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Vice

Cúpula do PL sustenta Gaspar na vice de Flávio e quer superar críticas

Escolha provocou insatisfação entre aliados e levou acusações contra o deputado ao centro da campanha presidencial
Redação
08/08/2026 | 14:23

A cúpula do PL descarta, neste momento, substituir o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com reportagem do Metrópoles, uma mudança somente seria considerada caso o próprio parlamentar desistisse da candidatura.

Gaspar foi anunciado como vice de Flávio na quarta-feira 5, após o partido não conseguir formar uma aliança com outras legendas. A escolha surpreendeu aliados e contrariou integrantes da ala feminina do PL, que esperavam uma mulher na composição.

Alfredo Gaspar foi anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro
Alfredo Gaspar foi anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Durante a pré-campanha, Flávio havia intensificado a defesa de uma mulher como candidata a vice. A estratégia buscava ampliar a candidatura e reduzir a resistência enfrentada pelo bolsonarismo entre parte do eleitorado feminino.

Apesar da reação interna, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), sustentam a permanência de Gaspar. A campanha pretende administrar o desgaste antes do início da propaganda eleitoral, marcado para 16 de agosto.

Acusação levada à PF preocupa campanha

Um dos principais pontos de preocupação é uma acusação de estupro de vulnerável apresentada à Polícia Federal pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), durante os trabalhos da CPMI do INSS.

Os parlamentares pediram a apuração da suspeita de que Gaspar teria mantido relação sexual com uma adolescente de 13 anos, que posteriormente engravidou. A PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para abrir um inquérito, mas o pedido ainda não havia sido autorizado. O procedimento tramita sob sigilo e está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes.

Gaspar nega a acusação e afirma ser vítima de perseguição política. Segundo o deputado, os fatos mencionados envolvem um primo dele, que teria mantido uma relação com outra adolescente quando ambos eram menores de idade.

A defesa do parlamentar também pediu rapidez na realização de um exame de DNA. Gaspar sustenta que o resultado afastará a suspeita apresentada contra ele.

Emenda Pix também gera questionamentos

Outro assunto monitorado pela campanha envolve uma emenda Pix de aproximadamente R$ 6,2 milhões destinada por Gaspar ao município de São José da Laje, em Alagoas.

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União apontou problemas que teriam dificultado o acompanhamento da aplicação dos recursos. O ministro Flávio Dino, do STF, determinou que a Polícia Federal analise possíveis irregularidades relacionadas a essa e a outras emendas.

Gaspar nega ter cometido qualquer ilícito. Em nota, afirmou que o caso voltou a ganhar repercussão devido ao acirramento político após a oficialização de sua candidatura. O deputado também declarou que a Procuradoria-Geral da República analisou os recursos e arquivou o caso por falta de elementos que justificassem o prosseguimento.

Escolha ocorreu após impasse com partidos

Antes de anunciar Gaspar, Flávio avaliou nomes como Tereza Cristina (PP-MS), Daniella Marques (Republicanos) e Renata Abreu (Podemos-SP). As negociações não avançaram porque os partidos envolvidos decidiram não aderir oficialmente à candidatura presidencial do PL.

Sem o apoio dessas legendas, a definição ficou restrita a nomes do próprio partido.

A campanha apresenta como justificativas para a escolha a experiência do deputado nas áreas jurídica e de segurança pública, sua atuação como relator da CPMI do INSS e sua origem nordestina. Gaspar foi promotor de Justiça, procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas antes de chegar à Câmara.

Como candidato a vice, Gaspar terá a missão de ampliar a presença da chapa no Nordeste, região em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém ampla vantagem eleitoral.

A atuação na CPMI do INSS também deverá ser explorada durante a campanha. Como relator, Gaspar propôs o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. O relatório, porém, foi rejeitado pela comissão por 19 votos a 12.

Mesmo sem uma mulher na vice, Flávio pretende manter compromissos voltados ao eleitorado feminino. A estratégia busca conter a insatisfação provocada pela composição da chapa e reduzir a resistência das eleitoras à candidatura.