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Saúde

Quase metade dos brasileiros adia consulta após sangue nas fezes

Levantamento mostra que brasileiros reconhecem sintomas da doença, mas muitos adiam a procura por atendimento e desconhecem exame de rastreamento
Por O Correio de Hoje
21/07/2026 | 15:35

Apesar de reconhecerem que sintomas como presença de sangue nas fezes e mudança no funcionamento do intestino por mais de um mês podem ser graves, muitos brasileiros ainda adiam a busca por assistência médica. A presença desses dois sinais está entre os principais indicativos do câncer colorretal e deve ser investigada o quanto antes.

Esse é o alerta de um levantamento divulgado pelo Hospital A. C. Camargo e pela Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas sobre o câncer colorretal e seus sintomas.

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Câncer colorretal é o segundo tipo de tumor mais incidente no Brasil, com estimativa de 53,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028 - Foto: magnific

Segundo a pesquisa, oito em cada dez entrevistados declararam ter consciência de que sangue nas fezes e alterações persistentes no funcionamento do intestino podem indicar um problema grave. Cerca de 67% concordam que esses sintomas podem estar relacionados ao câncer colorretal, enquanto 24% concordam totalmente com essa afirmação. Apesar disso, quase metade não procura assistência médica com rapidez.

Atendimento costuma ser adiado

O levantamento mostrou que 9% dos entrevistados já notaram a presença de sangue nas fezes. Entre eles, 59% buscaram atendimento médico imediatamente.

Os demais adotaram outras condutas antes de procurar um profissional de saúde:

  • 19% não fizeram nada e aguardaram o sintoma desaparecer;
  • 10% esperaram dias ou semanas antes de buscar atendimento;
  • 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação;
  • 3% compraram medicamentos por conta própria em farmácias;
  • 1% pesquisou na internet antes de procurar orientação médica.

Exame ainda é pouco conhecido

Dois em cada três entrevistados (67%) afirmaram nunca ter ouvido falar da Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), principal exame utilizado para identificar sinais da doença antes do aparecimento de sintomas evidentes.

Apenas 11% disseram já ter realizado o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram.

O desconhecimento é maior entre jovens de 16 a 24 anos, faixa em que 85% nunca ouviram falar do exame. O índice também supera a média entre homens (76%), pessoas de menor renda (73%) e entrevistados com escolaridade até o ensino fundamental (72%).

A pesquisa também revelou que apenas 21% conhecem alguém que já teve câncer colorretal. Desse total, 15% relataram um familiar próximo e 6%, um amigo ou conhecido. Outros 75% afirmaram nunca ter convivido com pacientes diagnosticados com a doença.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, reforçou que sintomas como sangramento nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal contínua e perda de peso sem causa aparente não devem ser ignorados.

“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, afirmou.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no triênio 2026-2028. A doença é atualmente o segundo tipo de câncer mais incidente no país. O câncer colorretal foi a doença que levou à morte da cantora Preta Gil, em julho de 2025, após dois anos de tratamento.