O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) afirmou que enfrentou uma vida “mais difícil, talvez, que a do Lula” e chamou o presidente e candidato à reeleição pelo PT de “pai da pobreza”. Em entrevista a uma rádio de Mossoró nesta quarta-feira 16, o médico e escritor concentrou críticas em Lula, declarou que pretende “aposentar” o adversário e apresentou-se como a única candidatura capaz de derrotar o petista no segundo turno.
Ao relembrar a própria infância, Cury disse que cresceu em uma família numerosa, enfrentou dificuldades financeiras e estudou em escola pública. “Papai, mamãe e seis filhos. Oito num quarto só. Eu sempre fui aluno de escola pública. A vida foi muito difícil. Mais difícil, talvez, que a do Lula”, declarou. A comparação foi feita enquanto o candidato falava de uma visita à Rocinha, no Rio de Janeiro, e criticava políticos que, segundo ele, exploram eleitoralmente a situação das comunidades pobres.

Foi nesse contexto que Cury atacou a imagem de Lula como “pai dos pobres”, expressão historicamente associada ao presidente. “Não é o pai dos pobres. Nunca foi o pai dos pobres. Porque o dinheiro não é dele. O dinheiro é do contribuinte. É da arrecadação de milhões e milhões de pessoas que trabalham”, afirmou. Na sequência, endureceu a crítica: “O Lula, com muito respeito, ele é pai da pobreza. E não do pobre, porque a pobreza continua pobre”.
Cury declarou que pretende ocupar o espaço que atribui indevidamente ao adversário, mas associou esse objetivo a projetos de educação e empreendedorismo. “Eu quero ser o pai dos pobres, o educador dos pobres”, disse. Entre as propostas mencionadas, estão o financiamento de mais de 10 milhões de microempresas, a criação de uma “escola do empreendedor” e de uma agência bancária destinada aos pequenos negócios. Ele também defendeu a divisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em duas estruturas, uma dedicada às grandes empresas e outra voltada às microempresas.
O candidato também recorreu à promessa feita por Lula na campanha de 2022 de melhorar a alimentação dos brasileiros e popularizada pela referência à picanha. Ao defender que candidatos devem ser fiéis ao que dizem durante o período eleitoral, Cury afirmou: “Quem não é fiel à sua consciência tem uma dívida impagável consigo mesmo. Quem mente durante a candidatura vai mentir de novo”. Depois, completou: “Quem fala de picanha e não traz a picanha vai falar que vão comer ovo. Se não tem ovo, vão comer arroz. Se não tem arroz, vão comer mentiras”.
Cenário eleitoral
A última pesquisa do instituto Exatus mostra que Augusto Cury tem 7,5% das intenções de voto para presidente da República no Rio Grande do Norte, no cenário estimulado. No Estado, a liderança é de Lula, com 54,1%, seguido de Flávio Bolsonaro (PL), que soma 28,6%. O levantamento ouviu 1.500 pessoas entre 7 e 9 de setembro, tem margem de erro de 2,53 pp, com nível de confiança de 95%. Os registros na Justiça Eleitoral são RN-07539/2026 e BR-01764/2026.
Ao tratar diretamente da disputa, o escritor demonstrou confiança de que ultrapassará Flávio Bolsonaro e chegará ao segundo turno contra Lula. Questionado sobre quem apoiaria caso a segunda rodada fosse disputada entre os dois adversários, evitou escolher um lado. “Você vai ter que perguntar para eles, porque eu vou para o segundo turno”, respondeu. Segundo ele, sua candidatura estaria sendo impulsionada por um movimento social que ainda não teria sido captado integralmente pelas pesquisas.
Cury afirmou ainda que Lula preferiria enfrentar Flávio Bolsonaro, por considerar esse o cenário mais favorável. “O pesadelo do Lula é me ter no segundo turno”, declarou. “Eu quero aposentar o Lula mesmo. Mas não com agressividade, não gritando, porque já deu demais. Doze anos, mais seis anos de Dilma”, acrescentou.
O candidato argumentou que a Presidência não pertence a nenhum partido ou grupo político. “O cargo não pertence a eles. Não pertence ao PT. O cargo pertence à sociedade brasileira”, disse. Ao se apresentar como alternativa à polarização, defendeu o encerramento dos ciclos políticos liderados pelo PT e pelo bolsonarismo. Para Cury, o País precisa superar tanto o lulismo quanto o bolsonarismo e buscar uma candidatura capaz de “pacificar essa nação doente, radicalizada”.
Proposta de mandato para ministros do STF
Depois de concentrar as críticas em Lula, Cury comentou a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada por divergências e acusações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e relação de ambos com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Ao ser questionado sobre o embate entre os dois magistrados, o candidato disse esperar que as apurações produzam consequências concretas. “Eu só espero que não dê em pizza. Honestamente dizendo, o Brasil não suporta mais tantas pessoas que não amam esse país. Amam muito mais projetos pessoais do que projetos de nação”, afirmou.
Cury ponderou que as situações envolvendo Moraes e Mendonça possuem características diferentes e precisam ser examinadas separadamente. “São dois processos completamente distintos. Um do André Mendonça e outro do Alexandre de Moraes”, declarou. Ao mencionar Moraes, acrescentou: “Ele vai ter que se explicar, todos aqueles telefonemas, aquelas conversas”. O candidato disse ter discutido a crise com advogados, entre eles o jurista Ives Gandra Martins.
Para Cury, eventuais responsabilidades devem ser apuradas sem proteção institucional. “Tem que discutir, tem que levar até as últimas consequências. Não pode passar a mão na cabeça”, afirmou. “Se for provado que não são culpados, estão livres. Mas, se forem culpados, têm que pagar toda a sua dívida social”, prosseguiu.
O candidato defendeu uma reforma na composição e no funcionamento do STF. Sua principal proposta é substituir a permanência dos ministros até a aposentadoria compulsória, atualmente fixada aos 75 anos, por mandatos de oito anos. “Ao invés de a vitaliciedade ser até 75 anos, está com 40 e sai com 75 anos, fica 35 anos na Corte, ficaria apenas oito anos”, explicou. Cury afirmou que, se eleito, provocará o Congresso Nacional a discutir e votar a mudança.