O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras nesta quinta-feira 23. As declarações foram feitas dois dias depois de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), mencionar uma informação falsa sobre o sistema eleitoral durante uma reunião com embaixadores em Brasília.
Eduardo participou de uma transmissão ao vivo, com cerca de uma hora de duração, ao lado do consultor político argentino Fernando Cerimedo, integrante da campanha que levou Javier Milei à Presidência da Argentina. Milei deverá comparecer no sábado 25 à convenção partidária que confirmará a candidatura presidencial de Flávio.

Depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 2022, Cerimedo realizou transmissões e publicou conteúdos nos quais alegava fraude nas eleições brasileiras. As acusações foram contestadas por especialistas que analisaram os dados apresentados. O argentino chegou a ser indiciado pela Polícia Federal no inquérito sobre a tentativa de golpe, mas não foi incluído na denúncia da Procuradoria-Geral da República.
Ao abrir a transmissão, Eduardo classificou o debate como um assunto que teria sido deliberadamente criminalizado. “Essa transmissão é muito importante, vai tocar num tema sensível que tenho certeza que muita gente no Brasil tem medo até de falar porque foi propositalmente criminalizado, a exemplo daquelas picadinhas há uns anos atrás”, declarou.
Durante a conversa, Eduardo e Cerimedo retomaram suspeitas já descartadas sobre as urnas. Eles também abordaram as recentes acusações de fraude eleitoral difundidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a poucos meses das eleições legislativas de meio de mandato. Trump nunca reconheceu a derrota para o democrata Joe Biden na disputa presidencial de 2020.
Eduardo apresentou slides, e o primeiro trazia o título: “O fim da teoria da conspiração. Questionar a integridade de urnas eletrônicas controladas por fornecedores privados deixou de ser negacionismo para se tornar uma grave vulnerabilidade de segurança nacional documentada pela CIA”.
O ex-deputado também afirmou que o relatório final da comissão do Exército responsável por analisar as urnas não afastou a possibilidade de vulnerabilidades no sistema. “É impossível auditar as urnas eletrônicas brasileiras. É necessário [sic] mais recursos para que possa haver investigação e auditoria propriamente dita. […] É por isso que gerou revolta e, em última análise, gerou o 8 de janeiro de 2023 no Brasil”, disse.
Eduardo foi condenado no mês passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Atualmente, ele vive nos Estados Unidos, onde se autoexilou após conseguir autorização de residência permanente.