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Alimentação

OMS alerta para comida contaminada

OMS estima 866 milhões de casos de doenças transmitidas por alimentos e alerta para maior vulnerabilidade de crianças e países de baixa renda
Por O Correio de Hoje
05/06/2026 | 12:38

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam a dimensão dos impactos causados pela contaminação alimentar em todo o planeta. Segundo as estimativas mais recentes do organismo internacional, alimentos contaminados são responsáveis por aproximadamente 866 milhões de casos de doenças e cerca de 1,5 milhão de mortes a cada ano.

O levantamento mostra que uma parcela significativa desses casos poderia ser evitada por meio de medidas já conhecidas de saúde pública, como ampliação do acesso à água potável, melhorias nos sistemas de saneamento básico, fortalecimento das práticas de higiene, adoção de métodos seguros de processamento dos alimentos — incluindo a pasteurização — e ampliação do acesso a serviços de saúde para populações mais vulneráveis.

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OMS pede reforço na segurança alimentar - Foto: Freepik

A OMS chama atenção para o impacto desproporcional da contaminação alimentar sobre crianças pequenas. Menores de 5 anos apresentam risco quase três vezes maior de adoecer em decorrência do consumo de alimentos contaminados. Embora representem apenas 9% da população mundial, elas concentram quase um terço dos registros de doenças transmitidas por alimentos.

Entre os problemas mais frequentes nessa faixa etária estão as doenças diarreicas, que podem causar complicações graves e até levar à morte. Além dos riscos biológicos, especialistas alertam para a exposição a substâncias químicas presentes nos alimentos, capazes de comprometer o desenvolvimento infantil.

De acordo com a OMS, compostos como metilmercúrio e chumbo podem afetar o desenvolvimento cerebral, provocar alterações neurológicas e gerar consequências permanentes para a saúde física e cognitiva ao longo da vida.

Os dados analisados pela organização, referentes ao ano de 2021, mostram que os perigos biológicos continuam sendo os principais responsáveis pela disseminação de doenças transmitidas por alimentos. Bactérias, vírus e parasitas presentes em alimentos contaminados responderam por cerca de 860 milhões dos casos registrados mundialmente.

No entanto, quando o foco passa a ser a mortalidade, o cenário muda.

Embora causem menos ocorrências de doenças, as substâncias químicas representaram 73% de todas as mortes associadas à contaminação alimentar. A maior parte desses óbitos esteve relacionada à exposição ao arsênio inorgânico e ao chumbo.

Segundo a OMS, o arsênio inorgânico respondeu por aproximadamente 42% das mortes ligadas a contaminantes químicos, enquanto o chumbo esteve associado a 31% dos óbitos. O impacto dessas substâncias está relacionado principalmente ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e diferentes tipos de câncer.

A organização também alerta para o metilmercúrio, substância associada a danos neurológicos e prejuízos ao desenvolvimento cerebral, especialmente em crianças.

Além dos prejuízos à saúde, a contaminação alimentar gera consequências econômicas expressivas para os países.

A OMS estima que as doenças transmitidas por alimentos provoquem cerca de US$ 310 bilhões por ano em perdas de produtividade, resultado de afastamentos do trabalho e redução da capacidade produtiva das populações afetadas. Quando os cálculos são ajustados para considerar diferenças no custo de vida entre os países, a estimativa sobe para aproximadamente US$ 647 bilhões anuais em perdas econômicas.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, os novos dados oferecem uma visão mais ampla da dimensão do problema.

“A segurança dos alimentos não é uma questão abstrata, ela está presente em cada refeição, em cada família, todos os dias. Os alimentos contaminados sempre foram uma importante preocupação de saúde pública, mas até agora não tínhamos uma visão abrangente de seu impressionante custo humano e econômico. Essas novas estimativas mudam isso”, afirmou em comunicado divulgado pela organização.

Embora a OMS tenha identificado redução da carga global das doenças transmitidas por alimentos desde o ano 2000, os números permanecem elevados.

O relatório aponta ainda importantes desigualdades regionais. África e Sudeste Asiático concentram os maiores impactos da contaminação alimentar em escala global. Juntas, essas duas regiões respondem por quase 75% de todos os casos registrados e por cerca de 60% das mortes relacionadas a doenças transmitidas por alimentos.

Os dados reforçam a necessidade de investimentos em infraestrutura sanitária, vigilância epidemiológica e sistemas de controle da qualidade dos alimentos, especialmente em países de baixa e média renda.

A nova avaliação conduzida pela OMS ampliou significativamente o número de agentes analisados. O estudo examinou 42 diferentes perigos relacionados aos alimentos em 194 países, entre os anos de 2000 e 2021. Foram considerados riscos biológicos, como bactérias, vírus e parasitas, além de contaminantes químicos presentes ao longo da cadeia alimentar. Entre os elementos incorporados à análise estão metais tóxicos, infecções por rotavírus e o Trypanosoma cruzi.