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Saúde

Ciclo nasal explica por que uma narina entope mais que a outra

Mecanismo natural controlado pelo cérebro alterna fluxo de ar entre as narinas para proteger a mucosa e manter o sistema respiratório
Por O Correio de Hoje
21/07/2026 | 15:02

A sensação de que apenas uma narina está permitindo a passagem de ar não é, necessariamente, sinal de resfriado ou alergia. Mesmo em pessoas saudáveis, o organismo alterna naturalmente qual lado do nariz recebe maior fluxo de ar ao longo do dia. O fenômeno é conhecido como ciclo nasal e faz parte do funcionamento normal do sistema respiratório.

A alternância acontece de forma involuntária e costuma ocorrer, em média, a cada duas horas durante o período em que a pessoa está acordada. Durante o sono, esse processo tende a ser mais lento, acompanhando a redução da frequência respiratória.

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Mesmo em pessoas saudáveis, uma narina costuma receber mais fluxo de ar que a outra; a inversão ocorre automaticamente ao longo do dia.

O ciclo nasal é dividido em duas fases. Em uma delas, uma das narinas apresenta maior congestão, reduzindo a passagem de ar, enquanto a outra permanece mais livre. Depois de determinado período, ocorre a inversão. Essa alternância evita que uma única narina permaneça continuamente exposta ao fluxo de ar, o que poderia provocar ressecamento da mucosa e aumentar a vulnerabilidade a agentes infecciosos.

Como funciona o ciclo nasal

O mecanismo é controlado automaticamente pelo hipotálamo, região do cérebro responsável por diversas funções involuntárias do organismo. Estudos indicam que algumas pessoas com alterações nessa área podem não apresentar o ciclo nasal normalmente.

Pesquisas também sugerem que a narina esquerda tende a ser dominante com maior frequência, principalmente entre pessoas destras. Além disso, alguns estudos associam a predominância da narina direita a estados de maior alerta ou estresse, enquanto a predominância da esquerda estaria relacionada a um estado de maior relaxamento.

O nariz exerce papel importante na proteção do organismo. Estima-se que cerca de 12 mil litros de ar passem diariamente pelas vias nasais, responsáveis por filtrar partículas, aquecer e umidificar o ar antes que ele chegue aos pulmões.

Segundo o professor de Anatomia da Universidade de Lancaster, Adam Taylor, a alternância entre as narinas permite que os tecidos tenham tempo para se recuperar da exposição contínua ao fluxo de ar. Durante a fase de congestão, ocorre aumento da circulação sanguínea na mucosa nasal, favorecendo a hidratação, a regeneração dos tecidos e a manutenção da capacidade de defesa contra microrganismos.

Quando a obstrução pode indicar um problema

Infecções respiratórias, como resfriados e gripes, estão entre as principais causas de alterações no ciclo nasal. Nessas situações, o aumento da produção de muco dificulta a alternância normal entre as narinas.

As alergias respiratórias provocadas por pólen, ácaros e outros alérgenos também podem causar inflamação intensa da mucosa, comprometendo o funcionamento do mecanismo. Alguns medicamentos, especialmente os utilizados no tratamento da hipertensão arterial, podem interferir na circulação sanguínea dos vasos do nariz e favorecer a congestão.

Outro fator de risco é o uso prolongado de descongestionantes nasais. Quando utilizados por mais de cinco dias consecutivos, esses medicamentos podem provocar rinite medicamentosa, condição em que a própria medicação passa a causar obstrução nasal.

Alterações anatômicas também podem dificultar o funcionamento do ciclo nasal. Entre elas estão os pólipos nasais, presentes em cerca de 4% da população, e o desvio de septo, que pode reduzir o fluxo de ar e provocar sensação constante de nariz entupido. Em alguns casos, a correção cirúrgica é indicada para melhorar a respiração e a qualidade do sono.

Quando procurar um médico

Até mesmo a posição do corpo influencia o ciclo nasal. Ao deitar ou permanecer inclinado, ocorre maior fluxo de sangue para os tecidos do nariz. Pela ação da gravidade, secreções dos seios da face também tendem a se concentrar na narina voltada para baixo, aumentando temporariamente a sensação de obstrução.

Na maioria das vezes, a congestão causada por resfriados ou gripes desaparece em até duas semanas. Em casos de sinusite, os sintomas podem persistir por cerca de quatro semanas. Já nas alergias sazonais, o desconforto costuma durar enquanto houver exposição ao agente causador. O uso de anti-histamínicos pode ajudar a controlar os sintomas e reduzir a congestão nasal durante esse período.

Especialistas orientam que pessoas com apenas uma narina obstruída por mais de duas semanas, principalmente quando há secreção persistente ou alteração no aspecto da secreção nasal, procurem avaliação médica para investigar a causa.