O deputado federal Sargento Gonçalves (PL) afirmou que “não morre de amores” por Álvaro Dias (PL), mas considera o ex-prefeito de Natal a melhor opção disponível para derrotar o PT na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Em entrevista nesta sexta-feira 24 ao podcast Eleições 2026, da TV Agora RN, o parlamentar confirmou que seguirá integralmente a orientação do partido para os cargos majoritários e participará da campanha pela eleição de Álvaro e do pré-candidato a vice-governador Babá Pereira (PL).
“Para a majoritária, a gente segue as orientações. Eu sempre digo que eu não morro de amores pelo nosso candidato ao governo, Álvaro Dias, mas, olhando os nomes que se apresentam, eu acredito que há uma necessidade”, declarou Gonçalves. Segundo ele, a escolha está subordinada ao objetivo político de encerrar o ciclo petista no Executivo estadual. “Eu tenho uma prioridade, que era a mesma de 2022: é tirar o PT do Governo do Estado do Rio Grande do Norte e tirar o PT do cenário nacional.”

Ao justificar a oposição, o deputado dirigiu críticas à administração da governadora Fátima Bezerra (PT), especialmente à situação fiscal e aos valores descontados dos servidores estaduais em empréstimos consignados que não são repassados às instituições financeiras. Gonçalves atribuiu ao Estado um déficit próximo de R$ 6 bilhões e citou uma dívida de quase R$ 400 milhões somente com o Banco do Brasil relacionada aos consignados. “Se isso não é improbidade administrativa, eu não sei o que é”, afirmou.
O parlamentar também criticou a Assembleia Legislativa e lembrou que apresentou um pedido de impeachment da governadora no início do mandato federal, que não avançou na Assembleia. “Eu não sei como é que a governadora passa quatro anos se apropriando de forma indevida do dinheiro do servidor. Tem policial que está no SPC e Serasa. Olha o absurdo. Por quê? Porque o governo tira o dinheiro do salário do servidor e não repassa aos bancos”, declarou.
As acusações contra a gestão estadual, segundo Gonçalves, ajudam a explicar sua adesão a Álvaro apesar de não demonstrar entusiasmo pessoal pela candidatura. O deputado afirmou que os nomes da chapa representam uma alternativa eleitoral ao PT e disse esperar uma resposta dos eleitores nas urnas. “A população precisa dar uma resposta”, enfatizou.
Disputa para o Senado
Gonçalves também confirmou apoio às candidaturas de Coronel Hélio (PL) e Styvenson Valentim (Podemos) para as duas vagas do Rio Grande do Norte no Senado, nomes apoiados pelo PL. O parlamentar afirmou que sua prioridade inclui retirar o PT da representação potiguar na Casa e defendeu a formação de uma bancada alinhada às pautas da direita.
Ao falar sobre Coronel Hélio, Gonçalves sustentou que o candidato poderá ajudar a construir um “Senado forte”. O deputado também elogiou Styvenson, a quem chamou de amigo e “irmão de farda”, embora tenha reconhecido a existência de divergências entre os dois no campo político.
“Quando é na área de polícia, a gente se dá muito bem. Na política, a gente tem as nossas divergências”, declarou. Apesar das diferenças, o deputado disse considerar Styvenson a melhor alternativa entre os nomes apresentados ao Senado. “Eu não tenho dúvida de que, quando se olha os outros candidatos e vê o senador Styvenson, não tem como o camarada, sendo honesto, dizer que tem como votar diferente”, afirmou.
A convenção do PL, marcada para domingo 26 no Ginásio Nélio Dias, na Zona Norte de Natal, deverá homologar as candidaturas de Álvaro Dias e Babá Pereira ao Governo do Estado, de Coronel Hélio ao Senado e dos postulantes às vagas de deputado estadual e federal. O partido também formalizará o apoio à reeleição de Styvenson.
Gonçalves avaliou que a composição majoritária poderá impulsionar a chapa proporcional do PL. Para ele, a presença de candidaturas competitivas ao Governo, ao Senado e à Presidência da República aumenta a exposição da legenda e fortalece seus candidatos a deputado.
PL projeta três cadeiras federais
Pré-candidato à reeleição, Sargento Gonçalves estimou que o PL tem condições de conquistar três das oito vagas em disputa no Rio Grande do Norte para a Câmara dos Deputados. Ele admitiu que a quarta cadeira será mais difícil, mas não descartou a possibilidade de o partido repetir o desempenho alcançado em 2022.
“Eu acredito que nós fazemos três deputados federais. Naturalmente, com essa desidratação da federação União Progressista, há uma possibilidade, quem sabe, de repetirmos o feito de 2022. É mais difícil a quarta vaga, mas eu acredito que três vagas é um objetivo alcançável”, afirmou.
A nominata do PL é considerada uma das mais competitivas da eleição e reúne, entre outros nomes, os deputados que tentarão renovar os mandatos — Carla Dickson e General Girão, além de Gonçalves. Na entrevista, o deputado rejeitou a preocupação com o chamado “grupo da morte” e disse preferir disputar por uma legenda forte.
“Eu gosto dessa competitividade. Eu não impedi que nenhum candidato entrasse na nominata”, declarou. Segundo ele, quando foi consultado pelo senador Rogério Marinho sobre a formação da chapa, respondeu que gostava “do combate”.
“Eu não gosto de jogar em time fraco. Então, de fato, nós temos um time forte”, acrescentou. Gonçalves afirmou que não trabalha para impedir a eleição de adversários internos e que concentrará sua campanha na prestação de contas do mandato. “A campanha genuína, eu acho que é isso: é você mostrar o que fez e o que pretende fazer.”
Ao avaliar o próprio desempenho, o parlamentar afirmou que encara a reeleição com tranquilidade e não considera a atividade política uma profissão. “Eu não tenho a política como profissão, mas eu tenho como missão. De fato, o sentimento hoje, com três anos e seis meses, é que a gente está cumprindo a missão”, declarou.
Gonçalves comparou a relação entre eleitores e políticos a um vínculo de trabalho. Para o deputado, caberá à população decidir, em outubro, se os parlamentares merecem continuar nos cargos. “O político é um servidor público e o povo é o patrão. Mês de outubro é o tempo de o povo, o patrão, decidir se renova a assinatura da carteira de trabalho ou se dá baixa”, afirmou.
Dentro do balanço do mandato, o parlamentar citou aproximadamente R$ 45 milhões em emendas destinadas a áreas como segurança pública, saúde, infraestrutura e assistência aos municípios. Disse ter encaminhado recursos a cerca de 140 cidades, sem considerar a filiação partidária dos prefeitos, e defendeu que as transferências parlamentares não sejam tratadas de maneira generalizada como instrumentos de corrupção.