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Saúde

Osteoporose pode ficar anos sem sintomas antes de causar fraturas

Médico explica fatores de risco, formas de prevenção, diagnóstico e consequências da doença, que atinge principalmente mulheres após a menopausa
Por O Correio de Hoje
23/07/2026 | 17:19

A osteoporose é uma doença silenciosa que pode permanecer sem sintomas por anos e, em muitos casos, só ser identificada após uma fratura provocada por uma queda de baixa intensidade. O alerta foi feito pelo ortopedista e traumatologista Sesiom Wanderley. Segundo ele, a principal consequência da doença é o aumento da fragilidade óssea, elevando o risco de fraturas principalmente em idosos.

O médico explicou que a osteoporose é uma doença osteometabólica caracterizada pela redução da massa óssea. Com a perda da densidade dos ossos, o paciente passa a apresentar maior suscetibilidade a fraturas mesmo após traumas considerados leves, como um escorregão dentro de casa ou uma queda da própria altura.

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Exercícios de força ajudam na prevenção da perda óssea e na redução do risco de quedas - Foto: magnific

Segundo o especialista, a doença resulta de um desequilíbrio no processo natural de remodelação óssea, no qual os ossos são continuamente reabsorvidos e reconstruídos. Quando esse mecanismo deixa de funcionar adequadamente, ocorre a perda progressiva da massa óssea.

Entre os principais fatores de risco não modificáveis estão idade avançada, sexo feminino, menopausa precoce, histórico familiar, baixo índice de massa corporal (IMC), sarcopenia e raça branca. Já entre os fatores modificáveis, o médico citou sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, deficiência de vitamina D, baixa ingestão de cálcio, desnutrição e uso prolongado de corticoides.

Apesar de ser mais frequente em mulheres após a menopausa, a osteoporose não está restrita a essa faixa etária. “Existem patologias na medicina que levam ao desequilíbrio, e esse desequilíbrio pode levar o paciente a ter osteoporose antes dessa faixa etária dos idosos.”

A pessoa pode descobrir a osteoporose somente depois de sofrer uma queda. Segundo Sesiom Wanderley, esse tipo de situação é comum porque a doença evolui de forma silenciosa.

“O osso da gente é duro. Qualquer queda não é para quebrar o osso. Se o paciente sofre uma queda simples e apresenta fratura no rádio distal, no fêmur proximal ou no úmero proximal, isso já faz pensar em osteoporose”, explicou.

Ele ressaltou que a queda não causa a doença, mas evidencia uma fragilidade óssea que já existia.

O diagnóstico é confirmado por meio da densitometria óssea, exame utilizado para identificar a redução da densidade mineral dos ossos e acompanhar a evolução do tratamento. As fraturas por fragilidade são consideradas a principal complicação da osteoporose.

De acordo com o ortopedista, as regiões mais acometidas são as vértebras, o quadril — especialmente as fraturas transtrocantéricas do fêmur —, o punho e o úmero proximal.

Além das fraturas, a doença pode provocar dor crônica, redução da estatura, deformidades na coluna, diminuição da mobilidade e perda da independência funcional. Segundo o médico, pacientes que sofrem fratura do quadril apresentam aumento do risco de complicações e morte.

Entre as principais medidas preventivas, o especialista destacou a prática regular de atividade física, principalmente exercícios de força, além da interrupção do tabagismo e do consumo excessivo de álcool.

Ele afirmou que a musculação, realizada com orientação profissional pelo menos três vezes por semana, é uma das atividades com melhores resultados para fortalecimento muscular, melhora do equilíbrio e prevenção de quedas.

Também recomendou atenção à ingestão adequada de cálcio e vitamina D e acompanhamento médico para pessoas que apresentam fatores de risco.

O ortopedista esclareceu que dores nas articulações das mãos, inflamações ou inchaços normalmente não estão relacionados à osteoporose. Segundo ele, esses sintomas costumam estar associados a doenças inflamatórias, como artrite reumatoide, ou a lesões por esforço repetitivo.

A osteoporose, explicou, geralmente não provoca sintomas nas fases iniciais e passa despercebida até ocorrer uma fratura ou deformidade vertebral.

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Sesiom Wanderley diz que osteoporose pode evoluir sem sintomas até causar fraturas – Foto: Reprodução / 95 fm

Sesiom Wanderley explicou que a redução dos níveis de estrogênio após a menopausa favorece a perda de massa óssea, razão pela qual as mulheres são mais afetadas pela doença. Ele orientou que pacientes nessa fase mantenham acompanhamento com ginecologista para avaliação clínica e, quando indicado, da necessidade de reposição hormonal.

Segundo o ortopedista, aproximadamente uma em cada três mulheres desenvolverá osteoporose ao longo da vida, enquanto entre os homens a proporção é de um para cada cinco. Ele também afirmou que cerca de 200 milhões de pessoas convivem com a doença em todo o mundo.

O ortopedista reforçou que prevenir quedas é uma das medidas mais importantes para reduzir complicações da osteoporose. Segundo ele, idosos com fratura do fêmur proximal apresentam risco de 20% a 30% de morbidade e mortalidade após o trauma, além da possibilidade de perda permanente da mobilidade.

O médico orientou familiares a adotarem medidas simples dentro de casa, como retirar tapetes soltos, instalar corrimãos, evitar pisos escorregadios e redobrar a atenção com obstáculos e animais domésticos.