BUSCAR
BUSCAR
Saúde

Entenda os efeitos do mel no organismo

Estudos apontam benefícios para a saúde intestinal, ação antioxidante e alívio da tosse, mas especialistas alertam para o alto teor de açúcares naturais
Por O Correio de Hoje
21/07/2026 | 15:13

Consumido há milhares de anos, o mel permanece entre os alimentos naturais mais utilizados no mundo, tanto pelo sabor quanto pelas propriedades nutricionais. Além de servir como alternativa ao açúcar refinado, ele contém aminoácidos, vitaminas, minerais, enzimas, proteínas e antioxidantes, compostos associados a diferentes benefícios para a saúde.

Apesar disso, especialistas alertam que o alimento possui elevada concentração de açúcares naturais e deve ser consumido com moderação.

capa portal (10)
Mel contém vitaminas e antioxidantes, mas especialistas recomendam consumo moderado - Foto: Reprodução

Existem mais de 320 variedades de mel, que variam de acordo com a origem floral, a espécie de abelha, o clima e as condições de produção e armazenamento. A composição também influencia a quantidade de nutrientes presentes no alimento.

“Embora seja uma alternativa ao açúcar refinado e aos adoçantes artificiais, também possui alto teor de açúcares naturais; portanto, é um alimento que deve ser consumido com moderação”, afirma a nutricionista Rocío Tordini.

Segundo a especialista em nutrição e obesidade Liliana Papalia, aproximadamente 80% da composição do mel é formada por carboidratos, principalmente frutose e glicose, responsáveis pelo seu valor energético.

“Ele também contém pequenas quantidades de água, proteínas, aminoácidos, enzimas, ácidos orgânicos, vitaminas do complexo B e vitamina C. Minerais como potássio, cálcio, magnésio, fósforo e zinco, além de compostos fenólicos e flavonoides”, explica.

Benefícios comprovados

Pesquisas científicas indicam que o mel pode contribuir para diferentes funções do organismo. Um estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition mostrou que o mel cru contém prebióticos, substâncias que estimulam o crescimento das bactérias benéficas da microbiota intestinal, favorecendo a digestão e a saúde intestinal.

Outro benefício está relacionado à ação antimicrobiana. Estudos sobre o própolis — substância produzida pelas abelhas — apontam potencial antibacteriano e antifúngico tanto para uso interno quanto tópico.

Papalia acrescenta que:

“Sua atividade antimicrobiana e eficácia para uso tópico em feridas e queimaduras foram comprovadas.”

Os compostos fenólicos e flavonoides presentes no mel também exercem ação antioxidante, ajudando a proteger as células contra os danos provocados pelos radicais livres.

De acordo com a nutricionista Beth Czerwony, da Cleveland Clinic, o mel cru concentra maior quantidade desses compostos por sofrer menos processamento.

“Esse tipo de mel geralmente contém pólen e uma quantidade maior de enzimas, já que não é submetido a tratamentos térmicos.”

Pesquisas citadas pela Clínica Mayo também sugerem que o mel pode apresentar propriedades antidepressivas, ansiolíticas e anticonvulsivantes, além de possíveis efeitos na prevenção de alterações da memória.

Outro uso reconhecido é o alívio da tosse em crianças com mais de um ano que apresentam infecções respiratórias leves. Segundo a Clínica Mayo, variedades como mel de eucalipto, cítrico e de menta podem contribuir para reduzir episódios de tosse noturna em algumas pessoas com infecções das vias respiratórias superiores.

Limites do consumo

Apesar dos benefícios observados em estudos, especialistas ressaltam que o mel não deve ser encarado como um alimento capaz de prevenir ou curar doenças sozinho.

“Não há evidências sólidas que demonstrem que o mel cura infecções, fortalece significativamente o sistema imunológico, desintoxica o organismo ou ajuda a controlar doenças crônicas como o diabetes”, afirma Liliana Papalia.

A nutricionista acrescenta que o alimento também não pode ser considerado um “superalimento”.

Para pessoas saudáveis, especialistas indicam que uma ou duas colheres de chá podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, desde que sejam consideradas na ingestão diária de açúcares.

O aquecimento excessivo também merece atenção. Segundo Papalia, temperaturas elevadas reduzem a atividade de enzimas naturais do mel e favorecem a formação de hidroximetilfurfural (HMF), composto utilizado como indicador de envelhecimento ou superaquecimento do produto.

“Altas temperaturas e aquecimento prolongado reduzem a atividade de enzimas naturais como a diastase e promovem a formação de hidroximetilfurfural (HMF), um composto usado como indicador de envelhecimento ou superaquecimento do mel.”

Ela recomenda:

“Se o objetivo é preservar ao máximo seus componentes bioativos, é melhor esperar alguns minutos antes de adicioná-lo a uma bebida quente.”

Ao comprar o produto, a orientação é verificar a origem, dar preferência a apicultores registrados, conferir a rotulagem e desconfiar de preços muito abaixo do mercado.

Quem deve evitar o mel

O consumo é contraindicado para crianças menores de um ano devido ao risco de botulismo infantil.

Pessoas com diabetes podem consumir o alimento apenas com orientação nutricional e planejamento da dieta. Já indivíduos com obesidade, síndrome metabólica ou resistência à insulina devem manter consumo moderado em razão do elevado teor de açúcares naturais.