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Operação Narco Fluxo

PF aponta MC Ryan SP como líder de esquema que movimentou R$ 260 bilhões

Investigação indica uso de empresas e redes sociais para ocultar recursos de apostas ilegais e rifas digitais
Redação
16/04/2026 | 18:16

A Polícia Federal apontou que o cantor Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, é o líder de uma organização criminosa investigada por movimentar cerca de R$ 260 bilhões. O artista foi preso na manhã desta quarta-feira 15, durante a “Operação Narco Fluxo”, que apura crimes de lavagem de dinheiro.

De acordo com as investigações, o cantor seria o principal beneficiário econômico da estrutura e utilizava empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legais com valores provenientes de apostas ilegais e rifas digitais. A apuração também identificou o uso de mecanismos de blindagem patrimonial, com transferência de participações societárias para familiares e terceiros, conhecidos como “laranjas”.

PF aponta MC Ryan SP como líder de esquema que movimentou R$ 260 bilhões - Foto: Reprodução/Redes sociais
PF aponta MC Ryan SP como líder de esquema que movimentou R$ 260 bilhões - Foto: Reprodução/Redes sociais

Segundo a Polícia Federal, esses mecanismos tinham como objetivo afastar o patrimônio da pessoa física do artista. Os valores movimentados eram convertidos em imóveis de luxo, veículos de alto padrão, joias e outros ativos.

O principal operador do grupo é apontado como Rodrigo Morgado, que se apresenta como “contador” e também foi preso. Ele já havia sido alvo da “Operação Narco Bet”, que resultou na prisão do influenciador conhecido como “Buzeira”.

Outro nome citado nas investigações é Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei. De acordo com a PF, ele atuaria como operador de mídia do grupo, recebendo valores para divulgar conteúdos de artistas e promover plataformas de apostas e rifas.

As investigações indicam que o esquema funcionava com o uso de um “escudo de conformidade”, baseado na projeção artística e no alto engajamento dos envolvidos. Segundo os apuradores, esse fator contribuía para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras e mascarar recursos provenientes de tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais.

A Polícia Federal aponta ainda uma possível ligação do grupo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O elo seria Frank Magrini, identificado como operador financeiro. As apurações indicam que ele teria financiado o início da carreira de Ryan, em 2014, e que a relação envolvia o pagamento de “mensalidades” por pontos comerciais.

O esquema utilizava três mecanismos principais para ocultar a origem dos recursos: pulverização, com a venda de ingressos, produtos e ativos digitais; dissimulação, por meio de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie e múltiplas transações; e interposição de terceiros, com uso de operadores logísticos, familiares e “aluguel de CPFs”.

A “Operação Narco Fluxo” tem como objetivo desarticular uma organização voltada à movimentação ilícita de valores no Brasil e no exterior, inclusive com uso de criptoativos. Segundo a Polícia Federal, o volume financeiro diretamente investigado supera R$ 1,6 bilhão.

Ao todo, foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

Também foram determinadas medidas de bloqueio de bens e restrições societárias, com apreensão de veículos de luxo. Os valores apreendidos são estimados em cerca de R$ 20 milhões.

A defesa de MC Ryan SP informou que “até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.”