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Entrevista
Marco do saneamento vai melhorar “qualidade de vida”, afirma Serquiz
Diretor da Fiern e membro do Conselho Estadual do Meio Ambiente comemora aprovação da lei que aumenta a participação da iniciativa privada no serviço de fornecimento de água e tratamento de esgoto, com metas para universalização do serviço na próxima década
Redação
02/07/2020 | 00:28

O Senado aprovou na semana passada o novo marco legal do saneamento básico. A proposta, que já passou pela Câmara dos Deputados e que agora aguarda sanção do presidente Jair Bolsonaro, altera as regras para a prestação de serviços de saneamento, facilitando a entrada de empresas privadas no mercado e buscando universalizar o acesso no Brasil.

De acordo com a proposta, ao assumirem a concessão do serviço nos municípios brasileiros, as empresas terão de assumir o compromisso de levar água potável a 99% da população até 2033. Além disso, levar a coleta e tratamento de esgoto a pelo menos 90% do território nacional.

Na avaliação do empresário Roberto Serquiz, diretor da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) e membro titular do Conselho Estadual de Meio Ambiente, o novo marco legal vai beneficiar brasileiros que não têm coleta de esgoto e água tratada.

Nesta entrevista ao Agora RN, Serquiz comemora a aprovação do projeto e fala também sobre como o setor produtivo potiguar acompanha os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus. Acompanhe:

AGORA RN – O novo marco regulatório do saneamento básico prevê licitação com concorrência para serviços e metas a serem atingidas. Isso ajuda o crescimento do País?

ROBERTO SERQUIZ – Isso resgata a capacidade de investimento em saneamento básico e promove o crescimento e a melhoria na qualidade de vida e saúde dos brasileiros. As concessões públicas não conseguem acompanhar a demanda. A participação da iniciativa privada será vital na recuperação da defasagem de décadas nessa área. Além disso, beneficiará milhões de pessoas que não têm acesso à coleta de esgoto e água tratada. Atualmente, cerca de 35 milhões de pessoas não têm água tratada e mais de 100 milhões vivem sem coleta de esgoto, o que faz com que grande parcela de brasileiros não tenha direito a saúde.

AGORA – A pauta ambiental, que o senhor sempre defendeu, tem se revelado um importante ativo para o crescimento econômico. O que falta no RN?

RS – A pauta ambiental congrega vários temas em torno da sustentabilidade. Podemos citar diversas políticas públicas: de resíduos sólidos, recursos hídricos, saneamento básico, energias renováveis, mineração, Plano Diretor. Todas com forte demanda de investimentos. A transversalidade da pauta ambiental se reveste de uma das legislações mais completas do mundo, mas ainda não se conseguiu uma condução eficiente.

AGORA – Por quê?

RS – Porque ainda temos ramais ideológicos, custos e regulações que precisamos vencer na interpretação das leis face ao desenvolvimento sustentável. O desenvolvimento socioeconômico não pode ser sacrificado diante da técnica e do bom senso.

AGORA – Na sua opinião, o que os empresários do RN podem tirar de lição da pandemia, se é que há alguma? E como o conjunto das forças produtivas poderia se comportar nesse momento?

RS – A pandemia deu uma sacudida no mundo. Temos uma crise solidária, somos todos iguais. Ela deixará vários ensinamentos. Desafios e oportunidades de se repensar crenças, hábitos, costumes e atitudes. Fica, por exemplo, a lição que empregados e empregadores não são seres antagônicos. Haverá uma tendência à sociabilização de interesses.

AGORA – Os empresários potiguares têm potencial para unir esforços em operações conjuntas para diminuir os efeitos econômicos no período pós-pandemia?

RS – Desde o início do isolamento social que os setores produtivos se uniram em torno de objetivos em comum. Muitos ajustes em torno da redução dos impactos provocados pela Covid-19 foram deliberados com entidades, órgãos reguladores e governos municipais, estadual e federal. Do apoio ao enfrentamento da doença, criação de mecanismo para superação das dificuldades, acesso ao crédito e elaboração de plano de reabertura, temos um conjunto de esforços coordenados para superação desse momento desafiador da indústria potiguar.

AGORA RN – Que mensagem o senhor daria neste momento aos empresários potiguares?

RS – A superação é o desafio. Não maior que a história empresarial de cada um, o vencedor não é aquele que sempre vence, mas aquele que nunca para de lutar. A persistência deve ser o principal hábito.

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