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Entrevista

Fazer eleição “é negar que estamos em uma pandemia”, declara Cícero Martins

Vereador de Natal é contra realização de eleições deste ano por causa da pandemia do coronavírus e critica comportamento do Congresso e do TSE. Ele também fala sobre os impactos da pandemia no Rio Grande do Norte e avalia como governos estão fazendo enfrentamento
Agora RN
08/07/2020 | 22:07

O vereador de Natal Cícero Martins (Progressistas), que está prestes a finalizar seu primeiro mandato na Câmara Municipal, avalia que realizar eleições no formato tradicional, mesmo que só em novembro, é “negar que estamos em uma pandemia”, como a atual, provocada pelo novo coronavírus.

O parlamentar considera “ridículo” o modo como Congresso Nacional e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) trataram o assunto. “Houve comprometimento escolar, desemprego, mortes e muita sequela dessa pandemia. Mas, eleições não pode deixar de haver…”, afirma ele.

Fazer eleição “é negar que estamos em uma pandemia”, declara Cícero Martins

Nesta entrevista exclusiva ao Agora RN, Cícero Martins comenta o adiamento das eleições municipais deste ano – que vão acontecer nos dias 15 e 29 de novembro (primeiro e segundo turnos) – e os impactos da crise do coronavírus, além da estratégia de combate à pandemia adotada pelos governos federal, estadual e municipal. Confira:

AGORA RN – Como o senhor avalia o desempenho da Prefeitura do Natal no combate à crise do novo coronavírus?

CÍCERO MARTINS – No primeiro momento, eu percebi que não estavam sabendo lidar com a doença. Foi preciso um tempo para encontrarem um denominador comum. O maior acerto da Prefeitura foi montar um Comitê Científico de combate à Covid-19. A partir daí a Prefeitura passou a combater a doença de forma mais eficiente, que é através de tratamentos profiláticos, com uso de ivermectina, azitromicina, corticoides e anticoagulantes. Além disso, passou a realizar testes. Enfim, apesar de algumas falhas, vejo como positiva a atuação da Prefeitura no combate à Covid-19.

AGORA – O prefeito Álvaro Dias determinou a distribuição de hidroxicloroquina e ivermectina como “prevenção”, mas os dois medicamentos não têm eficácia comprovada contra o coronavírus. Por isso, foi acusado de “populismo”. O senhor concorda?

CM – Eu teria feito a mesma coisa que ele. Prefiro ser tachado de “populista” do que de “genocida”. A eficácia desses medicamentos é fato consumado. O tratamento é utilizado por sumidades da medicina, como Dr. Kalil do Sírio Libanês. O que não temos é a comprovação científica, porque, para isso, levaríamos anos. Mas, como dentista e professor de biologia (imunologia), tenho a convicção de que ele seguiu o protocolo de médicos renomados do nosso Estado.

AGORA – O Governo do Estado informou que já abriu mais de 400 leitos para atender pacientes com Covid-19. Mesmo assim, o senhor tem feito críticas à gestão da governadora Fátima Bezerra. Por quê?

CM – É simples. Ela apostou e aposta o tempo todo na morte. Não foi à toa que o secretário Cipriano Maia (Saúde) deu aquela infeliz e indecente declaração, de que teríamos cerca de 11.300 mortes até 15 de maio. Existem leitos clínicos e leitos de UTI. Ela está sendo investigada por superfaturamento de leitos na Liga contra o Câncer, não conseguiu fazer um hospital de campanha, escondeu 36 mil comprimidos de hidroxicloroquina e ainda deu R$ 5 milhões na compra de respiradores que nunca recebeu, e sem contrato. Tem como elogiar?

AGORA – Como tem sido o trabalho da Câmara Municipal nesse momento de pandemia do novo coronavírus?

