BUSCAR
BUSCAR
Saúde

Micose volta por erro no tratamento

Médica destacou que abandono precoce do tratamento, umidade e compartilhamento de objetos favorecem recorrência das infecções
Por O Correio de Hoje
21/05/2026 | 13:16

A médica dermatologista Alana Wanderley afirmou que a interrupção precoce do tratamento é uma das principais causas da recorrência das micoses. Em entrevista à rádio 95 FM Caicó, a especialista explicou que as infecções causadas por fungos são frequentes e podem atingir diferentes regiões do corpo, principalmente áreas quentes, úmidas e abafadas.

“A micose é muito frequente na população, todo mundo que chega com uma coceira na pele diz: ‘eu tô com uma micose de pele, doutora’. E muitas vezes o tratamento é interrompido antes do tempo, e isso faz com que a infecção não melhore e fique voltando”, afirmou.

person dealing with rosacea
Automedicação dificulta tratamento de micoses; diabetes e baixa imunidade também aumentam risco de infecções fúngicas - Foto: Freepik

Segundo a dermatologista, as micoses são infecções provocadas por fungos que se desenvolvem principalmente em locais como pés, virilhas, unhas, couro cabeludo e regiões de dobra da pele. “Esses fungos gostam principalmente de ambientes quentes, úmidos e abafados”, explicou.

A médica ressaltou que a doença não está ligada exclusivamente à falta de higiene. “Claro que alguns hábitos de higiene vão favorecer. Mas esse fungo pode ser encontrado, por exemplo, em animais de estimação, no solo, enfim, pode também ser contagioso através de uma pessoa para outra”, disse.

Ela citou ainda fatores que aumentam o risco de infecção, como frequentar academias, usar sapatos fechados por muito tempo, suor excessivo e compartilhamento de objetos pessoais. “Isso também pode favorecer”, afirmou.

De acordo com Alana Wanderley, o abandono do tratamento após os primeiros sinais de melhora contribui para que a infecção volte. “Dos primeiros dias, a gente lembra de passar aquela pomada direitinho. Depois que vê que já veio uma melhora, a pessoa já fica desleixada, já não está fazendo mais o tratamento. Então, acaba que o fungo não morre totalmente e aí a infecção retorna”, explicou.

A dermatologista também destacou que a reexposição aos fungos favorece novas infecções. “Usa calçado úmido, não seca bem entre os dedos dos pés quando termina o banho, compartilhamento de alicates ou objetos pessoais, andar descalço em ambientes coletivos, usar meia sem ventilação adequada também”, listou.

Ela acrescentou que algumas profissões podem aumentar a exposição aos fungos. “Algumas profissões, por exemplo, jardineiro, algumas vezes sofre aquele trauma de andar descalço, enfim, isso tudo é fator que pode ocasionar a micose”, disse.

Sobre as micoses nas unhas, a médica afirmou que estão entre as formas mais difíceis de tratar. “É uma das mais desafiadoras porque exige um tratamento prolongado, porque a unha cresce lentamente e muitas pessoas desistem antes da hora”, afirmou.

A especialista ressaltou que alterações nas unhas nem sempre são causadas por fungos. “Nem toda alteração na unha é micose. Existem outras doenças, como traumatismo, a própria psoríase, que também pode ocasionar mudanças na unha. Então, primeiro tem que fazer o diagnóstico correto com o dermatologista e depois o tratamento”, explicou.

Segundo ela, existem exames específicos para identificar o tipo de fungo presente na unha. “Existe exame também na unha para a gente detectar qual fungo está acometendo aquela unha”, disse.

Alana Wanderley alertou para os riscos da automedicação. “Isso daí é o que mais atrapalha, porque essas pomadas que vêm com betametasona, cetoconazol, neomicina, tudo junto e misturado, pomada com quatro tipos de remédio diferente, isso é o que mais atrapalha o dermatologista”, afirmou.

Ela explicou que o uso inadequado dessas substâncias pode alterar o aspecto da lesão e dificultar o diagnóstico correto. “Aquilo ali vai dificultando para a gente fazer o diagnóstico”, declarou.

Entre os mitos mais comuns, a médica destacou a ideia de que a micose desaparece sozinha. “Outro mito também é achar que a melhora parcial, que é aquela melhora que teve no início, já significa uma cura”, afirmou.

Sobre prevenção, a dermatologista disse que mudanças de hábito são fundamentais. “Se a gente não fizer essas diversas alterações no hábito de vida, provavelmente só o remédio, pode ser o mais caro que for, não vai melhorar”, alertou.

Ela recomendou secar bem a pele após o banho, evitar umidade constante e usar luvas em atividades domésticas. “Tem que usar a luva diariamente. Ah, doutora, mas entra água na luva. Então, tem que usar uma outra luva maior de borracha e amarrar uma liguinha de dinheiro”, orientou.

Também recomendou preferência por calçados ventilados, não compartilhar objetos pessoais e manter unhas curtas e limpas. “O principal que eu bato na tecla no consultório é o uso de luvas e, nos pés, evitar sapatinho fechado”, afirmou.

A médica confirmou que alguns tipos de fungos podem ser transmitidos em banheiros e ambientes compartilhados. “Existem alguns fungos que têm transmissão inter-humana, alguns fungos que são transmitidos através do solo, plantas, outros fungos são transmitidos através de cachorro ou gato e outros que são interpessoais”, explicou.

Ela também afirmou que dormir de meia ou usar tênis o dia inteiro pode favorecer a doença, especialmente em pessoas com suor excessivo. “Aquele ambiente vai favorecendo”, disse.

Segundo a médica, salões de beleza também podem representar risco de transmissão por meio de objetos compartilhados. “Pode através dos objetos pessoais mesmo. Então, por isso tem que ter aqueles cuidados, principalmente nesses locais de uso público”, afirmou.

A dermatologista destacou ainda que pessoas com diabetes ou baixa imunidade apresentam maior predisposição às micoses. “A diabetes e a imunidade baixa ocasionam a micose com mais facilidade”, disse.

Sobre receitas caseiras, Alana Wanderley afirmou que álcool e outros produtos podem piorar as lesões. Ela explicou que o vinagre só possui utilidade específica em casos associados à bactéria pseudomonas. “Quando a unha está mais esverdeada, provavelmente, além de fungo, tem bactéria também, que seria a pseudomonas. Aí o vinagre teria uma ação nisso”, explicou.

A médica afirmou que coçar as lesões também agrava os sintomas. “Quanto mais a gente coça, mais vontade de coçar vai dar”, disse.

Segundo a especialista, é importante procurar um dermatologista em casos de lesões persistentes, coceira intensa, descamação, alterações prolongadas nas unhas ou infecções recorrentes. “Às vezes, o próprio dermatologista é quem vai descobrir que você tem uma diabetes, que você tem outro problema na sua imunidade, por conta dessa frequência das infecções fúngicas”, afirmou.

Alana Wanderley também alertou para casos mais graves de micoses profundas, como a esporotricose. “Em pacientes que têm HIV positivo, ele pode se espalhar para o corpo todo, para a região do pulmão, para a região do sistema nervoso central, e isso pode ocasionar óbito”, disse.

Ela afirmou que doenças de pele não devem ser negligenciadas. “As pessoas negligenciam muito as lesões de pele e nem sempre deve ser tratada assim como uma besteira”, declarou.