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“Homem que decide economia no Brasil é um só: Paulo Guedes”, afirma Bolsonaro
Ministro expôs sua contrariedade com o plano econômico anunciado na semana passada pelo governo, sem a participação de sua equipe, mas ontem recebeu apoio do presidente. Acordo com Senado prevê suspensão de reajustes para servidores
Redação
28/04/2020 | 05:00

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (27), em uma entrevista coletiva na saída do Palácio da Alvorada, que o “homem que decide a economia” no Brasil é o ministro da Economia, Paulo Guedes.
Bolsonaro deu a declaração ao sair de uma reunião com Guedes, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Netto. Os ministros estavam ao lado de Bolsonaro na coletiva.

“Acabei mais uma reunião aqui tratando de economia. E o homem que decide a economia no Brasil é um só: chama-se Paulo Guedes. Ele nos dá o norte, nos dá recomendações e o que nós realmente devemos seguir”, disse Bolsonaro.

O ministro afirmou que o governo segue firme em sua política econômica de responsabilidade fiscal. Ele afirmou que os gastos públicos extraordinários feitos em decorrência da crise do coronavírus são uma “exceção” na condução da política econômica.

“Queremos reafirmar a todos que acreditam na política econômica que ela segue e a mesma política econômica”, ressaltou Guedes. “Quando há um problema, como de saúde, o presidente fala: ‘Olha vamos par um programa de exceção’”, explicou o ministro.

Na semana passada o governo apresentou o programa Pró-Brasil, com medidas para injetar dinheiro na economia e amenizar o impacto da queda da atividade causada pela pandemia do coronavírus. Integrantes da equipe econômica não estiverem presentes na cerimônia de lançamento do programa.

O Pró-Brasil apresenta medidas que envolvem basicamente aumento dos gastos públicos. Guedes e a equipe econômica historicamente defendem investimentos privados como motor da economia.

O Pró-Brasil causou desgaste entre Bolsonaro e Guedes na semana passada.

O presidente acredita na necessidade de ação pesada do Estado patrocinando a retomada econômica, o que contraria a equipe liberal de Guedes.

O ministro, que comentou o Pró-Brasil na entrevista coletiva desta segunda, também estaria em atrito com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que defende a proposta – que custaria mais de R$ 30 bilhões só este ano.

“O programa Pró-Brasil, na verdade, são estudos justamente na área de infraestrutura, de construção civil, são estudos adicionais para ajudar nessa arrancada de crescimento. Isso vai ser feito dentro dos programas de recuperação de estabilidade fiscal nossa”, disse Guedes.

Ao reforçar a determinação do governo de manter a diretriz de controle de gastos públicos, ele afirmou que o Brasil não vai se transformar em Venezuela ou Argentina.

“Nós não queremos virar Argentina, nós não queremos virar a Venezuela. Estamos em outro caminho, estamos no caminho da prosperidade, e não no caminho do desespero”, acrescentou Guedes.

Segundo Guedes, o governo poderá ampliar investimentos próprios em infraestrutura, mas sem criar grandes planos de desenvolvimento, a exemplo dos criados em governos anteriores.

“O Tesouro não investe, o Tesouro é o caixa. Quem investe é o governo, se decidir. E o governo, sim, aumenta investimentos em infraestrutura. Acabamos de conversar com ministro Tarcísio, não tem problema nenhum.

O que não podemos fazer é justamento planos nacionais de desenvolvimento, como era antigamente, porque a nossa direção é outra. O excesso de gastos de governo corrompeu a democracia brasileira, estagnou a economia brasileira”, afirmou.

Congelamento de salários de servidores

O ministro Paulo Guedes também propôs nesta segunda-feira a suspensão de reajustes e promoções dos servidores públicos federais, além do funcionalismo estadual e municipal, na negociação com o Senado para a proposta de socorro a governadores e prefeitos.

Além disso, o governo propõe aumentar de três para quatro meses o prazo de duração da ajuda financeira desde que haja contrapartida de suspensão dos reajustes salariais e promoções por dois anos. O projeto pode ser votado na próxima quarta-feira (29), mas ainda não há acordo fechado.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou durante a sessão desta segunda-feira que a proposta para socorrer estados e municípios deve proibir o reajustes nos salários de servidores federais, estaduais e municipais por 18 meses. Segundo o presidente da Casa, a estimativa passada pelo Ministério da Economia é de que sejam poupados R$ 130 bilhões durante o período.

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