A chegada da Copa do Mundo costuma transformar a rotina dos brasileiros. Reuniões com amigos, comemorações, noites em claro e o aumento do consumo de bebidas alcoólicas e petiscos fazem parte do ritual de muitos torcedores. Mas, segundo especialistas, essa combinação pode representar riscos à saúde, especialmente para pessoas com doenças crônicas ou histórico de problemas cardiovasculares.
A preocupação envolve não apenas a carga emocional gerada pelas partidas decisivas, mas também mudanças de comportamento que costumam ocorrer durante grandes eventos esportivos. O consumo excessivo de alimentos ricos em gordura, sódio e calorias, aliado à ingestão de álcool e ao estresse provocado pelos jogos, pode desencadear reações importantes no organismo.

De acordo com o cardiologista Rafael Battilani, os impactos podem surgir rapidamente.
“Essa combinação gera um impacto cardiovascular direto e em curto prazo. O excesso de sódio eleva a pressão arterial, enquanto o álcool contribui para a desidratação e para alterações no ritmo cardíaco. Quando associados ao estresse intenso de um jogo, esses fatores sobrecarregam o organismo e podem precipitar crises hipertensivas e arritmias graves, especialmente em pacientes que já possuem histórico de doenças cardiovasculares”, alerta.
Durante as partidas, o organismo reage de forma semelhante ao que ocorre em situações de estresse agudo. Há aumento da liberação de adrenalina, aceleração dos batimentos cardíacos e elevação da pressão arterial.
Para pessoas saudáveis, essas alterações costumam ser temporárias. Já para indivíduos com hipertensão, diabetes, obesidade ou antecedentes cardíacos, o impacto pode ser mais relevante.
“Em pacientes com hipertensão, diabetes, obesidade ou histórico de infarto, isso pode precipitar descompensações. Sintomas como aperto no peito, falta de ar súbita, palpitações duradouras e sensação de desmaio nunca devem ser ignorados e exigem atendimento imediato”, afirma Battilani.
Emoções também entram em campo
Os efeitos da Copa não se limitam ao coração. O aspecto emocional também ganha destaque. A expectativa antes das partidas, a tensão durante os jogos e as reações aos resultados podem provocar oscilações emocionais intensas em um curto intervalo de tempo.
Para alguns torcedores, a ansiedade ultrapassa o entusiasmo esportivo e passa a interferir na qualidade do sono, no rendimento profissional e nas relações pessoais.
Segundo Andrea Rua, coordenadora do curso de Psicologia da UniCesumar, o ambiente coletivo amplia as reações emocionais.
“O comportamento em grupo intensifica as reações emocionais, tornando as emoções contagiosas. É fundamental que o torcedor observe seus próprios sinais físicos de tensão e aplique estratégias de autocuidado para regular o estresse. A resiliência emocional se fortalece quando compreendemos que o esporte deve ser uma fonte de lazer e integração social, e não um gatilho para o sofrimento constante”, explica.
Cuidados durante a competição
Especialistas recomendam que pessoas com doenças crônicas mantenham rigorosamente seus tratamentos durante a competição e evitem alterar a rotina por causa dos jogos.
Entre as principais orientações estão:
- Manter o uso regular das medicações prescritas;
- Moderar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Evitar excessos de alimentos ricos em gordura, sódio e calorias;
- Garantir hidratação adequada ao longo do dia;
- Preservar a rotina de sono;
- Praticar exercícios respiratórios e técnicas de relaxamento;
- Buscar equilíbrio emocional diante dos resultados das partidas.
Também é importante preservar a qualidade do descanso, especialmente quando os jogos ocorrem em horários diferentes do habitual. Práticas simples, como pausas para relaxamento, exercícios de respiração e foco na convivência social, podem ajudar a reduzir os níveis de ansiedade.
“A Copa do Mundo é um momento de união. Com atenção aos limites do corpo e manutenção de hábitos preventivos, é possível acompanhar a competição protegendo a integridade física e mental”, conclui Andrea Rua.