A cerca de dois meses do início oficial do período eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda enfrentam indefinições na formação de palanques nos oito maiores colégios eleitorais do país. Juntos, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará somam mais de 100 milhões de eleitores, o equivalente a quase 70% do eleitorado brasileiro. As informações são do g1.
Nos estados considerados prioritários pelas campanhas, questões relacionadas à definição de candidaturas, alianças e composição de chapas ainda permanecem em aberto.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com 31,2 milhões de eleitores, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) buscará a reeleição e deverá liderar o palanque de Flávio Bolsonaro. Do lado de Lula, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) é o nome escolhido para disputar o governo estadual.
No campo governista, a principal indefinição está nas vagas para o Senado. A composição considerada mais competitiva reúne Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), mas Márcio França (PSB) também reivindica espaço na chapa. Outra discussão envolve a escolha do candidato a vice-governador.
“Precisa resolver a questão da vice do Haddad e tem uma sobreposição, vamos chamar assim, de candidatos ao Senado que precisa resolver. É um problema? É, mas é um problema bom”, afirmou o deputado federal Jilmar Tatto (PT), coordenador do grupo de trabalho eleitoral do partido.
Pelo lado do PL, Tarcísio terá como candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Apesar de apoiar Flávio Bolsonaro, o governador tem mantido distância da pré-campanha presidencial após a divulgação de informações relacionadas ao Banco Master.
“Como eu falei, eu acho que tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar. A população está vendo esse escândalo do Banco Master, que é uma coisa que agride a sociedade como um todo. Isso deixa a sociedade em alerta e aí tudo tem que ser muito bem explicado”, declarou Tarcísio em entrevista coletiva no dia 26 de maio.
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com 16,7 milhões de eleitores, tanto Lula quanto Flávio enfrentam dificuldades para consolidar seus palanques.
A principal aposta do PT para disputar o governo mineiro era o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que anunciou no fim de maio que deixará a vida pública.
“Tenho uma vida plenamente realizada e é sempre o momento da gente avaliar ciclos. Há um fechamento de ciclo na política que eu decidi fazer com o sentimento de dever cumprido”, afirmou.
Com a desistência de Pacheco, surgiram alternativas como o empresário Josué Gomes da Silva (PSB), o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT).
No campo da oposição, o cenário também permanece indefinido. O grupo político do governador Romeu Zema (Novo) lançou Mateus Simões (PSD) ao governo, enquanto o PL avalia o nome de Flávio Roscoe. O senador Cleitinho (Republicanos), que lidera pesquisas de intenção de voto, ainda não definiu se será candidato.
“Isso [candidatura] eu só vou definir e falar depois de julho”, declarou.
No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro enfrenta incertezas após a desistência do ex-governador Cláudio Castro de disputar o Senado. A vaga passou a ser disputada por nomes como Sóstenes Cavalcante (PL), Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL).
Já Lula terá como principal aliado o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo estadual, além da deputada Benedita da Silva (PT) para o Senado.
Na Bahia, onde Lula recebeu 72% dos votos em 2022, o presidente terá um palanque formado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, e pelos petistas Jaques Wagner e Rui Costa na disputa ao Senado.
Já Flávio Bolsonaro conta com o apoio do PL na chapa de ACM Neto (União Brasil), mas o ex-prefeito de Salvador ainda não declarou apoio à candidatura presidencial do senador.
No Paraná, Flávio Bolsonaro terá como principal aliado o senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do estado. Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) disputarão as vagas ao Senado.
Lula apoiará Roberto Requião Filho (PDT) para o governo e Gleisi Hoffmann (PT) para o Senado. A avaliação do PT é que a disputa entre grupos da direita pode favorecer o crescimento de sua candidatura no estado.
No Rio Grande do Sul, os dois grupos já possuem palanques definidos. Lula apoiará Juliana Brizola (PDT) ao governo estadual, tendo Edegar Pretto (PT) como vice. Flávio Bolsonaro terá Luciano Zucco (PL) como candidato ao governo, além de Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) para o Senado.
Em Pernambuco, Lula trabalha para construir um palanque duplo envolvendo a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), que disputam o governo estadual.
A campanha petista busca manter o apoio das duas lideranças, enquanto Raquel Lyra ainda não declarou apoio formal ao presidente.
Já Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para encontrar um candidato competitivo ao governo pernambucano após a desistência de Eduardo Moura (Novo). O deputado Mendonça Filho (PL), candidato ao Senado, tornou-se uma das principais referências do grupo no estado.
No Ceará, Lula tem um cenário definido com o governador Elmano de Freitas (PT) buscando a reeleição, acompanhado por Cid Gomes (PDT) e Eunício Oliveira (MDB) na disputa ao Senado.
“Pro Lula, o palanque está bom. O compromisso nosso é com Eunício e Cid”, afirmou Jilmar Tatto.
Para Flávio Bolsonaro, o cenário é mais instável. O PL estadual fechou apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo, decisão que gerou divergências dentro do campo conservador. O senador Eduardo Girão (Novo) criticou o acordo.
“O PL no Ceará é centrão. Fez acordo político com o Ciro Gomes para eleger senador o pai do deputado. Quem é de direita de verdade está comigo”, afirmou Girão.
Com o início oficial da campanha se aproximando, PT e PL intensificam as negociações para consolidar alianças e fortalecer seus palanques nos estados que concentram a maior parcela do eleitorado brasileiro.