CM – O presidente Paulinho Freire tem tomado todas as medidas necessárias para evitar a transmissão da doença. Estamos tendo uma boa produção através da videoconferência. Formamos uma comissão de combate à Covid-19, da qual eu faço parte. Estamos procurando fazer o melhor para a nossa cidade, mas com um foco bastante voltado aos problemas que envolvem essa pandemia.

AGORA – O senhor considera que é o momento de autorizar a reabertura do comércio?

CM – Sim, desde que a sociedade tenha consciência e faça o seu papel. A Covid-19 não pode ser subestimada. Precisamos nos adaptar a esse novo momento. No entanto, após cerca de 100 dias de comércio parado, acredito que, com o controle responsável das entidades que representam o comércio, e a compreensão do nosso povo em contribuir, devemos abrir gradualmente.

AGORA – As eleições estão se aproximando, e o projeto de revisão do Plano Diretor ainda não chegou na Câmara. O senhor considera que há clima para votar o projeto ainda este ano, caso ele chegue a tempo?

CM – O Plano Diretor de Natal é uma das votações mais importantes para Natal. Não podemos votar sem ter estudado bastante o que será enviado para a Câmara. Essa pandemia nos ensinou a entender nossos limites, e um deles é respeitar o tempo certo para agir. Não vejo clima e condições para discutir esse tema através de audiências públicas e debates com a sociedade.

AGORA – As eleições de 2020 foram adiadas para novembro. Qual a sua avaliação?

CM – Uma eleição que custa R$ 8 bilhões aos cofres públicos e movimenta a sociedade de todas as formas possíveis. Vai totalmente de encontro a tudo que estamos passando. É negar que estamos em uma pandemia. Houve comprometimento escolar, desemprego, mortes e muita sequela dessa pandemia. Mas, eleições não pode deixar de haver… Passa a ser ridículo como o Congresso e TSE estão agindo.

AGORA – O senhor foi eleito vereador em 2016 pelo PTB, depois migrou para o PSL e agora está no Progressistas. Como explicar essas mudanças para o eleitor?

CM – É muito simples. Assim que venci as eleições pelo PTB, tinha divergências por querer ser oposição a Carlos Eduardo (então prefeito). O PTB tinha a Secretaria de Habitação. Na mesma época, em menos de um ano, fui a Brasília e passei a ter uma excelente relação com Jair Bolsonaro, que não falava ainda em ser presidente. Com o passar do tempo, naturalmente, esperei o posicionamento de Bolsonaro e segui para o partido que ele tinha definido, o PSL. Não tenho nenhum problema com o PTB. Tenho amizade pessoal pelo presidente Getúlio Batista e carinho pela sigla. Por fim, com a saída do presidente Bolsonaro do PSL, também optei por sair, mas, desta vez, eu iria definir o meu partido, que teria de ser de direita e conservador, o que é raro em nosso Estado. Em conversa com o presidente do partido, Betinho Rosado, que conviveu quase 14 anos com Bolsonaro no Progressistas, e com o deputado federal Beto Rosado, fomos a Brasília e conversamos com Eduardo Bolsonaro, que me aconselhou a ingressar no partido, ao qual Bolsonaro foi filiado por mais tempo em sua história política. Assumi a presidência municipal em Natal e estou em total sintonia com o partido. Vale lembrar que o Progressistas é o maior aliado do presidente em Brasília.

AGORA – O senhor foi oposição ao prefeito Álvaro Dias durante todo o mandato, mas agora o seu partido – o Progressistas – conversa com o prefeito. Existe alguma aproximação? Como o senhor avalia essa situação?

CM – É importante separar dois pontos. Eu costumo dizer que faço “posição”. Sempre fui muito fiscalizador do dinheiro público e tenho a total liberdade nas votações. Não mudarei uma vírgula. Por outro lado, nosso partido tem tido um diálogo aberto e respeitoso. Vence o que a maioria decidir, e não eu. Se a maioria, como o deputado federal Beto, o presidente estadual Betinho Rosado e a maior parte dos 41 pré-candidatos, entender que esse é o caminho, o que me resta é seguir nosso grupo.

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