O PSD oficializou neste domingo 26 a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República, tendo como vice o ex-prefeito de São Paulo e presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. Com 4% das intenções de voto, o presidenciável pretende crescer entre os eleitores que rejeitam tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL), líderes da disputa.
Durante a convenção realizada em São Paulo, Caiado procurou apresentar-se como uma alternativa de centro-direita distante da polarização entre PT e PL. O candidato afirmou que não pretende participar de “brigas inúteis” e associou os dois principais adversários a escândalos políticos.

“Para governar, o candidato precisa de independência moral e coragem pessoal. Coragem para libertar o país do sequestro do PT e das facções. De não ser um candidato ‘Kinder Ovo’ com uma surpresa todo dia. Mas sim, um candidato que nunca se envolveu em rachadinha, mensalão, petrolão, escândalo do Master”, declarou.
Caiado também argumentou que os brasileiros não devem “optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional”. A declaração foi uma referência a Lula e Flávio, que concentram as intenções de voto, mas também enfrentam resistência de parcelas expressivas do eleitorado.
Na avaliação do candidato do PSD, os dois polos alimentam uma disputa marcada pela “vaidade” e por declarações agressivas destinadas a manter as atenções da campanha sobre seus respectivos grupos.
Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (BR-01166/2026) coloca Lula na liderança do primeiro turno, com 40%, seguido por Flávio, com 32%. Caiado aparece depois, com 4%, tecnicamente empatado com outros candidatos dentro da margem de erro do levantamento. A estratégia do PSD é tentar converter em apoio a insatisfação dos eleitores que não se identificam com nenhuma das duas principais candidaturas.
Em seu discurso, Caiado criticou tanto a postura de Lula diante do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsável pela imposição de tarifas às exportações brasileiras, quanto a aproximação do PL com o presidente argentino Javier Milei. O argentino participou no sábado da convenção que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto.
“O atual presidente quer de toda maneira provocar o presidente dos Estados Unidos. Do outro lado, vemos as mesmas agressões, inclusive com insulto a autoridades, no sentido de desviar dos assuntos dos quais deveria prestar esclarecimentos”, afirmou Caiado.
O candidato do PSD procurou ainda reforçar sua imagem de defensor de uma política mais rigorosa para a segurança pública. Caiado prometeu endurecer a legislação penal aplicada a agressores de mulheres, estupradores e pedófilos, em um aceno aos eleitores que cobram medidas mais severas contra crimes violentos.
Ao explicar o posicionamento político que pretende representar, Caiado afirmou que a centro-direita deve estar vinculada a princípios e à defesa da integridade na vida pública.
“É o significado de princípios. Então, quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita, é ladrão. Você tem que ter alguém que cumpra todas as exigências necessárias para ter essa autoridade e, num segundo turno, debater e mostrar a diferença”, disse.
Apoios e ausências
A convenção reuniu antigos concorrentes de Caiado na disputa interna do PSD. Os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, chegaram durante a entrevista coletiva e manifestaram apoio à candidatura.
Ratinho desistiu da corrida pela indicação partidária, enquanto Leite chegou a demonstrar insatisfação com a escolha do ex-governador goiano antes de aderir à decisão da legenda.
Outro participante foi o ex-deputado federal Aldo Rebelo, que exerceu cargos de ministro nos governos Lula e Dilma Rousseff e teve sua candidatura presidencial vetada no DC. Apontado como uma das surpresas do encontro, Rebelo defendeu Caiado durante a coletiva de imprensa e também no ato político realizado posteriormente.
O governador de Goiás, Daniel Vilela, que tenta suceder Caiado no comando estadual, também compareceu.
Entre as ausências destacadas estavam as dos governadores Raquel Lyra, de Pernambuco, e Mateus Simões, de Minas Gerais, além do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes.
Ato em São Paulo
Depois da convenção e da entrevista coletiva, Caiado, Kassab e seus aliados participaram de um ato nas proximidades da Praça da Bandeira, no centro da capital paulista.
Desde o início da manhã, militantes ocuparam a área em frente ao palco com bandeiras e adesivos. Parte do material associava as imagens de Caiado e Kassab à do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), embora ele apoie a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
No palco, Caiado elevou o tom dos ataques contra os dois principais adversários. Ao criticar o nível da taxa de juros durante o governo federal, chamou Lula de “agiota”.
“Um país endividado, sem saber o que fazer, que foi induzido a tomar dinheiro emprestado, e o agiota maior, o Lula, cobra uma taxa de 14% do cidadão brasileiro. Aí faz o Desenrola, cortesia com o chapéu alheio, dando aquilo que é o seguro do trabalhador para pagar agiotagem no Brasil”, disse.
Flávio, por sua vez, foi chamado de “frango de granja”, em uma provocação sobre sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Aqueles candidatos que, na vida, não têm como explicar. Qualquer coisa chamam o papai, ‘vou ler uma carta dele’. Que nem frango de granja, que vai lá, come a ração, toma o antibiótico. Não, o Caiado é galo de terreiro. Sou acostumado na briga”, afirmou.
Kassab havia acertado a presença de Tarcísio na primeira parte do evento, quando o PSD paulista anunciaria apoio à reeleição do governador. O republicano, porém, não compareceu.
Nos bastidores, a ausência foi atribuída à divulgação, nas redes sociais, de um convite do dirigente partidário que vinculava a imagem de Tarcísio à candidatura de Caiado.
O PSD também convidou André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), integrantes da chapa estadual que disputarão vagas no Senado. Já Felício Ramuth (MDB), que deixou o PSD para ser novamente indicado ao cargo de vice-governador de São Paulo, não foi chamado para o evento.