A sucessão no comando do Irã passou a adicionar um novo componente de incerteza ao cenário geopolítico do Oriente Médio. Segundo avaliações das agências de inteligência dos Estados Unidos, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que assumiu a liderança suprema após a morte de seu pai, Ali Khamenei, demonstra maior disposição para desenvolver armamentos nucleares do que o antecessor. Embora não tenha defendido publicamente a construção de uma bomba atômica, a análise americana indica que o novo governo iraniano reúne uma ala mais favorável ao avanço do programa nuclear, em um momento de crescente tensão com Washington e Tel Aviv.
As conclusões da inteligência dos EUA foram elaboradas principalmente com base em declarações públicas e comunicações interceptadas antes da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos. Segundo autoridades americanas, Mojtaba Khamenei permaneceu gravemente ferido após os primeiros ataques israelenses e reduziu significativamente suas aparições públicas e comunicações desde então, o que limita a obtenção de novas informações sobre suas decisões. Ainda assim, Washington avalia que o novo líder considera mais útil o desenvolvimento de uma ogiva nuclear avançada, passível de miniaturização para instalação em mísseis de longo alcance, diferentemente da posição adotada por seu pai, que havia emitido uma fatwa proibindo o uso de armas nucleares.

O avanço dessas avaliações ocorre enquanto o Irã busca preservar parte de sua infraestrutura nuclear. Segundo autoridades americanas, centrífugas utilizadas no enriquecimento de urânio foram transferidas para um complexo subterrâneo altamente fortificado conhecido como “Montanha da Picareta”, próximo a Natanz. A instalação, construída em profundidade superior à de outras unidades nucleares iranianas, não foi atingida pelos bombardeios realizados pelos Estados Unidos em 2025 e é considerada um alvo de difícil acesso até mesmo para bombas de grande penetração. A inteligência dos EUA avalia que, até o momento, Teerã procura proteger equipamentos estratégicos, sem retomar o enriquecimento de urânio em larga escala.
Embora os ataques americanos tenham provocado atrasos no programa nuclear iraniano, autoridades dos EUA consideram que os principais ativos necessários para uma eventual produção de armamento permanecem preservados, incluindo o estoque de urânio altamente enriquecido. Especialistas em segurança internacional avaliam que o conflito pode ter fortalecido setores mais radicais do regime, que defendem a obtenção de capacidade nuclear como instrumento de dissuasão diante da pressão militar exercida por Estados Unidos e Israel. Nesse contexto, a evolução do programa atômico iraniano permanece entre os principais fatores de risco para a estabilidade regional e para as negociações internacionais sobre não proliferação nuclear.