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Ex-aliados
Rogério Marinho quer derrubar Paulo Guedes e virar ministro da Economia, aponta análise
Atual ministro do Desenvolvimento Regional, potiguar defende o programa Pró-Brasil, o que contraria Paulo Guedes por representar elevação dos gastos públicos
Redação
06/05/2020 | 16:53

O ministro do Desenvolvimento Regional, o ex-deputado potiguar Rogério Marinho, almeja substituir Paulo Guedes no Ministério da Economia, de acordo com análise publicada nesta quarta-feira (6) pelo site “O Antagonista”. Um sintoma da suposta intenção de Rogério seria o recente conflito com Guedes envolvendo o plano Pró-Brasil.

Nas últimas semanas, Rogério Marinho e Paulo Guedes entraram em rota de colisão. Contrariando o ministro da Economia, o potiguar tem defendido junto a ala militar do governo e a outros ministros – como o da Casa Civil, Walter Braga Netto, e o da Infraestrutura, Tarcísio Freitas – que o plano siga adiante. O Pró-Brasil prevê a elevação de gastos, a partir de obras públicas, para alavancar a economia no período pós-pandemia do novo coronavírus.

O projeto, lançado pelo governo no dia 22 de abril sem a presença de integrantes da Economia, desagradou a Paulo Guedes – que chegou a dizer que quem defende o programa age para “bater a carteira” do governo. Aliados no início do governo, os dois teriam inclusive tido uma discussão ríspida semanas atrás por causa do assunto.

Em fala após o lançamento do Pró-Brasil, Paulo Guedes classificou como “oportunismo político”, “irresponsabilidade fiscal” e “imperdoável perante a população” permitir um aumento de gastos abrindo caminho para a farra eleitoral ou o “protagonismo excessivo de um ministro aqui ou ali”. Paulo Guedes é conhecido pela agenda liberal e por defender a redução da participação do Estado na economia.

O tema fez com que Paulo Guedes chegasse a balançar no cargo. Na semana passada, porém, o próprio presidente Jair Bolsonaro veio a público para manifestar apoio ao seu ministro da Economia. “O homem que decide economia no Brasil é um só, chama-se Paulo Guedes. Ele nos dá o norte, nos dá recomendações e o que nós realmente devemos seguir”, disse Bolsonaro.

O presidente também teria se comprometido com Paulo Guedes a não levar adiante o Pró-Brasil, pelo menos não no formato como ele foi apresentado e é defendido por Rogério Marinho. Nos bastidores, o programa é comparado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), marca dos governos do PT, mas que foi criticado pelos orçamentos confusos.

De acordo com “O Antagonista”, apesar de criar desavença com Guedes, Rogério agradou a ala militar. “Marinho (…) quer criar um novo PAC, o tal Plano Pró-Brasil, que agrada aos militares, desenvolvimentistas até os bicos das botas, e a empresários da construção civil que se refestelam com dinheiro público para construir cochicholos para os pobres”, afirma o site.

Articulador político, Rogério Marinho também estaria trabalhando nos bastidores para enfraquecer Guedes junto ao Congresso. O site diz que não é improvável que o ministro do Desenvolvimento Regional tenha atuado para desfigurar parte do projeto de auxílio a estados e municípios nesta terça-feira (5) na Câmara.

Na ocasião, os deputados retiraram diversas categorias do grupo de servidores que terão os salários congelados como contrapartida dos estados e municípios para receber a ajuda – de até R$ 120 bilhões, considerando repasses diretos e suspensão do pagamento de dívidas.

Ex-deputado pelo Rio Grande do Norte, Rogério Marinho foi relator na Câmara dos Deputados, no fim de 2017, da reforma trabalhista. Já no governo Bolsonaro, enquanto secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia – indicado por Paulo Guedes –, foi idealizador e articulador da reforma da Previdência.

A mudança de perfil agora seria estratégica para tomar o lugar de Guedes, opinam analistas.

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