Chile, Argentina, Bolívia e Peru assinaram na sexta-feira 28, em Santiago, uma declaração para ampliar a cooperação em minerais estratégicos. Os quatro países concentram reservas importantes de cobre e lítio, matérias-primas essenciais para baterias, redes elétricas e veículos ligados à transição energética.
O acordo prevê coordenação regional para atrair investimentos, fortalecer a pesquisa e apresentar a América do Sul como fornecedora confiável. Os governos pretendem buscar apoio técnico e financeiro de organismos multilaterais e promover iniciativas entre o setor público e empresas privadas nas áreas de inovação e formação profissional.

O movimento ocorre em meio à disputa mundial pelas cadeias de energia limpa. Estados Unidos, China e União Europeia procuram garantir acesso a minerais decisivos para a indústria, a tecnologia e a defesa. Negociando de forma coordenada, os quatro países aumentam o poder de barganha diante de investidores e compradores estrangeiros.
O Brasil não participou da declaração. A ausência representa um desafio para o país, que possui recursos minerais relevantes e tenta ampliar o processamento interno. O novo bloco poderá disputar capital, tecnologia e mercados, mas também abre espaço para futuras parcerias regionais.
Para o Nordeste, o tema ganha importância porque a expansão da energia eólica e solar exige armazenamento, transmissão e equipamentos. O Rio Grande do Norte, um dos principais polos eólicos do país, tem interesse direto nessas cadeias industriais, e Natal pode aproveitar a demanda por pesquisa, qualificação profissional e desenvolvimento tecnológico.
A declaração foi noticiada na edição desta segunda-feira 31 do jornal O Correio de Hoje.
Em agosto, o Rio Grande do Norte sediou debates sobre minerais críticos e terras raras (leia mais).