A nutricionista Agnes Bezerra afirmou que o processo de emagrecimento vai além da redução alimentar e da prática de exercícios físicos, envolvendo diretamente o equilíbrio hormonal e o estilo de vida.
“Eu digo que o emagrecimento é muito mais complexo do que simplesmente comer menos e se exercitar mais”, afirmou, em entrevista à Band RN. Segundo ela, os hormônios exercem papel central nesse processo. “Os hormônios são mensageiros químicos modulam não somente o gasto calórico, o nosso metabolismo, mas também sinais de fome e saciedade e outros inúmeros hormônios importantes.”

A nutricionista explicou que alterações hormonais podem impactar diretamente o resultado e a qualidade de vida. “Funciona como uma cascata. Um desregulou, todos desregulam e isso acaba influenciando também no processo de emagrecimento e qualidade de vida.”
Agnes destacou a importância da investigação clínica a partir de sintomas apresentados pelos pacientes. “A gente está muito acostumado a normalizar sintomas. Por ter sintomas há muito tempo, isso é uma dor de cabeça, uma indisposição, um cansaço, isso pode ser falta de vitaminas específicas e minerais.”
De acordo com a especialista, a análise deve incluir exames bioquímicos e acompanhamento profissional. Sobre a regulação hormonal, Agnes ressaltou que o estilo de vida é determinante. “O que de fato vai regular toda essa cascata hormonal é o estilo de vida. É o básico bem feito que funciona e que é eficaz: alimentação equilibrada, exercício físico, sono de qualidade e saber lidar com estresse.”
Ela acrescentou que, em alguns casos, há necessidade de medicamentos para tratar desregulações hormonais importantes. A nutricionista citou a resistência à insulina como exemplo recorrente. “Há medicamentos para isso, mas se sabe que é o estilo de vida de fato que vai resolver esse principal problema hormonal.”
O uso de medicamentos para emagrecimento, como as chamadas “canetas”, também foi abordado. Agnes reconheceu a eficácia quando bem indicados, mas fez ressalvas. “O medicamento vai fazer uma coisa, mas não faz a mudança de comportamento.”
Segundo ela, a manutenção dos resultados depende de acompanhamento nutricional. Ela também chamou atenção para a preservação da massa magra. “Somente o exercício de força, de fato, faz com que você tenha a manutenção da massa magra ou o processo hipertrófico.”
A especialista listou sintomas que podem indicar desregulação hormonal. “A partir do momento que você tem uma compulsão por doce, ou um sono desregulado, intestino ruim, fadiga, indisposição… o abdômen distendido, pele oleosa, ou pele seca, queda de cabelo, tudo isso necessita de uma intervenção nutricional o quanto antes.”
A nutricionista também reforçou que não há alimentos isolados responsáveis por ganho ou perda de peso. “Não existe um alimento que engorde ou emagreça. Você pode emagrecer comendo pão ou engordar comendo banana, porque o que, de fato, vai fazer com que você tenha esse resultado é justamente o teu estilo de vida.”
Agnes Bezerra afirmou ainda que o acompanhamento profissional funciona como orientação, mas depende da adesão do paciente. Entre os hormônios mais frequentemente alterados na prática clínica, ela citou a insulina e os hormônios tireoidianos.
A qualidade do sono também foi apontada como fator relevante. “Quando a gente tem uma restrição de sono, a gente altera muito o cortisol, que é considerado um hormônio do estresse.” Segundo ela, até uma noite mal dormida pode interferir no comportamento alimentar. “Uma noite mal dormida já é o suficiente para no dia seguinte o seu corpo pedir mais comida.”