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Saúde

Cabeleireiro do RN faz alerta após internação por suposta retatrutida

Cabeleireiro afirma que ficou cinco dias hospitalizado após utilizar substância sem aprovação da Anvisa; no mesmo dia, Polícia Civil prende suspeito de vender canetas emagrecedoras irregulares em Natal
Por O Correio de Hoje
01/07/2026 | 16:24

O cabeleireiro e influenciador Thalyson Salvino usou as redes sociais nesta terça-feira 30 para relatar que passou cinco dias internado após utilizar uma substância adquirida com o rótulo de retatrutida, que é um medicamento experimental investigado para o tratamento da obesidade e não possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e ainda não está sendo comercializada legalmente em nenhum lugar do mundo.

No vídeo, publicado após receber alta, ele afirmou que decidiu compartilhar a experiência para alertar outras pessoas sobre os riscos da compra e do uso de produtos comercializados de forma clandestina. Segundo Thalyson, ele utilizou a menor dosagem disponível, após incentivo de conhecidos, mesmo tendo sido orientado por sua médica a não fazer uso da substância.

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Cabeleireiro Thalyson Salvino - Foto: reprodução

“Eu inventei de tomar retatrutida. Não tomem, gente, não tomem retatrutida, sabe por quê? Porque não é legalizado pela Anvisa, está em fase de teste, você não sabe o que tem dentro dessa caneta ou dessa ampola”, disse nas redes sociais.

O cabeleireiro contou que precisou interromper a rotina de trabalho devido às complicações. “Minha médica falou para mim: ‘não tome, isso não está regulamentado, não é seguro’. Pois bem, me ferrei. Passei cinco dias muito, mas muito mal. Fui para o hospital. Cinco dias de hospital.”

Entre os sintomas, ele relatou episódios repetidos de hipoglicemia, náuseas intensas e incapacidade de se alimentar. “Hipoglicemias, várias vezes durante o dia. Gente, péssimo, horrível.”

Thalyson disse ainda que não há como saber qual era, de fato, a composição da caneta utilizada. “Não sei se tinha insulina dentro dessa caneta, se tinha realmente os ativos que eram para estar.”

Durante o desabafo, o influenciador reconheceu que não havia necessidade de recorrer ao produto para fins estéticos e classificou a decisão como um erro. “Para que eu fui tomar? Não sei. Não tem para quê, porque o meu corpo é maravilhoso. Sobe um pouquinho de gordura, mas isso perde com facilidade. Babaquice.”

Apesar de afirmar que acredita no potencial científico da molécula, ele defendeu que o uso só ocorra quando houver aprovação dos órgãos reguladores e fabricação por laboratórios autorizados. “Provavelmente vai ser uma molécula massa, mas quando ela vier na hora certa, no momento certo, com a legalização e com um laboratório de confiabilidade.” Ao final do vídeo, reforçou o alerta. “Estou me expondo porque quero alertar vocês. Não tomem”, disse Thalyson.

Homem é preso

Um homem de 32 anos foi preso na manhã de ontem suspeito de comercializar de forma irregular canetas emagrecedoras do tipo “retatrutida”, no bairro Pitimbu, em Natal. Segundo a Polícia Civil, o homem vendia as canetas informando ser do tipo retatrutida, no entanto, a medicação ainda não é vendida no mundo, sendo provável que a substância presente nos produtos não fosse retatrutida e colocando em risco a saúde de pessoas que adquiriram as supostas canetas.

De acordo com as investigações, a prisão ocorreu durante diligências realizadas por equipes policiais. No local, foram apreendidos os produtos comercializados de forma ilegal. Após a abordagem, o suspeito foi conduzido à unidade policial para os procedimentos legais e, em seguida, encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Fase de pesquisa

A retatrutida é um medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. A substância atua simultaneamente nos receptores GLP-1, GIP e glucagon e vem sendo estudada como uma possível alternativa para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

Embora os estudos clínicos tenham apresentado resultados promissores na perda de peso, a molécula permanece em fase 3 de pesquisas e ainda não recebeu aprovação da Anvisa nem de qualquer outra agência reguladora no mundo.

Segundo informações divulgadas pela Anvisa e por especialistas, qualquer produto vendido atualmente como retatrutida no Brasil é irregular. A agência informa que a substância não possui registro sanitário, licença para comercialização ou autorização para fabricação no País, e determinou a apreensão e a proibição da venda desses produtos.

Especialistas alertam que medicamentos comercializados no mercado clandestino podem conter impurezas, princípios ativos diferentes dos informados ou serem produzidos sem controle de esterilidade, aumentando o risco de infecções, reações adversas e outras complicações à saúde. A própria fabricante, Eli Lilly, informa que a retatrutida está disponível exclusivamente para participantes de ensaios clínicos autorizados e que qualquer comercialização da substância para uso humano ocorre de forma ilegal.