Em meio aos desdobramentos da divulgação das mensagens em que solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro voltou a adotar um discurso de endurecimento na área da segurança pública.
Em participação na Bahia Farm Show, realizada em Luís Eduardo Magalhães, nesta terça-feira 9, o parlamentar afirmou que um eventual governo sob seu comando defenderia medidas como a redução da maioridade penal e a adoção da castração química para condenados por crimes sexuais.

Durante o pronunciamento, Flávio afirmou que pretende combater com rigor as organizações criminosas e endurecer a legislação penal.
“Nós, juntos, vamos libertar o povo brasileiro desse poder paralelo desses narcotraficantes. Nós vamos reduzir a maioridade penal. A gente vai aprovar a castração química para estuprador. É assim que bandido vai ser tratado”, declarou.
As manifestações reforçam uma estratégia de concentrar a pré-campanha no tema da segurança pública, uma das principais bandeiras do senador. Nas últimas semanas, Flávio intensificou as críticas ao governo federal e passou a defender medidas mais severas contra o crime organizado, movimento que ganhou força após a repercussão do caso envolvendo Daniel Vorcaro, responsável pelo financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A agenda também acompanha a ofensiva internacional liderada pelo parlamentar para que as facções Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho sejam reconhecidas pelos Estados Unidos como organizações terroristas. Em maio, Flávio esteve em Washington para apresentar essa proposta a integrantes do governo do presidente Donald Trump.
Na Bahia, o senador voltou a utilizar a expressão “narcoterroristas” para se referir às facções criminosas e afirmou que uma futura gestão de direita daria prioridade ao enfrentamento dessas organizações.
“Nós vamos libertar cada baiano que hoje mora numa área dominada por esses narcoterroristas, porque esses marginais têm até o final do ano para meter o pé do Brasil, porque senão ou eles vão ser presos ou vão ser neutralizados. Vamos voltar a ter ordem na Bahia”, afirmou.
O discurso também foi direcionado ao público do agronegócio, predominante na feira agropecuária. Flávio criticou o tratamento dispensado ao setor pelo governo federal e prometeu maior valorização dos produtores rurais caso o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro retorne ao Palácio do Planalto.
“Vocês carregam esse Brasil nas costas e não merecem ter um presidente que trata o agro como se fossem fascistas, como se fossem bandidos”, disse.
Na mesma linha, o senador defendeu políticas de incentivo ao crédito rural e afirmou que o setor voltaria a ter protagonismo em uma eventual gestão de direita.
“A partir de janeiro do ano que vem, o agro vai voltar para a Presidência da República. Tem que garantir financiamento barato para o agro. Tem que fazer de tudo para honrar cada um de vocês, que alimentam mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo”, declarou.
Em tom eleitoral, Flávio também buscou aproximar seu discurso do eleitorado baiano, estado administrado pelo PT há vários anos e tradicionalmente favorável ao partido nas eleições nacionais. O senador associou os problemas sociais e de segurança aos governos petistas e afirmou que a direita pretende ampliar sua presença política no estado.
“Eu quero cada um de vocês do meu lado este ano e do lado desse time, dessa seleção que está aqui nesse palco hoje, para a gente libertar a Bahia e libertar o Brasil”, afirmou.
Em outro trecho da fala, o parlamentar relacionou o discurso de segurança pública à geração de oportunidades econômicas e prometeu atenção à população de menor renda.
“Nós vamos libertar a Bahia e vamos estender a mão para o povo trabalhador”, declarou.