A trajetória de Neymar com a Seleção Brasileira chegou oficialmente ao fim. Um dia após a vitória do Santos Futebol Clube sobre a Universidad Central de Venezuela pela Copa Sul-Americana, o atacante confirmou que não voltará a vestir a camisa da equipe nacional. A declaração foi dada na zona mista da Vila Belmiro e encerra semanas de especulação iniciadas após a eliminação do Brasil para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Na ocasião, o camisa 10 havia deixado o gramado aos prantos e sinalizado que seu ciclo pela seleção havia terminado, mas ainda sem um anúncio definitivo.
“Meu momento na seleção brasileira já foi. Fiz história, fui muito feliz, dei meu sangue, minha vida, sempre briguei e lutei pela Amarelinha, mas eu acho que eu não quero mais, não”, afirmou o jogador, encerrando oficialmente uma carreira iniciada em agosto de 2010 e que atravessou quatro Copas do Mundo. A confirmação transforma em decisão definitiva o que já havia sido antecipado pelo atleta logo após a derrota para a Noruega, quando declarou: “Tentei, tentei. Agora acabou”.

A despedida ocorreu após mais uma eliminação precoce da Seleção em um Mundial. O Brasil foi derrotado por 2 a 1 pela Noruega, com dois gols de Erling Haaland. Neymar, que iniciou a partida no banco de reservas, entrou no segundo tempo e marcou o único gol brasileiro em cobrança de pênalti nos acréscimos. O lance foi seguido por uma discussão com o goleiro norueguês Ørjan Nyland antes do apito final. A eliminação representou o pior desempenho da Seleção em Copas do Mundo desde 1990 e encerrou mais uma tentativa frustrada de conquistar o hexacampeonato.
Neymar deixa a Seleção como um dos jogadores mais produtivos de sua história. Foram 130 partidas, 80 gols e 58 assistências, números que o colocam entre os maiores protagonistas da equipe nacional nas últimas décadas. Ao longo da carreira internacional, tornou-se o maior artilheiro da história da Seleção principal em números absolutos e encerrou sua participação em Copas do Mundo com nove gols, marca que o coloca entre os principais goleadores brasileiros na competição. Também igualou Pelé, Gilmar e Leão em número de partidas disputadas em Mundiais, com 14 jogos.
Apesar dos recordes individuais, a carreira de Neymar na Seleção ficou marcada pela ausência do principal título do futebol mundial. Seu único troféu pela equipe principal foi a Copa das Confederações Fifa, conquistada em 2013, quando o Brasil venceu a Espanha na final e o atacante foi eleito o melhor jogador da competição. Em âmbito olímpico, liderou a equipe sub-23 na conquista da inédita medalha de ouro nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, convertendo o pênalti decisivo contra a Alemanha. Embora não faça parte das estatísticas da seleção principal, o título olímpico consolidou sua posição como um dos personagens mais relevantes do futebol brasileiro na última década.
Sua relação com a Copa do Mundo foi marcada por momentos de protagonismo e frustrações. Em 2014, no Brasil, comandava a equipe até sofrer a grave lesão na coluna após choque com o colombiano Camilo Zúñiga, ficando fora da semifinal contra a Alemanha. Em 2018, na Rússia, voltou a ser o principal nome da equipe, eliminada nas quartas de final pela Bélgica. No Catar, em 2022, marcou diante da Croácia nas quartas de final, mas viu a classificação escapar nos pênaltis. Já em 2026, chegou ao Mundial cercado por dúvidas em razão de problemas físicos, foi utilizado de forma limitada por Carlo Ancelotti e participou apenas de duas partidas antes da eliminação diante da Noruega.
O encerramento da carreira internacional também simboliza o fim de um ciclo iniciado ainda na transição da geração campeã da Copa América de 2007. Ao longo de 16 anos, Neymar assumiu a responsabilidade técnica e comercial da Seleção Brasileira, tornando-se a principal referência esportiva da equipe em um período de forte renovação. Lesões frequentes, mudanças de treinadores e eliminações sucessivas em grandes torneios impediram que a equipe transformasse o talento individual do camisa 10 em títulos de maior expressão.
A confirmação da aposentadoria abre espaço para uma nova fase da Seleção Brasileira, que deverá iniciar o ciclo para a Copa do Mundo de 2030 sem o jogador que liderou a equipe durante quatro edições consecutivas do torneio. Aos 34 anos, Neymar continuará defendendo o Santos até o fim de seu contrato, mas encerra definitivamente sua participação pela Amarelinha deixando um legado estatístico expressivo, uma geração marcada por expectativas elevadas e a imagem de um dos maiores talentos produzidos pelo futebol brasileiro no século XXI, ainda que sem conquistar o título que perseguia desde sua estreia em 2010.