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Eleições 2026

[VÍDEO] Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar como candidato a vice

Deputado federal por Alagoas foi relator da CPMI do INSS; escolha foi oficializada durante coletiva do PL em Brasília
Redação
05/08/2026 | 11:28

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, anunciou nesta quarta-feira 5 o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente. Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Gaspar foi escolhido após o senador não conseguir formar uma aliança com partidos do Centrão.

A indicação busca fortalecer a candidatura no Nordeste, região em que Flávio aparece em desvantagem diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dar maior destaque à segurança pública. O tema tem ocupado espaço central na campanha do senador, que adota um discurso mais rígido para o setor.

Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar durante o anúncio da composição da chapa presidencial do PL
Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar durante o anúncio da composição da chapa presidencial do PL Foto: Reprodução/Youtube

Gaspar deixou o União Brasil e se filiou ao PL em março com a intenção inicial de disputar uma vaga no Senado. Sua atuação na CPMI também deverá ser explorada pela campanha presidencial. Como relator, ele procurou associar as fraudes envolvendo descontos em aposentadorias e pensões ao governo Lula, com várias menções ao presidente no parecer, enquanto deu pouca ênfase à cúpula da administração anterior.

O deputado chegou a propor o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. O relatório, entretanto, foi rejeitado após o governo derrotar a oposição na votação da comissão. Com Gaspar na chapa, o PL pretende levar as suspeitas envolvendo Lulinha para o centro do debate eleitoral.

A formação de uma chapa composta por dois homens do mesmo partido contraria o planejamento inicial de Flávio, que buscava uma mulher filiada a uma legenda aliada. A escolha também expõe o isolamento do candidato depois das recusas de PP, União Brasil e Republicanos em integrar formalmente sua campanha.

Sem uma coligação, Flávio terá aproximadamente 20% menos tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão do que Lula, cuja aliança reúne outras seis legendas. O prazo para a realização das convenções partidárias e a definição das alianças termina nesta quarta.

Na terça-feira 4, Flávio admitiu que a procura por um nome para a vice havia se transformado em “uma novela” e afirmou que a decisão poderia ficar para o dia 15, prazo final para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. Naquela mesma noite, porém, o PL informou que a escolha estava concluída e convocou a imprensa para o anúncio.

A preferência do senador era pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos. Flávio afirmou ser “público” que “gostaria muito” de tê-la como vice e disse ter deixado esse interesse claro nas negociações. O Republicanos, contudo, aprovou em convenção nacional a neutralidade na disputa presidencial.

Outra alternativa foi a senadora Tereza Cristina (PP-MS), nome defendido pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Inicialmente resistente, ela acabou convencida por aliados de Flávio e aceitou integrar a chapa, mas o PP vetou a aliança. Assim como o Republicanos, o partido decidiu pela neutralidade após consultar seus diretórios estaduais.

Apesar de não terem sido escolhidas, Tereza Cristina, Daniella Marques e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), também mencionada nas negociações finais, acompanharam o anúncio da chapa nesta quarta-feira.

A campanha procurava um candidato a vice com projeção nacional, capacidade de atrair votos e identificação com segmentos específicos, como o eleitorado evangélico, o agronegócio ou o Nordeste. Pesquisas internas, entretanto, indicaram dificuldades para encontrar um nome que reunisse essas características. Dentro do PL, também houve a defesa da escolha de uma mulher nordestina.

Flávio vinha demonstrando preferência por uma companheira de chapa como forma de reduzir sua rejeição entre as eleitoras. Com o mesmo objetivo, passou a ampliar a participação da esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, nos atos de campanha.

A tentativa de aproximação com o público feminino ganhou importância depois que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou publicamente ter sido maltratada por Flávio. A crise surgiu no fim de junho, mas os dois deram sinais de reconciliação cerca de um mês depois. Michelle aceitou um pedido público de desculpas do enteado e prometeu ajudá-lo na campanha.

Políticos do Centrão atribuem a dificuldade para formar uma coligação e construir uma chapa mais diversa à falta de diálogo e de capacidade de articulação de Flávio. Integrantes do PL, por outro lado, afirmam que a influência política e o poder de negociação do governo Lula afastaram as legendas de centro da candidatura bolsonarista.