O Tribunal Superior de Londres rejeitou a ação movida pelo príncipe Harry, pelo cantor Elton John e outros cinco autores contra a Associated Newspapers Limited (ANL), empresa responsável pelos jornais Daily Mail e Mail on Sunday. Os demandantes acusavam o grupo de imprensa de obter informações por meios ilegais, mas a Justiça concluiu que as alegações não foram comprovadas e extinguiu o processo.
Na decisão divulgada nesta quarta-feira, o tribunal afirmou que “os demandantes não conseguiram comprovar as acusações apresentadas. Portanto, as ações ficam indeferidas”. A ação reunia sete autores, entre eles Elton John, a atriz Elizabeth Hurley e Doreen Lawrence, mãe de Stephen Lawrence, jovem assassinado em um ataque racista em 1993.

Os autores alegavam que, entre 1993 e 2018, jornalistas do grupo utilizaram detetives particulares para interceptar mensagens de voz, realizar escutas telefônicas e obter informações de forma ilícita, além de recorrer a práticas enganosas na elaboração de reportagens.
A Associated Newspapers Limited negou as acusações durante o processo, sustentando que seus profissionais atuaram dentro da legalidade e utilizaram fontes legítimas na produção das matérias. Após a decisão, o grupo classificou o resultado como “uma vitória esmagadora para o Daily Mail e seus jornalistas, assim como para a liberdade de imprensa em geral”.
O príncipe Harry criticou o julgamento e afirmou que o resultado era esperado.
“É um encobrimento absoluto e evidente, mas, infelizmente, não totalmente inesperado”, declarou em nota conjunta com Doreen Lawrence.
A ação faz parte da série de processos movidos por Harry contra veículos da imprensa britânica. O príncipe atribui à perseguição de paparazzi parte da responsabilidade pela morte de sua mãe, a princesa Diana, em um acidente de carro em Paris, em 1997, e mantém uma disputa judicial de longa data com tabloides do Reino Unido.
Atualmente morando na Califórnia com a esposa, Meghan, e os filhos Archie e Lilibet, Harry compareceu ao Tribunal Superior em janeiro e afirmou que a cobertura da imprensa sensacionalista tornou “absolutamente infernal” a vida da duquesa de Sussex.
No processo, Harry e os demais autores buscavam uma indenização considerada “substancial” pelos supostos danos causados pela obtenção ilegal de informações. A decisão, no entanto, encerra a ação em favor da Associated Newspapers Limited.