíveis no mercado não atende a esses requisitos. Isso inclui substâncias utilizadas no tratamento da obesidade que vêm sendo vendidas sem a devida regulamentação.
Diante desse contexto, a Anvisa chegou a discutir medidas para endurecer as normas de fiscalização, com o objetivo de ampliar o controle sobre a produção e distribuição desses medicamentos. No entanto, a decisão foi adiada, e o tema deve ser retomado em novas reuniões.
Enquanto isso, operações de combate à venda irregular seguem sendo realizadas. A Polícia Federal, em parceria com outros órgãos, já conduziu ações para retirar de circulação medicamentos falsificados ou comercializados de forma ilegal.
Uma dessas operações, chamada “Heavy Pen”, teve como foco produtos utilizados no tratamento da obesidade, incluindo substâncias como semaglutida e tirzepatida, frequentemente associadas a medicamentos de alto custo e grande procura.
As investigações apontam que parte desses produtos é vendida de forma clandestina, sem controle sanitário, o que representa risco direto à saúde pública. A comercialização irregular também dificulta o acompanhamento médico adequado, essencial nesse tipo de tratamento.
A Anvisa reforça que medicamentos devem ser adquiridos apenas por meio de canais autorizados e com prescrição médica, destacando que o uso de produtos sem procedência comprovada pode trazer consequências graves.
Além disso, a agência avalia a necessidade de fortalecer mecanismos de fiscalização e ampliar a vigilância sobre o mercado, diante do crescimento da demanda por tratamentos para obesidade.
O caso evidencia os desafios enfrentados pelas autoridades sanitárias em acompanhar a expansão de um setor que combina alta procura, inovação farmacológica e, ao mesmo tempo, riscos associados à informalidade.