Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos, apontou que hábitos de vida saudáveis podem diminuir de forma expressiva o risco de desenvolvimento do Diabetes Tipo 2, inclusive entre pessoas com maior predisposição genética para a doença. A pesquisa também concluiu que mais da metade dos casos poderia ser evitada com mudanças no estilo de vida.
O levantamento foi publicado na revista científica Diabetes e analisou informações de aproximadamente 332 mil adultos do Reino Unido. Os pesquisadores avaliaram a relação entre risco genético e fatores ligados ao cotidiano, como índice de massa corporal (IMC), prática de atividade física, alimentação e tabagismo.

Durante o acompanhamento, realizado ao longo de 14 anos, cerca de 4% dos participantes desenvolveram diabetes tipo 2. Segundo os autores, tanto a predisposição genética quanto os hábitos de vida influenciam o surgimento da doença, mas o estilo de vida apresentou impacto mais forte na redução dos riscos.
Para calcular a predisposição genética, os pesquisadores utilizaram 78 variantes genéticas associadas ao diabetes tipo 2. A partir disso, compararam os dados genéticos com os comportamentos relacionados à saúde dos participantes.
De acordo com a pesquisa, pessoas que mantinham hábitos menos saudáveis apresentaram uma probabilidade quase sete vezes maior de desenvolver diabetes em comparação com indivíduos que seguiam rotinas consideradas saudáveis. Entre aqueles com alto risco genético, o aumento da probabilidade foi de 2,6 vezes em relação às pessoas com menor predisposição hereditária.
A professora associada de epidemiologia da Universidade de Massachusetts Amherst, Cassandra Spracklen, autora sênior do estudo, afirmou que o histórico familiar não determina, necessariamente, o desenvolvimento da doença.
“Mesmo que você tenha um forte histórico familiar ou alto risco genético, não é uma conclusão inevitável que você desenvolverá diabetes tipo 2. Escolhas de estilo de vida mais saudáveis reduzirão seu risco — mesmo que você não tenha sido tão afortunado na loteria genética”, explicou.
O principal autor do estudo, Chih Joshi Zhao, doutorando em epidemiologia na universidade norte-americana, afirmou que os resultados indicam a possibilidade de reduzir significativamente o risco da doença por meio de mudanças comportamentais.
“De forma encorajadora, isso significa que os indivíduos podem reduzir significativamente seu risco por meio de comportamentos mais saudáveis, independentemente de sua predisposição genética”, declarou.
Os pesquisadores classificaram o estilo de vida dos participantes com base em quatro fatores definidos a partir de diretrizes da American Heart Association: tabagismo, índice de massa corporal, prática de atividade física e alimentação.
Segundo a análise, pessoas que apresentavam pelo menos três desses fatores em níveis considerados saudáveis foram classificadas como integrantes do grupo de estilo de vida saudável.
Entre os fatores avaliados, o índice de massa corporal apareceu como o elemento com associação mais forte ao risco de diabetes tipo 2. Em seguida, vieram tabagismo e atividade física. A alimentação também apresentou influência, embora com menor efeito independente na análise.
Os autores estimam que mais de 55% dos novos casos da doença poderiam ser teoricamente evitados caso pessoas com hábitos menos saudáveis passassem a adotar práticas mais equilibradas.
Os resultados foram semelhantes entre homens e mulheres e permaneceram consistentes ao longo das diferentes décadas analisadas no estudo. A pesquisa também incluiu participantes de diferentes grupos ancestrais, o que, segundo os pesquisadores, amplia a aplicabilidade das conclusões para diferentes populações.